Para muitos, a fotografia é uma simples representação da realidade que está à frente do artista, mas Jeff Wall quis distanciar-se desta perspetiva quase jornalística. E foi reconhecido precisamente por isso: pela capacidade de criar imagens que transcendem o momento — quase como se os espectadores mergulhassem naqueles cenários.
“Penso que fui atraído pela escala natural, pela minha preferência pessoal e pelo meu entusiasmo por pinturas nesse formato que via em museus e que tinham essa semelhança vívida com a vida, porque o que estamos a ver é como se estivéssemos a ver na vida real”, revelou Jeff Wall, durante as montagens da sua primeira exposição individual em Portugal.
“Time Stands Still. Fotografias, 1980–2023” já pode ser vista no MAAT Gallery, em Lisboa. São mais de 60 imagens que “retratam situações e cenários testemunhados, imaginados e/ou inspirados pelo imaginário e pelas referências do artista”, segundo a organização.
Além da grande dimensão da maioria das imagens que aqui se encontram, uma técnica que adotou desde o final dos anos 70, as fotografias são, em geral, criadas propositadamente para aquele efeito visual. Ou seja: houve um planeamento e uma execução, o autor não se limitou a captar o que estava a acontecer naturalmente.
“Desde os anos 90 que muitas das minhas imagens já não são propriamente fotografias, são composições, feitas a partir de mais do que uma fotografia. Queria ter a mesma liberdade que outro artista teria em qualquer outro meio. Juntar coisas ou ordená-las visualmente para serem uma composição que, de alguma forma, seja agradável de ver”, acrescenta o artista natural de Vancouver, no Canadá.
“The Flooded Grave” é uma destas composições, em que Jeff Wall sobrepôs duas imagens: um cemitério e o oceano. Assim, no resultado, podemos observar uma campa aberta na qual, no fundo, em vez de terra lamacenta, está o fundo do mar.

Além da visita individual, é possível realizar visitas guiadas para viajar a fundo na história que cada imagem conta, assim como no processo de composição do autor. Estas são gratuitas, mediante a compra do bilhete normal para o MAAT, que custa 11€ para residentes em Portugal, 15€ para estrangeiros e 8€ com desconto de estudante. Acontecem todos os dias, exceto terças, entre as 10 e as 17 horas.
Dança, yoga e uma “Happy Hour” — tudo o que não pode perder no MAAT
Nunca é demais lembrar que o MAAT faz também parte do grupo de espaços culturais nacionais que contam com entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês, entre as 10 e as 13 horas. Além disso, há também com uma “Happy Hour”. Às sextas-feiras e sábados, o museu fica aberto até mais tarde (21 horas) e oferece bilhetes a 50 por cento do preço normal. Assim, se entrar a partir das 19 horas, o bilhete normal custa 5,50€.
A exposição está presente no museu até 1 de setembro. Além de explorar o trabalho de Jeff Wall ao seu ritmo, pode juntar-se às várias iniciativas que decorrem na MAAT Galery. No dia 18 de julho, acontece uma visita à exposição com o curador, e diretor-adjunto do MAAT, Sérgio Mah, que os fãs de fotografia não vão querer perder.
Aproveite ainda para assistir a uma performance de dança no dia 20 de julho; conhecer a iniciativa Yoga no Museu, marcada para 26 desse mês; ou a Meditar com Arte, no dia 9 de agosto.
A agenda completa do MAAT pode ser consultada online e quem não quiser perder nenhuma novidade pode ainda subscrever a newsletter do museu.
Fotos: Daniel Malhão e MAAT









