Teatro e exposições

Depois do Burning Man, instalação portuguesa vai ser apresentada na Grande Lisboa

“O Nome da Rosa” é a peça que esteve no deserto de Black Rock, no estado americano do Nevada. Agora está na Fábrica da Pólvora.
"O Nome da Rosa" foi criada durante vários meses em Santa Iria da Azóia.

No ano passado, e pela primeira vez na história, o mítico festival Burning Man — que acontece todos os anos em Black Rock City, uma cidade montada de propósito no deserto do Nevada, nos EUA, durante uma semana — recebeu uma instalação artística portuguesa. 

“O Nome da Rosa” é o nome da peça que, agora, vai ser apresentada ao público nacional. Neste sábado e domingo, 12 e 13 de setembro, vai acontecer o evento Rosa Pólvora — em que a instalação estará em exibição na Fábrica da Pólvora, em Barcarena, no concelho de Oeiras.

A escultura idealizada e criada sobretudo pelo dramaturgo Nuno Paulino vai estar no Pátio do Enxugo — irão acontecer visitas guiadas e diversas oficinas entre as 14h30 e as 18h30 para todos os curiosos (e a pensar também em famílias) que queiram conhecer a obra.

À noite, a partir das 21h30, a performance “Rosa Pólvora — A Burning Man Fire Sculpture” vai mostrar como a peça foi exibida no deserto americano, através de vídeo arte, efeitos especiais e da própria execução da peça. Ao mesmo tempo, é uma concentração nacional do universo “burner”.

A instalação consiste numa figura de uma Deusa Mãe (que representa a Terra) assente numa base pesada e montada numa rosa dos ventos bastante diferente do habitual.

“Esta rosa dos ventos aponta para todas as direções, porque é possível manobrá-la. Queríamos atribuir o significado de ela apontar para todos os nortes e não só para um. Acho que essa é uma grande mensagem: não deixar que ninguém te diga que só tens um caminho, que só há uma solução, que só podes ser dessa maneira. Isso tem muito a ver com o Burning Man, onde existe esta filosofia de poderes escolher, de poderes ser diferente”, disse à NiT Nuno Paulino num artigo publicado no ano passado.

Essa é uma parte da obra interativa, em que qualquer pessoa pode mexer. A rosa dos ventos está fixa num mastro, que também simboliza a navegação e é um símbolo bem nacional. Outros elementos muito portugueses e que foram utilizados são a cortiça — que serve de roupa para esta Deusa Mãe — e o azeite virgem extra, que serve para ajudar a incendiar a obra.

“Foi um processo que inventámos — quase patenteámos — de um condutor de fogo quase perfeito que vai incendiar o ferro de acordo com um design específico. Há um preparado de algodão e de combustível biológico que é incendiado com os raios do sol como se fosse uma tocha.”

O raio de sol atravessa e fica guardado no interior de uma garrafa que irá funcionar como uma câmara de luz. O último raio de sol do dia fica conservado em azeite para depois incendiar a instalação, sendo que o fogo dura cerca de cinco minutos. Há uma espécie de pequena nave espacial, construída com partes de carros antigos, em que qualquer pessoa se pode sentar para ajustar a obra e coincidir melhor com a posição do sol a cada momento.

É obrigatório o uso de máscara e todas as informações podem ser conhecidas na página da Artelier?, a companhia de artes de rua de Nuno Paulino. Saiba mais sobre “O Nome da Rosa” na reportagem da NiT publicada no ano passado, quando visitámos o armazém em que a instalação foi criada.

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