Teatro e exposições

O mar e a indiferença: há duas novas exposições para conhecer no MAAT

Embora a mostra de Joana Vasconcelos se esteja prestes a despedir-se do museu, continua a haver várias razões para o visitar.
Não perca esta oportunidade.

O MAAT, em Lisboa, prepara-se para se despedir da incrível exposição de Joana Vasconcelos, que vai abandonar o museu a 8 de abril. Como a NiT já lhe tinha contado, a mostra trouxe sete peças criadas pela artista a partir de 2000 — algumas que nunca haviam sido mostradas. Ocupa duas zonas: o Central e o Gallery.

Apesar de ficar um pouco mais vazio, continua a haver muitas razões para passar pelo espaço durante os próximos meses. “Shining Indifference” de Luísa Jacinto e “Mar Aberto” de Nicolas Floc’h, são duas delas.

Na primeira, a artista desafia o público a entrar num jogo de observação entre o visível e o invisível. Através de diferentes materiais, como a membrana de borracha, linha, tecido, metal, spray e pigmentos soltos, criou várias pinturas e esculturas para esta instalação.

“Há no conjunto de todas estas obras uma vontade de afirmar a independência dos elementos da pintura em relação aos nossos sentimentos e subjetividades — de tal modo que a artista atribui à exposição que as reúne o título de ‘Shining Indifference’. Mas o forte apelo à participação dos visitantes, a estranheza que os seus elementos nos provocam, o facto de a membrana de borracha sintética e o poliéster têxtil nos desafiarem a ver através das suas superfícies, mas depois nos negarem ou dificultarem essa visão, ou o ainda o facto de definirem linhas de horizonte paisagístico que subtilmente são rompidas, tudo isso nos oferece, afinal, uma cena aberta ao olhar deambulante de cada um”, descreve João Pinharanda, o curador.

O francês Nicolas Floc’h decidiu apostar em várias artes: a fotografia, o vídeo e as esculturas. Tal como é habitual nos seus trabalhos, a mostra que leva até ao MAAT retrata o mar e o impacto das alterações climáticas no nosso planeta. Todas as imagens apresentadas foram tiradas em zonas como a Bretanha, região francesa de onde é natural, ou a bacia hidrográfica do Mississipi.

“Gradualmente, fui percebendo que a paisagem de cor contava a história do mundo, a interação do ser vivo com o mundo mineral, a história da Terra, o oceano, a atmosfera, o gelo, e tudo isso em temporalidades múltiplas. Os fluxos e os ciclos hidrológicos, biológicos e geológicos percetíveis nessas fotografias promovem o encontro da pintura abstrata com a representação fotográfica da paisagem”, descreve o próprio.

Os bilhetes para o MAAT custam desde 8€ e podem ser adquiridos online.

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