Adormecer durante a leitura de um clássico pode parecer uma boa forma de escapar à aula de Português. O problema é quando o autor aparece no sonho e exige atenção. É o que acontece a Leonardo, o aluno no centro de “Sumário: Auto da Barca do Inferno”, que chega à Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, a 8 de outubro.
Tudo começa com uma tarefa conhecida de várias gerações de estudantes: ler a peça de Gil Vicente. Sentado na última fila, Leonardo fecha os olhos assim que a turma começa a leitura. Mas o descanso dura pouco. No sonho, recebe a visita do dramaturgo, que tem uma reivindicação: dar outra oportunidade à sua obra. E, pelo caminho, ao próprio miúdo.
Com direção artística e texto de Raquel Castro, a partir de Gil Vicente, o espetáculo troca o ponto de vista das personagens do clássico pelo de quem o encontra na escola. O encontro entre Leonardo e o autor abre espaço para olhar para a relação dos alunos com os textos que estudam, mas também para o papel dos professores na descoberta do teatro.
A produção da companhia Razões Pessoais é o segundo espetáculo da série “Teatro Escolar”, que parte das obras dramáticas do programa de Português. A proposta cruza essas histórias com a experiência de as ensinar e aprender um contacto que, para muitos jovens, antecede a primeira visita a uma sala de espetáculos.
Ana Valente, Bernardo Gavina, Pedro Baptista e Rita Brutt integram o elenco. A criação dirige-se aos alunos do 9.º ano e do ensino secundário, tem classificação para maiores de 12 anos e dura uma hora.
“Sumário: Auto da Barca do Inferno” fica em cena até 31 de outubro. No dia 18, há uma conversa com os artistas, moderada por Cátia Terrinca, do projeto Segundo as Marias.
Os bilhetes custam 13€ e estão disponíveis na bilheteira do teatro.








