Teatro e exposições

Centro de Arte Moderna da Gulbenkian já tem data oficial de inauguração

O novo edifício é da autoria do arquiteto japonês Kengo Kuma. Estará enquadrado numa extensão dos jardins, desenhado por Vladimir Djurovic.
Uma inauguração muito esperada.

O tão aguardado Centro de Arte Moderna (CAM), da Fundação Gulbenkian, tem finalmente uma data oficial de inauguração: 20 de setembro de 2024. Depois de uma remodelação do arquiteto japonês Kengo Kuma, enquadrada no novo jardim desenhado pelo paisagista libanês Vladimir Djurovic, o espaço irá estrear-se com várias exposições e um programa de artes performativas. 

“Linha da Maré” é o nome do projeto de Leonor Antunes, artista visual, que irá apresentar mais de 90 obras de diferentes tipologias artísticas, a maioria inspirada no 25 de Abril de 1974. Será exposta na galeria principal do Centro, numa instalação imersiva que integra outro projeto de Antunes — “Da desigualdade constante dos dias de Leonor”. Este trabalho procura “questionar a invisibilidade das mulheres no cânone da história da arte moderna”, de acordo com a autora.

Na mesma exposição, haverá ainda obras da coleção do CAM realizadas por mulheres, desde os anos 60 até à atualidade, selecionadas por Leonor Antunes. Trata-se de “uma apresentação que dá início a uma nova forma de pensar e expor a coleção, convidando os próprios autores a fazerem a curadoria das obras do seu acervo”, acrescenta a Fundação.

Pode-se esperar também uma coleção do artista plástico, fotógrafo e designer luso-brasileiro Fernando Lemos (falecido em 2019), que procura mostrar a sua relação com o Japão, nos anos 60. Esta mostra foi resultado de uma bolsa da Gulbenkian que o próprio recebeu para estudar a caligrafia do país e aprender técnicas de fotografia. O projeto terá direito a uma programação de artes performativas com a duração de três dias.

O fim de semana de abertura conta com uma série de eventos, com performances de Ryoko Sekiguchi e Samon Takahashi, e exposições de Go Watanabe e Yasuhiro Morinaga, reforçando a presença artística nipónica na inauguração. 

Encerrado desde 2020, o CAM, inaugurado em 1983, alberga uma coleção com cerca de 12 mil obras de arte moderna e contemporânea, predominantemente portuguesa. Kengo Kuma reinterpretou o anterior edifício de betão, da autoria do britânico Leslie Martin, aumentando a sua transparência para sul e acrescentando-lhe uma pala de 100 metros de comprimento, com uma cobertura de grandes telhas de cerâmica brancas.

O átrio transparente cria o efeito de uma ligação visual do novo jardim ao resto do espaço da Gulbenkian. A nova galeria de mil metros quadrados acolherá exposições da coleção do Centro, ladeada por uma Sala de Desenho, dedicada à sua extensa coleção de obras sobre papel.

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