Teatro e exposições

Já abriu o novo museu imersivo que o leva numa viagem retrofuturista pelo Porto

O Neonia foi inaugurado a 20 de abril e tem 18 salas interativas, onde pode descobrir curiosidades sobre a cidade.
A sala infinita da noite de São João.

Nos últimos anos, têm aberto dezenas de hotéis e restaurantes, no Porto. No entanto, o crescimento do turismo da cidade e da oferta de alojamento e gastronomia não acompanham o mercado de entretenimento. 

Normalmente, as viagens são feitas por grupos de amigos ou em família. Nestes casos, quando já vimos tudo e as estadias são mais prolongadas, surgem algumas questões. O que se pode explorar mais no centro da cidade? Qual é o spot que poderá agradar a todas as idades e gostos? É esta a lacuna que Vera Mata, Aquiles Barros e Marta Araújo pretendem preencher no Porto com a abertura do Neonia, o primeiro museu interativo imersivo da cidade.

Vera Mata é uma empreendedora nata. Doutorada em Engenharia Química no Porto, é cofundadora da empresa dedicada ao desenvolvimento de perfumes I-SENSIS e criadora da Ownya, especialista em produtos perfumados e aromatização. Foi numa viagem a Paris, na sua adolescência, que a engenheira, agora com quase 50 anos, teve o primeiro contacto com um espaço imersivo. A partir daí, a ideia de criar um conceito do género não lhe saiu mais da cabeça. 

Depois dessa viagem à capital francesa, sempre que visitava um novo país ou cidade, Vera dedicava o seu tempo a conhecer museus e todos os espaços imersivos e interativos. Em novembro de 2021, encontrou-se com Aquiles Barros, também engenheiro químico e cofundador da marca Castelbel e com a sua mulher, especialista em marketing e vendas e doutorada em Química Quântica, Marta Araújo.

Vera estava à espera de alguém que acreditasse na ideia. Já Aquiles estava de saída da Castelbel e à procura do próximo passo. Por isso, decidiram juntar o útil ao agradável e avançar com o projeto.

A primeira coisa que os três sócios fizeram foi pesquisar um local. No entanto, não poderia ser qualquer espaço, já que as experiências idealizadas exigiam uma certa dimensão.

“Sabíamos muito bem o que queríamos. Tinha de ser no Porto e numa zona turística. Ainda chegámos a fazer uma viagem aos Estados Unidos da América para ver o que é que tinha sido feito nos últimos anos, na indústria de experiências multissensoriais. Quando o Aquiles encontrou este espaço no coração do Porto, soubemos logo que era para avançar”, conta à NiP, Marta Araújo, responsável pelo marketing da empresa e cofundadora.

O Neonia abriu no dia 20 de abril, sábado, no número 116 da Rua de Ceuta. A explicação do nome é bastante simples. É algo novo, com muito néon e que apresenta uma visão retrofuturista do Porto, uma realidade alternativa àquela que vemos diariamente na cidade. 

“O nosso maior foco é oferecer um bocadinho de entretenimento, história, ciência e tecnologia, tudo no mesmo espaço. Temos os três a área da química em comum, além de sermos apaixonados por ciência e tecnologia. Vemos, assim, no Neonia a oportunidade de viver experiências que, tendo um carácter educacional, são exploradas à volta do entretenimento e se tornam apelativas para quem não conhece nada sobre o tema”, explicam.

O museu tem 1.500 metros quadrados e é composto por 18 salas interativas. Cada uma mistura o melhor que a indústria imersiva tem para oferecer, com os spots mais emblemáticos da cidade, onde poderá ficar a conhecer curiosidades sobre o Porto. Na sala da central elétrica de Freixo, poderá encontrar vestígios químicos, uma Torre dos Clérigos invertida e uma sala infinita da noite de São João, repleta dos tradicionais globos que decoram a noite mais longa do ano. 

“É tudo dedicado ao Porto, de uma forma diferente. Um pouco por todo o mundo há centenas de salas imersivas, são diversas as salas infinitas virais nas redes sociais, mas nenhuma sobre o São João. Não queríamos uma simples representação dos Clérigos, daí termos invertido a Torre. É uma oportunidade para turistas, visitantes e locais descobrirem o passado, presente e futuro de uma metrópole que tem tanto de real quanto de fantasia”, acrescentam.

Entre cores néon e cyberpunk, cenários retrofuturistas e montras interativas, um passeio pela Neonia promete ser uma aventura para os sentidos e um desafio para a mente. Não há limite de idade para visitar o novo museu interativo da cidade. A atração foi concebida para agradar a todas as idades, sem excluir nenhum membro da família.

“É quase como o espírito da Disney. É um espaço aberto a todos. Sabemos que nem todos vão gostar de tudo, mas temos a certeza que, pelo menos, gostarão de alguma coisa e isso é o mais gratificante”, admitem.

Por enquanto, os ingressos podem ser comprados na bilheteira do local. Até ao próximo dia 12 de maio, domingo, o Neonia continua com uma promoção especial de abertura, onde os miúdos até 17 anos, inclusive, e os seniores só pagam 10€. Para os restantes adultos, o valor é de 15€.

Depois disso, os preços serão alterados consoante a faixa etária e as épocas do ano, não existindo um preçário fixo, que poderá apenas ser consultado no local ou quando estiverem disponíveis online, em breve.

O espaço encontra-se aberto todos os dias, com exceção do dia de Natal (25 de dezembro) e do primeiro dia do ano (1 de janeiro). Na Neonia, não existe um tempo limite para as visitas, ou seja, pode voltar para atrás, rever salas ou fazer um percurso mais rápido. Contudo, Marta avançou à NiP que, em média, as visitas demoram cerca de 1h30. A última entrada no espaço é às 19h30.

“Já tivemos pessoas que saíram daqui passado horas, porque ficaram sem bateria no telemóvel. Outros ficaram-se apenas pelas pinturas e esculturas, uma vez que não apreciam tanto a vertente digital e imersiva. Seja como for, todos são bem-vindos e têm o seu tempo para conhecer o espaço e tirar o máximo partido da visita”, confessa. 

O Neonia conta ainda com uma rampa elevatória no exterior, acesso nivelado em praticamente todo o espaço e um elevador no interior, sendo acessível para cadeiras de rodas e carrinhos de bebé. Apenas as salas do Palácio de Cristal e Cofre Psicadélico estão vedadas ao acesso, devido à limitações estruturais do próprio edifício.

Se ficou curioso, carregue na galeria para conhecer o novo museu interativo do Porto. A estação de metro dos Aliados fica a poucos passos do espaço.

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