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Teatro e exposições

Belard: a nova galeria de arte de Lisboa com peças de arte contemporânea

Fica no centro da cidade e é um projeto de Catarina Mantero. “Uma ponte entre Nova Iorque e Lisboa”, descreve a pintora e galerista.

Catarina Mantero sempre teve uma enorme paixão por pintura. Natural de Lisboa, acabou por enveredar pela área de comunicação empresarial na faculdade — e trabalhou durante alguns anos em gestão. Esteve numa produtora de vídeo, passou pela empresa que em Portugal geria as revistas “Elle” e “National Geographic”, foi consultora em Londres e acabou a fazer campanhas de marketing para as marcas de perfumaria e cosmética do grupo da Louis Vuitton.

Em plena crise económica, em 2012, Catarina Mantero tinha “24 ou 25 anos” e não via muitas oportunidades no seu percurso profissional — decidiu mudar de vida. Largou tudo e inscreveu-se na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa para estudar pintura.

Durante os anos em que trabalhou na área da gestão colocou os pincéis e as telas de lado. O curso fez com que voltasse a apaixonar-se pela pintura, aprendendo pela primeira vez sobre História da Arte e descobrindo técnicas concretas que lhe poderiam ser úteis.

Quando terminou a licenciatura, estava determinada a procurar uma aprendizagem ainda mais específica, rigorosa, técnica. Rumou então a Nova Iorque, nos EUA, para fazer um mestrado na New York Academy of Art. Viveu naquela cidade “vibrante”, como a descreve à NiT, durante três anos.

A mostra fica até 7 de janeiro.

Lá percebeu como funciona o mundo da arte e das galerias, teve acesso a especialistas que nunca teria hipótese de contactar a partir de Portugal, durante um ano viveu como pintora profissional em Nova Iorque. Três anos depois, voltou ao seu País simplesmente para “tratar de uns papéis”, mas no momento em que chegou, durante o ano de 2019, voltou a deixar-se encantar por Lisboa.

A qualidade do clima, a gastronomia, o tempo com a família e os amigos — foram tudo fatores que a fizeram ficar pela capital portuguesa. Contudo, acabou por se saturar da vida urbana e optou por passar uma temporada num sítio mais calmo, tendo-se mudado temporariamente para Tavira, no Algarve, alguns meses antes do início da pandemia. Catarina Mantero considera que foi um “privilégio” ter passado por esse período difícil numa cidade mais pequena e tranquila.

Nessa altura, passou bastante tempo sozinha, sem nunca deixar de pintar. Teve disponibilidade para ponderar e pensar no que queria concretizar. “Vou aproveitar este momento no tempo para questionar a minha vida a curto e a longo prazo”, recorda-se de ter pensado. E foi então que teve a ideia de abrir uma galeria de arte em Lisboa.

Por um lado, tinha uma carteira de clientes invejável, graças ao seu percurso artístico em Nova Iorque. Por outro, tinha acesso a artistas emergentes internacionais e um conhecimento aprofundado sobre a área. Durante dois anos, esteve a planear a abertura do espaço, que foi finalmente inaugurado a 25 de novembro junto da Praça do Marquês de Pombal, numa antiga loja de roupa, que fechou graças à pandemia.

As peças são de diversos artistas.

Chama-se Galeria Belard e foca-se na obra de outros artistas — não nos trabalhos de Catarina Mantero, que hoje tem 34 anos. A galerista descreve o projeto como “uma ponte entre Nova Iorque e Lisboa”, entre “artistas e colecionadores”, entre o seu “coração de artista e o cérebro empreendedor”.

A inauguração contou com a presença do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva. “Ia caindo da cadeira quando o vi entrar [risos]”, conta Catarina Mantero. A Belard apresenta-se com a exposição “Prelúdio”, que representa a visão artística do projeto. O foco está na chamada Nova Figuração. “É o regresso da figura — mostrar que ainda é possível apresentar obras contemporâneas relevantes, no seu conteúdo e na forma, apostando na figuração”, explica.

“Prelúdio” junta trabalhos artísticos diversos, desde pintura a escultura, passando por desenho e fotografia. São peças de nomes portugueses e internacionais como Tania Alvarez, Joana Galego, Kathryn Goshorn, Mariana Horgan, Ana Jacinto Nunes, Eurico Lino do Vale, Alex Merritt, Mafalda D’Oliveira Martins, Zoë Sua Kay e Jorge Vascano. 

Esta mostra vai estar em exibição até 7 de janeiro. Depois, alguns destes artistas — como Kathryn Goshorn, Joana Galego e Eurico Lino do Vale — irão apresentar exposições individuais na Belard. A ideia é que cada mostra esteja patente durante cerca de um mês e meio. Para o verão, Catarina Mantero está já a preparar outra exposição coletiva conceptual.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Rodrigo da Fonseca, 103B, Lisboa
    1070-239 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Abre às: 10:00
  • Fecha às: 19:00
  • Encerra ao domingo e segunda-feira

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