Teatro e exposições

Bastidores de “Duelo”: passámos a noite com um dos melhores bailarinos do mundo

Thiago Soares foi o primeiro bailarino principal brasileiro do Royal Ballet, de Londres. Esteve em Portugal esta semana.
Tudo anda à volta de Thiago Soares.

O ensaio geral acabou às 18h30, com Thiago a pedir à amiga de vários anos e fotógrafa Crhystina Kashvilik para lhe tirar uma fotografia com Filipa de Castro, bailarina principal da Companhia Nacional de Bailado, e com Marcelo Bratke, pianista que conheceu no “Espectáculo pela Protecção da Infância”,  criado para a rainha Sílvia, da Suécia, no Rio de Janeiro, em 2011. Tirada a fotografia, estava oficialmente aberta a contagem decrescente para “Duelo”, que começaria às 21 horas, desta quarta-feira, 20 de fevereiro, no Teatro Tivoli BBVA, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

O brasileiro Thiago Soares é a grande estrela da noite, o nome dele enche o cartaz. Mas nos bastidores, ele está atento a todos os pormenores. É obcecado pela ideia do espetáculo perfeito. Em cima do palco dá instruções à régie sobre a forma como a luz cai em cada centímetro, fala com a produção sobre o posicionamento dos fotógrafos durante a noite e analisa através de um vídeo amador no telemóvel todos os seus movimentos à procura de um descuido, de um erro ou de uma imprecisão. São 15 anos de experiência resumidos naqueles minutos. É quase uma vida inteira.

Thiago nasceu no Rio de Janeiro e começou o percurso num circo no Brasil antes de se apaixonar pela música — o hip-hop e o break-dance, especificamente.  O jovem conheceu este estilo num grupo de dança de rua chamado Jazz de Rua. Poucos tempos depois, com 15 anos, inscreveu-se no Centro de Dança Rio, onde se transformou num verdadeiro dançarino.

Tudo voltaria a mudar em 2002, quando foi convidado para fazer parte do prestigiado Royal Ballet, em Londres. Quatro anos mais tarde foi promovido para bailarino principal — a primeira vez que esse cargo foi atribuído a um dançarino brasileiro.

Este mês, Thiago, de 37 anos, vai perder esse título e passará a fazer parte dos espetáculos apenas como artista convidado. O bailarino/coreógrafo diz que se sente cansado e que pretende passar muito menos tempo longe de casa — até porque gostava de ser pai, como explicou ao jornal “Estadão”. 

“Duelo” é um espetáculo seu. Apenas e só seu. Foi pensado, desenhado e coreografado por ele durante três meses. Depois, interpretou-o também em palco, com a ajuda de um convidado especial de cada país por onde passa. O espetáculo é musicado pelo pianista brasileiro Marcelo Bratke.

A tour começou ainda no Brasil, depois passou por Inglaterra e Itália — onde teve alguns contratempos. O espetáculo deveria acontecer numa igreja na pequena cidade de Lerici, mas quando o padre soube que Thiago estaria sem camisola cancelou tudo. O show acabou por ser ao ar livre e foi visto por mais de três mil pessoas, a sua maior audiência até hoje.  

A NiT esteve com Thiago nos bastidores do Teatro Tivoli BBVA e acompanhou ao minuto as duas horas que antecederam o espetáculo. Carregue na galeria para ver as imagens.

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