No interior do centro cultural do Farol Santander, em São Paulo, no Brasil, centenas de flores artificiais estão dispostas em canteiros de luz numa sala escura. Trata-se do Jardim do Éden, uma experiência imersiva criada pela artista plástica Joana Vasconcelos, que foi instalada esta quinta-feira, 2 de abril.
Patente até 21 de junho, a exposição é uma “configuração inédita, pensada para a galeria do 23.º andar do edifício”, segundo o atelier da artista, que apresentou a obra, pela primeira vez, no centro cultural de Vila Nova de Foz Côa, na Guarda, em novembro de 2024.
“Transformando o espaço expositivo num ambiente imersivo, a instalação convida o público a atravessar um jardim artificial organizado como um percurso labiríntico”, descreve a apresentação da obra, que conta com curadoria do produtor e artista brasileiro Fernando Zugno.
Jardim do Éden “propõe uma reflexão” “sobre “natureza, artificialidade e tecnologia” num ambiente totalmente escuro. Cada canteiro tem três flores, todas diferentes e revestidas como uma liga que, depois, projeta a luz, com várias cores, nos discos. É a luz emitida por elas que guia o percurso a ser traçado.
“Através do fluxo luminoso e dos motores síncronos, as flores artificiais dispostas em forma de labirinto produzem um efeito cinético semelhante ao produzido pela fibra ótica”, explica a artista.

Devido a esta ilusão, os visitantes ficam com a sensação de que as flores estão a mexer ou que existe a presença do vento. Trata-se, contudo, de um sistema tecnológico pensado para criar “um jardim cheio de luz”.
No escuro da instalação, é possível ouvir vários sons da natureza, que aludem ao canto de dezenas de pequenos insetos, mas que é produzida pelo som mecânico das respetivas máquinas em funcionamento. O objetivo é convidar as pessoas a contemplar o que têm à sua volta.
“O percurso neste paraíso onírico expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica, unicamente possível devido à exigência da sua apresentação num espaço interior privado de luz natural”, acrescenta Vasconcelos, no seu site.
A par desta instalação, Joana Vasconcelos anunciou, no mês de março, duas exposições em França, dedicadas aos temas da maternidade, do sonho e do surrealismo. A primeira, “Bonnes Mères” acontece em Marselha e está prevista até ao final de agosto. A “Villefranche-sur-Mer “L’Absurde et le Rêve” decorrerá entre junho e outubro.
Nascida na capital francesa, filha de pais portugueses, Joana Vasconcelos cedo começou a expressar-se em francês, mesmo após a mudança para Lisboa quando tinha apenas três anos. Na década de 1990, a artista começou a ganhar visibilidade no mundo artístico, tendo realizado a sua primeira exposição.
A participação na Bienal de Veneza, em 2013, com a peça “A Noiva” — uma estrutura grandiosa constituída por tampões de higiene íntima feminina — tornou-a conhecida internacionalmente. É conhecida pela descontextualização de objetos do quotidiano e pela releitura do artesanato tradicional.

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