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“Suddenty Amish“: reality show com os bastidores da comunidade estreia esta segunda-feira

A TLC volta a mostrar o grupo que “parou no tempo por opção“. Desta vez, com seis candidatos que podem abandonar para sempre o mundo moderno.

Ao contrário do que muitos pensam, ninguém nasce Amish. Este é um dos pontos fundamentais deste ramo do movimento Cristão Anabaptista, que surgiu na Europa no século XVI. Para este povo, a fé é uma escolha consciente e adulta, um compromisso selado pelo batismo que exige a renúncia total às vaidades do mundo moderno. Este é precisamente o princípio que serve de base a “Suddenly Amish”, o novo reality show documental do TLC, que estreia esta segunda-feira, 23 de fevereiro.

Os Amish são descendentes do movimento Anabaptista da Reforma Protestante do século XVI. O nome vem de Jakob Ammann, um líder suíço que achava que os Menonitas (outro movimento do cristianismo evangélico que resultou da Reforma Protestante) da época se estavam a tornar “liberais” demais. Ammann defendia que a igreja deveria ser mais rigorosa e separada do mundo. A partir da separação de 1693, os seus seguidores ficaram conhecidos como Amish e defendiam a excomunhão rigorosa (shunning) para quem não seguisse as regras bíblicas à risca.

Perseguidos na Europa por recusarem batizar bebés (acreditam que o batismo deve ser uma escolha consciente de um adulto) e por serem pacifistas (recusavam pegar em armas e ir à guerra), fugiram para os EUA no século XVIII, onde se estabeleceram principalmente na Pensilvânia.

Acreditam que a tecnologia e a vaidade afastam o homem de Deus e da família, por isso, “pararam no tempo por opção”. Hoje, são um dos grupos populacionais que mais cresce no mundo, devido às famílias numerosas (com seis a 10 filhos). Contudo, os Amish enfrentam um problema: as terras agrícolas (o seu principal meio de subsistência) estão a tornar-se demasiado caras. A impossibilidade de adquirir terrenos para trabalhar tem obrigado muitos a trabalhar em fábricas ou na construção, o que traz a tentação da tecnologia do mundo dos “ingleses” (a forma como descrevem todos os que não são Amish, independentemente da nacionalidade ou língua).

“Suddenly Amish“ surge precisamente desta necessidade de “sangue novo“ para manter a comunidade viva. Esta é apenas a aposta mais recente do TLC, canal que desde 2012, transformou a vida simples dos Amish num dos pilares da sua programação, explorando tanto a fuga como o regresso à comunidade.

A série original que quebrou recordes de audiências, “Breaking Amish” (2012 – 2014), segue cinco jovens (quatro Amish e uma Menonita) que trocam as suas comunidades rurais na Pensilvânia e no Ohio por Nova Iorque. A produção acompanha Abe, Rebecca, Jeremiah, Kate e Sabrina durante um período de transição único na comunidade Amish, que começa por volta dos 16 anos. 

Durante o Rumspringa (expressão do dialeto alemão da Pensilvânia que significa “andar por aí”) os jovens ainda não são batizados. Como a igreja Amish acredita no batismo adulto por escolha consciente, as regras restritivas da Ordnung (o código de conduta que governa a vida pública e privada e rejeita quase todas as conveniências do século XXI), tecnicamente, ainda não se aplicam a eles. Os jovens estão “no mundo”, mas vivem sob o teto dos pais. É neste período que muitos compram carros, usam roupas “inglesas”, cortam o cabelo, experimentam tecnologia e, em alguns casos, frequentam festas com álcool e música.

Ao contrário do que os reality shows por vezes sugerem, o Rumspringa não é feito para os jovens fugirem, mas sim para que conheçam o mundo exterior e decidam se querem ser batizados na igreja ou abandoná-la para sempre.

Em “Suddenly Amish”, os seis participantes recebem o raro privilégio de serem acolhidos por famílias Amish para testar a sua resiliência. Sob o olhar atento do Bispo Vernon, terão de provar que o seu interesse não é apenas curiosidade passageira, mas um desejo genuíno de conversão e pertença.

O elenco inclui Kendra, criadora de conteúdos numa plataforma para adultos (“OnlyFans”) em busca da purificação na fé Amish; Judah, um rapper do Missouri que procura o silêncio que nunca encontrou na música; Matt, um pai que vê na estrutura rígida da comunidade uma oportunidade de reconstruir os seus valores morais após o colapso do seu casamento; 

Aaron, deficiente auditivo que depende de dispositivos tecnológicos para ouvir, necessidade entra em conflito direto com as restrições Amish à utilização de tecnologia; Esmerelda, que procura a segurança de uma estrutura familiar sólida, algo que a vida urbana não lhe conseguiu proporcionar e Billie Jo, uma wannabe Amish que já se veste seguindo as regras da comunidade.

Segundo a crítica, o grande trunfo desta série em relação às anteriores é o sentido de urgência. “Não se trata apenas de entretenimento; para o Bispo Vernon, é uma luta pela sobrevivência da sua igreja.“ O estilo de vida Amish não é apenas uma forma de “continuar no passado”; é uma resistência ativa e organizada contra o que eles chamam de “caos do mundo”.

Para os participantes, é a última oportunidade de encontrar um propósito num mundo que sentem estar a colapsar. Entre a comunidade de Lancaster, na Pensilvânia, onde decorre a produção, as pessoas são batizadas entre os 18 e os 25 anos. Os seis protagonistas da série estão a tentar provar que podem ser batizados, o que significa que, se aceitarem, nunca mais poderão voltar à sua vida antiga sem serem excomungados (Meidung).

A série, produzida pela Hot Snakes Media, a mesma equipa por trás de sucessos como “Breaking Amish” ou “Amish Mafia”, estreou originalmente nos EUA a 13 de janeiro deste ano.

É composta por oito episódios, sendo o primeiro exibido esta segunda-feira, 23 de fevereiro, por volta das 20 horas, no TLC.

Carregue na galeria para conhecer algumas das séries e temporadas que estreiam em fevereiro nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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