Uma banana real, colada à parede com fita adesiva prateada. A peça “Comedian” é de 2019 e desde a sua apresentação que tem gerado várias ondas de debate na comunidade artística — tal como Maurizio Cattelan sempre quis. Seja indignação, riso, apreço ou qualquer outra emoção, era precisamente isso que o artista italiano esperava dos seus espectadores. Afinal, para algo ser considerado arte basta que tenha uma reação — positiva ou não — do público? Esta é uma das peças que nos fazem pensar sobre este conceito.
Agora, para tirar a sua própria conclusão, basta ir a Serralves para explorar a exposição “Sussurro”. Pela primeira vez em Portugal, as peças de Cattelan estão cuidadosamente dispostas na Casa de Serralves, um emblemático edifício Art Déco, mas também nos jardins da Fundação no Porto.
Um cavalo pendurado do teto de uma sala? Sim, está lá. Um boneco do Pinóquio a boiar num lago? Também. A irreverência faz parte do trabalho de Cattelan, ou não fosse ele o autor da ousada escultura “La Nona ora”, com uma imagem do Papa João Paulo II no chão, atingido por um meteorito.
“Com a sua voz única, Maurizio Cattelan oferece uma crítica incisiva às normas sociais, utilizando a sua reconhecida mistura de seriedade, sátira e humor. A sua obra aborda de forma consistente temas como o poder, a autoridade e os sistemas de crença, mas resiste a interpretações fechadas, encorajando os visitantes a confrontarem e descodificarem as obras por si próprios”, explica a Fundação Serralves.
O artista, de 65 anos, cria todo um cenário à volta da sua exposição. A escolha de local, enquadramento ou perspetiva para cada obra tem um forte impacto na experiência dos visitantes.
“As suas criações não são meramente dispostas para serem vistas. São, antes, cuidadosamente encenadas e pensadas para dialogar com o contexto e envolver ativamente o público, transformando a perceção do ambiente que as acolhe”, adianta a organização de Serralves.
O trabalho de Cattelan estende-se também a um projeto inédito que está na Loja de Serralves. Durante o período da exposição, este local transforma-se num espaço imersivo e surreal da revista “TOILETPAPER”, que celebra a cultura visual pop e o absurdo. No entanto, o projeto criado em conjunto com o fotógrafo Pierpaolo Ferrari, em 2010, cresceu para dar lugar a um estúdio criativo mais abrangente. Daqui já saíram famosas campanhas publicitárias, eventos, arte urbana e peças de design.
E é nesta última área que nasce o projeto que encontramos agora em Serralves. A Loja SELETTI TOILETPAPER reúne uma seleção de objetos do dia a dia, utilitários e decorativos que combinam “o design eclético da marca SELETTI, arte e humor de forma inesperada”.
A exposição mantém-se em Serralves até 11 de janeiro de 2026. Pode visitá-la com o bilhete geral (24€) de entrada. Para residentes em Portugal, o bilhete que dá acesso a todos os espaços da Fundação tem o custo de 20€. Existem ainda descontos de 50% para jovens dos 12 aos 17 anos, estudantes até ao grau de mestrado e pessoas com 65 ou mais anos.
Os Amigos de Serralves têm sempre acesso gratuito bem como os menores de 12 anos e visitantes com grau de incapacidade superior a 60%. Consulte todas as condições no site.
Carregue na galeria para ver algumas das peças em exposição.

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