Teatro e exposições

Antes e depois: as imagens do 25 de abril de 1974 em contraste com a Lisboa de 2021

A NiT publica uma galeria de Daniel Louro, que já fazia este tipo de trabalhos com o projeto The World is a Set.
Daniel Louro compõe estas montagens com fotos antigas.

A revolução do 25 de abril de 1974 foi há 47 anos — ainda falta um ano para o tempo que temos de democracia igualar o período de ditadura. Tal como no ano passado, em 2021 as celebrações não podem ser tão grandes como habitual, por causa da pandemia. Ainda assim, há várias formas de assinalar a data.

Por exemplo, a RTP1 vai ter uma programação especial este domingo. A partir das 16h45 pode rever o filme “Capitães de Abril”. Às 19 horas, Sérgio Godinho vai tocar no Palácio de São Bento, em Lisboa, num espetáculo que também será transmitido pela estação pública.

O programa Abril em Lisboa, promovido pela autarquia e pela EGEAC, inclui um concerto especial de Manuel João Vieira no Capitólio, a partir das 11 horas. O espetáculo “Nostalgia e Utopia” vai contar com diversos convidados que vão levar “fados revolucionários” e “canções de intervenção”.

Vai ser possível acompanhar tudo a partir das redes sociais da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC. Mas também vai poder assistir presencialmente ao espetáculo. A entrada é gratuita, mas a lotação é limitada. Para participar vai ter de levantar bilhetes um pouco abaixo na Avenida da Liberdade, no Cinema São Jorge.

Já o Museu do Aljube — Resistência e Liberdade recebe uma visita orientada à exposição permanente do museu e um concerto com o músico Rogério Charraz e o compositor João Monge a partir do álbum “Cantigas do Maio”, de Zeca Afonso.

Entre muitas outras iniciativas, a NiT assinala o 25 de abril com um trabalho fotográfico de Daniel Louro. O videógrafo é o responsável pelo projeto The World is a Set, que destacámos num artigo há dois anos.

Daniel Louro viaja pelo mundo para fotografar locais onde vários filmes icónicos foram gravados. Além de os fotografar, compõe montagens com fotogramas desses filmes — criando sobreposições visuais. Foi exatamente o mesmo que fez agora para assinalar o 25 de abril.

O português de 37 anos percorreu os locais de Lisboa onde foram tiradas algumas das fotos mais icónicas da revolução. Nas montagens é possível perceber como, em 47 anos, alguns elementos da cidade não mudaram assim tanto — mas também há sítios que se transformaram mais radicalmente.

“Há uma imagem bastante conhecida a circular na Internet que mostra uma fotografia de Adolf Hitler a discursar numa varanda e essa mesma varanda por trás, nos dias de hoje, com uma bandeira do orgulho gay aí hasteada. É uma justaposição muito forte. E despertou-me esta ideia há cerca de um mês. A data do 25 de abril estava próxima e sendo um evento histórico nacional que aconteceu nas ruas, pareceu-me apropriado”, conta Daniel Louro.

“Tive a oportunidade de conversar há algumas semanas com a atriz Maria de Medeiros acerca do filme que também realizou, o ‘Capitães de Abril’, em que ela explica que houve o cuidado de recriar algumas situações tal e qual se vê em algumas fotografias. O fotógrafo Alfredo Cunha, que é o autor da grande maioria das fotos que segurei neste passeio por Lisboa, teve um papel determinante na memória que hoje guardamos da revolução dos cravos.” Daniel Louro é também o autor do podcast cinéfilo VHS, que faz com Paulo Fajardo, e a conversa com Maria de Medeiros é lançada precisamente este domingo.

“Lisboa é hoje uma cidade mais limpa e organizada, por isso estava à espera de encontrar mais contraste entre o que foi e o que é hoje. A maioria dos locais foram fáceis de encontrar, pois muitos deles são conhecidíssimos, onde quase nada mudou (a Praça do Comércio, por exemplo). Noutros casos, tive que pesquisar os percursos documentados que os tanques e as multidões percorreram entre a Rua do Arsenal e o Largo do Carmo, o epicentro dos acontecimentos. No geral, surpreendeu-me a conservação das fachadas dos edifícios da zona histórica”, acrescenta.

Carregue na galeria para ver algumas das imagens tiradas (e montadas) por Daniel Louro. Pode ver mais exemplos na página de Instagram do projeto The World is a Set.

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