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“A Gaivota” e “A Pérola” entre as peças de teatro que Lisboa recebe em fevereiro

Alexandra Lencastre está de volta aos palcos, mas também há atores internacionais nas estreias do mês, na capital.

Alexandra Lencastre volta a cruzar-se com um dos textos mais marcantes da sua carreira, mas agora a partir de um lugar completamente diferente. Na nova versão de “A Gaivota”, de Anton Tchékhov, que estreou a 29 de janeiro no Teatro da Trindade, em Lisboa, dá vida a Irina Arkadina, mais de 30 anos depois de ter interpretado outra personagem.

Esta peça, escrita em 1895, promete ser um dos grandes destaques do teatro na capital, este mês. A obra lança um olhar intemporal sobre a arte, a fama e os sacrifícios que se fazem em nome da criação artística. Nesta nova versão, com encenação de Diogo Infante, a ação decorre numa propriedade rural isolada, onde se cruzam paixões, ambições e frustrações entre artistas de diferentes gerações. O ator e encenador decidiu apostar numa abordagem contemporânea, sem perder o peso emocional e a atualidade do texto original.

Em palco, acompanhamos os conflitos entre Irina Arkadina, uma diva do teatro clássico, imponente, vaidosa e carismática, cuja presença se impõe tanto no palco como fora dele; o escritor Alexandre Trigorin; o jovem e inseguro Constantino Treplev (filho de Irina); e Nina Zarechnaya, uma aspirante a atriz cheia de sonhos. À medida que as relações se intensificam, a peça expõe jogos de poder, ciúmes, vaidades e a fragilidade de quem vive para a arte.

Para Alexandra Lencastre, este regresso a “A Gaivota” tem um significado especial. Em 1992, interpretou Nina numa encenação no Teatro da Graça, naquele que foi um dos momentos decisivos do seu percurso. 

“Estava apavorada, porque era a minha primeira grande protagonista, mas deixei-me pousar com confiança nas mãos de todos. Foi um elenco que me deu muito colo. Na altura, fizemos a versão integral e o espetáculo durava quatro horas e meia. Foi uma época muito especial e a recordação que tenho é muito bonita”, recordou a atriz, como pode ler-se no site do Teatro da Trindade. 

“A Gaivota” está em cena no Teatro da Trindade até 5 de abril. É uma oportunidade para revisitar um clássico e para ver uma atriz a reencontrar, em palco, a história que ajudou a tornar-se uma referência na representação em Portugal.

Contudo, este mês não fica por aqui no que toca a histórias intensas em palco. Há também um regresso aguardado aos palcos portugueses. Depois de várias sessões esgotadas, a Companhia da Esquina volta ao Teatro da Comuna com “A Pérola”, uma adaptação da obra homónima de John Steinbeck. O espetáculo estará em cena entre 19 de fevereiro e 7 de março.

A peça acompanha a história de uma família de pescadores cuja vida muda drasticamente após a descoberta da chamada “pérola do mundo”. Aquilo que começa por parecer a oportunidade de escapar à pobreza e garantir um futuro melhor acaba por trazer conflitos, tensões e desequilíbrios, tanto dentro da família como na comunidade à sua volta.

Com encenação de Jorge Gomes Ribeiro, “A Pérola” usa esta história simples para levantar questões muito atuais sobre desigualdade, ambição, poder e sobrevivência. Entre a vontade de manter uma vida em harmonia com a natureza e o desejo de oferecer mais oportunidades às gerações seguintes, a peça convida o público a refletir sobre o preço real do progresso e das promessas de riqueza.

Outro dos destaques de fevereiro é Mateus Solano, que chega a Lisboa com o seu primeiro monólogo. Em “O Figurante”, o ator brasileiro dá vida a um homem habituado a viver em segundo plano que começa a questionar o seu lugar no mundo — e na própria história. Entre humor e momentos mais existenciais, o espetáculo convida o público a rir, pensar e reconhecer-se. Está em cena no Teatro Maria Matos até 1 de março.

Carregue na galeria e conheça as peças de teatro que vai poder ver em Lisboa ao longo de fevereiro.

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