Teatro e exposições

Lisboa recebe exposição de peças com madeira queimada de Pedrógão Grande

A coleção de "anti-design" será depois enviada para alguns ministros e autoridades, "para lembrá-los do que aconteceu".
Design a bem da memória.

Os especialistas alertam para certas espécies de árvores, para os efeitos do aquecimento global e para as políticas que deixaram as florestas à mercê. Mas todos os anos somos confrontados com o mesmo problema. Chamamos-lhe a época de incêndio, como se fosse algo impossível de evitar.

2017 foi particularmente trágico em Portugal, sobretudo pelo que aconteceu em Pedrógão Grande. Nuno Lacerda pegou precisamente na madeira que ardeu nessa região e deu-lhe nova vida, numa coleção com peças únicas e que estará em exposição a partir desta sexta-feira, 16 de outubro. A mostra estará patente até dia 24 de outubro.

As criações do arquiteto Nuno Lacerda integram a Pyros Collection e vão estar em exibição no Coletivo 284, em Lisboa, numa mostra que conta com o apoio da Associação Natureza Portugal. As peças serão enviadas a ministros e autoridades, “para lembrá-los do que aconteceu” no País. Uma das peças em particular, o bancco Lacrimae, já foi inclusive entregue ao ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

“São objetos que contêm a memória da morte e da destruição causadas pelo fogo. Isto para que nunca nos esqueçamos”, explica Nuno Lacerda, sobre a inspiração para estas criações que define como de “anti-design”. “Em vez de proporcionar conforto, queremos gerar desconforto”.

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