Uma das discotecas mais antigas do Cais do Sodré está a tentar resistir às mudanças sentidas na zona, que têm levado à perda cada vez maior de clientes. Neste momento, o Roterdão está em risco de encerrar definitivamente. À NiT, a proprietária Ana Paula Afonso, garante: “são precisos entre 70 e 80 mil euros para manter o espaço vivo durante mais alguns meses”.
O espaço, que faz parte da noite lisboeta desde os anos 80, está nas mãos de Ana Paula desde 2015. Tem sido, ao longo das décadas, um dos pontos de encontro da música indie, na Rua Nova do Carvalho, em Lisboa. Mas o cenário mudou nos últimos tempos: dentro e fora da pista.
“Depois da pandemia ainda conseguimos investir, fizemos obras, melhorámos o espaço, colocámos ar condicionado. Mas a rua mudou muito”, explica Ana Paula à NiT. E agora precisa de ajuda para continuar aberto.
Segundo a responsável, a transformação do Cais do Sodré, com o surgimento de novos espaços, teve impacto direto no tipo de público. “Começou a haver uma onda mais latina, reggaeton, kizomba. A rua ficou mais confusa e o público indie começou a desaparecer”, diz. Ao mesmo tempo, fala numa sensação de insegurança que afastou clientes, “muito alimentada pelas redes sociais”.
Apesar de reconhecer que a presença policial tem aumentado nos últimos meses, admite que o movimento já não é o mesmo. “Mesmo com mais polícia, as pessoas deixaram de descer à rua. E isso sente-se muito aqui”.
Perante este cenário, a tentação de mudar o conceito existe, mas não será posta em prática. “Eu não quero transformar isto num espaço de reggaeton. Não é o que somos. Prefiro acreditar que isto é cíclico e que o público vai voltar”, diz.
Para ajudar? Basta ir à discoteca
Para tentar inverter a tendência, o Roterdão está a apostar numa programação reforçada e preços acessíveis. Esta sexta-feira, 17 de abril, há uma noite com vários DJs: Jorge Scharfhausen (23 horas), Jorge Mourato (meia-noite) e Luís Patraquim (4 horas). No sábado, 18 de abril, sobem à cabine os Cobertor Elétrico, a partir das 23 horas.
A casa mantém também uma happy hour de entrada gratuita entre as 22h30 e a 1 da manhã, onde se paga apenas o consumo no estabelecimento. Depois disso, a entrada custa 5€ e inclui uma cerveja à pressão.
A agenda continua nas semanas seguintes, com uma festa especial a 24 de abril, “Dançar Liberdade”, entre as 22h30 e as 6 horas, inserida nas celebrações da Revolução. No dia 9 de maio está marcado um evento solidário com vários convidados e foco em causas sociais, como o combate à violência de género.
“Temos dado voz a várias causas, sobretudo ligadas aos direitos humanos. O Roterdão sempre foi um espaço aberto, onde toda a gente é bem-vinda”, sublinha Ana Paula.
Apesar das dificuldades, garante que não há salários em atraso e que continua a lutar para manter o projeto. “Gosto de ajudar as pessoas. Agora é a vez de o universo me ajudar. Eu acredito mesmo que o Roterdão vai conseguir”, conclui. Para já, o objetivo é simples: voltar a encher a pista e provar que ainda há espaço para o indie na noite lisboeta.








