Tempo desocupado e livre; haver tempo mais do que o suficiente; restar ou sobrar tempo; deixar ou ficar livre ou disponível; dedicar o tempo a fazer alguma coisa; falta de pressa; lentidão, demora, sem precipitação; lentamente; devagar. Estes são alguns dos significados de “vagar”, segundo o “Dicionário da Língua Portuguesa”, da Academia das Ciências de Lisboa.
Em Évora, porém, tem um significado próprio: “O Vagar é a Cena”. E é de tal modo importante que a cidade alentejana quer mesmo instituir o Dia Nacional do Vagar. A cerimónia de lançamento da petição pública terá lugar na sexta-feira, 6 de fevereiro, nos Paços do Concelho, pelas 11 horas. A recolha das primeiras assinaturas arranca exatamente a 365 dias da abertura oficial de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura.
O início da contagem decrescente é assinalada com “O Vagar é a Cena”, num programa que se estende por dois dias. Trata-se de uma celebração que coloca o conceito de “vagar” no centro da experiência cultural, reafirmando-o “não como lentidão, mas como uma filosofia de vida e uma forma consciente de habitar o tempo e o espaço”.
A tarde será marcada pela arte e pelo humor. Às 17 horas, a Praça do Giraldo receberá uma instalação de arte urbana, transformando o centro histórico da cidade num espaço de diálogo visual. Pouco depois, às 18h30, o Teatro Garcia de Resende abrirá as portas a Guilherme Geirinhas, com o seu olhar acutilante sobre a realidade num espetáculo de stand-up comedy.
O ponto alto da celebração está marcado para a Arena d’Évora, às 21 horas, com um espetáculo inédito. O palco irá reunir uma diversidade de vozes e sonoridades, graças a nomes como Buba Espinho, Mafalda Veiga, Surma, Cláudia Pascoal e Valas, que se juntam a grupos tradicionais como o Coral Infantil de Ourique, os Cantares de Évora e os Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho. Com o mote “O Vagar é a Cena”, o concerto promete ser um manifesto sonoro sobre a identidade do Alentejo e a sua abertura ao mundo.
No sábado, 7 de fevereiro, o foco vai deslocar-se para a reflexão estratégica. O Auditório da Fundação Eugénio de Almeida receberá, a partir das 11 horas, a conferência “Para Além do Título, o Que Significa ser Capital Europeia da Cultura”. O encontro irá contar com a intervenção da especialista Else Christensen-Redžepović e uma mesa-redonda com representantes de capitais europeias anteriores; Lisboa 1994, Porto 2001 e Guimarães 2012, para discutir o impacto e o legado deste título.
Todas as iniciativas do programa “O Vagar é a Cena” são de acesso gratuito, limitado à lotação dos espaços. Os interessados em garantir lugar devem solicitar os bilhetes antecipadamente (disponíveis a partir de 2 de fevereiro na plataforma BOL).

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