Inaugurado a 22 de março de 2025, o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM) vai assinalar o seu primeiro ano de existência com uma programação especial de entrada gratuita. O grande destaque do fim de semana de celebração (21 e 22 de março) é a histórica reunificação dos painéis “Alfaiataria Cunha”, de José de Almada Negreiros, que voltam a ser expostos em conjunto pela primeira vez em décadas.
O MACAM é a concretização da visão de Armando Martins, empresário do setor imobiliário e hoteleiro. Ávido colecionador de arte, o fundador do Grupo Fibeira dedicou mais de 50 anos à reunião de um dos acervos privados mais importantes do País.
Recentemente, o seu contributo para a cultura portuguesa foi formalmente reconhecido pelo Estado: em junho de 2025, Armando Martins foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Esta distinção soma-se ao prémio “A” da Fundação ARCO (2021) e sublinha o impacto do MACAM (instalado no reabilitado Palácio dos Condes da Ribeira Grande, na Rua da Junqueira, entre Alcântara e Belém) como um projeto de democratização da arte.
A coleção, com mais de 500 obras, continua em expansão sob o olhar atento do seu fundador, que celebra o seu 77.º aniversário precisamente no dia em que o museu comemora o primeiro ano de existência.
O programa dos dois dias de festa inclui a renovação da exposição permanente, cujo momento simbólico será a junção dos quatro painéis da “Alfaiataria Cunha”. Criados em 1913, estes óleos representam a primeira encomenda profissional de Almada Negreiros.
As pinturas retratam figuras humanas, um dandy e uma mulher moderna ao estilo da época, que funcionavam quase como manequins pictóricos. Com um traço gráfico e sintetizado, Almada captou o “espírito cosmopolita e frívolo” da burguesia urbana do início do século XX, numa obra que servia tanto como decoração, como publicidade à sofisticada loja de roupa, situada na Baixa de Lisboa, já desaparecida.

Até agora, as peças encontravam-se dispersas entre o MACAM e o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Através de uma cooperação institucional estratégica, a obra recupera a sua unidade original, permitindo ao público apreciar a composição tal como foi idealizada, há mais de um século.
Durante o fim de semana, o museu terá horário alargado e acesso livre, com um roteiro que cruza as artes visuais com a literatura e a performance. No sábado, o escritor Afonso Reis Cabral conduzirá uma visita guiada pela Galeria 1, estabelecendo pontes entre as obras expostas e os grandes temas da literatura nacional.
No mesmo dia, o ator Diogo Dória e a sua filha, Eva, apresentam um recital no espaço àCapela — Live Arts&Bar, explorando a afinidade entre a palavra escrita e a imagem. A programação inclui ainda duas performances de Nuno Cintrão de música experimental inspirada no universo dos pássaros, e termina no domingo, com um concerto intimista da cantautora Márcia.
Além dos eventos principais, o público poderá participar das visitas orientadas à Coleção Permanente e das atividades lúdicas pensadas para toda a família, como o Play Cart — O Colecionador das Palavras, pinturas corporais inspiradas nas obras de arte e na criação coletiva da “Árvore dos Desejos”.
Confira o programa do primeiro aniversário do MACAM abaixo.
Sábado, 21 de março
17 horas — Concerto-performance “Canto dos Pássaros”, por Nuno Cintrão
18h30 — Visita “Arte e Literatura”, com o escritor Afonso Reis Cabral
20 horas — Recital de poesia “Ut Pictura Poesis”, com Eva e Diogo Doria
Domingo, 22 de março
17 horas — Concerto-performance “Canto dos Pássaros”, por Nuno Cintrão
20 horas — Concerto de Márcia no àCapela — Live Arts&Bar. Espetáculo com bilhetes pagos, disponíveis para compra online. Os preços variam entre os 25€ (balcão) e os 30€ (plateia).

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