Teatro e exposições

Abril em Lisboa: tudo o que vai poder ver (e fazer) na cidade durante o mês da liberdade

A autarquia já anunciou a programação. Vai haver concertos, exposições, teatro, visitas e leituras.
Manuel João Vieira vai atuar no Capitólio.

Apesar de todos os constrangimentos, o mês da liberdade vai ser celebrado em Lisboa, ainda que algumas atividades decorram online. A Câmara Municipal e a EGEAC já anunciaram a programação oficial para as próximas semanas.

O lema deste ano do programa Abril em Lisboa é “Coragem hoje, abraços amanhã”, dando um novo significado à mensagem de apoio partilhada entre as mulheres detidas pela PIDE durante a ditadura do Estado Novo.

Um dos principais momentos desta programação é o concerto “Nostalgia e Utopia”, de Manuel João Vieira, com vários convidados especiais, que vão levar “fados revolucionários” e “canções de intervenção”. Vai acontecer às 11 horas de 25 de abril, um domingo, no Capitólio.

Vai ser possível acompanhar tudo a partir das redes sociais da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC. Mas também vai poder assistir presencialmente ao espetáculo. A entrada é gratuita, mas a lotação é limitada. Para participar vai ter de levantar bilhetes no fim de semana de 24 e 25 de abril um pouco abaixo na Avenida da Liberdade, no Cinema São Jorge.

O Museu de Lisboa — Palácio Pimenta vai receber a comunidade de leitura Ecotemporâneos com duas sessões com convidados especiais, nos sábados de 10 e 17 de abril, a partir das 15h30. Na primeira vai participar o ativista e dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba, enquanto na segunda sessão a convidada especial é a atriz Beatriz Batarda.

“Em parceria com a bienal BoCA, damos assim continuidade a este projeto de ligação entre a literatura e os espaços verdes com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e transmissão nas redes sociais da EGEAC, a partir do jardim do museu”, refere a EGEAC em comunicado.

Durante três fins de semana, o geógrafo Aquilino Machado vai guiar o público num itinerário digital para conhecer “Os cinemas e outros lugares de encontro na Avenida Almirante Reis: uma memória emocional de resistência ao Estado Novo”. 

Será um percurso focado na vida cultural e boémia de uma das principais avenidas de Lisboa, “que extravasava o regime ditatorial do país”. Este itinerário virtual vai poder ser acompanhado aos sábados, domingos e na segunda e terça-feira de 12 e 13 de abril, sempre a partir das 17 horas. “Meia hora mais tarde, todos os sábados, haverá ainda tertúlias online com convidados de diversas áreas.”

Mamadou Ba é convidado da comunidade Ecotemporâneos.

Entre 16 e 21 de abril, a peça de teatro documental “Amores na Clandestinidade” vai poder ser vista online a partir das 19 horas. Criada por André Amálio e Tereza Havlíčková, explora as relações afetivas e familiares na luta antifascista. Foi criada especialmente para o Museu do Aljube — Resistência e Liberdade. 

O museu recebe ainda a exposição “8998 Pomar”, que inclui uma seleção de desenhos, gravuras e pinturas de Júlio Pomar, em parceria com o Atelier-Museu Júlio Pomar (a partir de dia 8 e até final de junho). 

Não perca também uma conversa com Margarida Tengarrinha em torno do seu livro “Memórias de uma Falsificadora” (dia 22) e uma peça de teatro baseada na mesma obra (dias 26, 26, 28 e 30); o peddy paper “Pelos Caminhos da Liberdade” (dia 24); uma visita orientada à exposição permanente do museu (dias 24 e 25) e um concerto com o músico Rogério Charraz e o compositor João Monge a partir do álbum “Cantigas do Maio”, de Zeca Afonso (dia 25).”

A organização lança ainda ao público o desafio de colar à janela o cartaz “Coragem hoje, abraços amanhã”, que está disponível no site do Museu do Aljube.

Outro dos destaques da programação é a peça “Elas Também Estiveram Lá”, produção do Teatro do Vestido, com encenação de Joana Craveiro, que estreou em 2018 e que agora é apresentada numa re-leitura, transformada num objeto-fílmico.

A organização descreve este projeto como um “trabalho que retrata acontecimentos, memórias e histórias de vida de um conjunto de mulheres presentes, mas ignoradas, no período pré e pós-revolucionário e que estará disponível também online entre os dias 15 e 22, entre as 21h30 e as 00h30”.

O Festival Política, como tem sido habitual, também está integrado na programação do Abril em Lisboa. Entre 22 e 25 de abril, o evento vai centrar-se este ano no tema das fronteiras. O programa volta a ocupar o Cinema São Jorge com várias iniciativas, tanto presenciais como online.

A programação completa do Abril em Lisboa pode ser consultada no site Cultura na Rua.

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