Imponente e divertido, são os adjetivos mais adequados para descrever a enorme peça que se apresenta à entrada do novo Sex Museum, no Porto: um gigantesco e vermelho pénis de madeira com cinto metros de comprimento e 850 quilos. Tão grande que os fundadores já candidataram a peça ao Guinness World Records como “a maior escultura de madeira em forma de pénis no mundo”. Tornou-se o símbolo mais partilhado do novo museu.
Inaugurado a 6 de setembro, assume-se como o “primeiro e único museu do sexo em Portugal”. “Escolhemos a data pela analogia óbvia ao 69. Achámos que fazia sentido”, conta Filipe Valinho, de 50 anos, que trocou a construção civil por este projeto.
A ideia nasceu em parceria com Pedro Canedo, de 36 anos, com experiência em alojamento local e turismo náutico. Os dois queriam criar algo inédito na cidade e acabaram por concordar que este era o projeto no qual deveriam empregar todos os seus esforços. “Há ainda muito tabu à volta deste tema. Queremos desmistificar a sexualidade, mas sempre com respeito e uma abordagem séria, ainda que divertida”, acrescenta.
A procura pelo espaço certo prolongou-se durante mais de um ano. Queriam algo amplo, bem localizado e que pudesse ser adaptado a um percurso coerente. Quando encontraram um edifício com 750 metros quadrados, souberam que estavam no local certo.
O museu foi desenhado como um labirinto de visita intuitiva, com um percurso pensado para durar entre 45 e 60 minutos, o que o torna uma paragem prática entre cafés, passeios ou compras.
A construção do acervo começou em 2022, com open calls dirigidas às faculdades de Belas-Artes do Porto e Lisboa, bem como a universidades no Rio de Janeiro e São Paulo. Os fundadores visitaram também cidades como Paris, Bordéus, Atenas e Cairo, onde adquiriram peças em antiquários, mercados e plataformas como o eBay. “Fomos comprando tudo o que acrescentasse algo à narrativa. É um acervo vivo, que vai continuar a crescer”, sublinham.
A exposição começa com uma cronologia sobre a evolução da sexualidade, desde 3000 a.C. até aos dias de hoje. Há artefactos da antiguidade egípcia, peças gregas, arte africana e objetos do século XIX que mostram como diferentes culturas representaram o erotismo.
O percurso alterna entre zonas mais sóbrias e outras criadas para impacto visual. Entre elas destaca-se o pénis de madeira assinado pelo artista português António Britos, construído ao longo de um ano. Outros núcleos abordam temas como consentimento, saúde sexual e diversidade de género.
Há ainda espaços inesperados, como uma recriação do Red Light District de Amesterdão, uma secção dedicada ao espírito livre dos anos 60 e ao festival de Woodstock, zonas temáticas sobre BDSM com cordas e camas, vibradores antigos, uma área em homenagem a Marilyn Monroe e uma coleção de revistas Playboy portuguesas e internacionais que documentam a evolução da estética erótica. O museu exibe também obras de artistas do Porto, Lisboa e de outras partes do mundo. Entre os destaques estão cintos de castidade vindos da Índia, criados no século XIX, que são as peças mais antigas e valiosas do acervo.
Completam o percurso várias obras centradas na masturbação e na representação do corpo, esculturas fálicas, murais com posições do Kamasutra e cartazes antigos de filmes pornográficos.
Apesar da temática provocadora, os fundadores garantem que o espaço equilibra arte, história e conhecimento “sem cair no sensacionalismo”. “As pessoas acabam por se divertir, mas também aprendem algo sobre um tema que faz parte da vida de todos.”
O público é o mais variado possível. “Vêm casais, grupos de amigos e até famílias com filhos mais velhos. O museu é para maiores de 16, mas mesmo assim há muita gente que descobre aqui um espaço seguro para falar sobre sexualidade”, acrescenta Filipe.
No final da visita, cujo bilhete custa 14€, há uma loja com recordações, peças decorativas e produtos eróticos, por exemplo, os lubrificantes da marca portuguesa Banana e Pêssego.
Carregue na galeria para conhecer melhor o Sex Museum.

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