Teatro e exposições

Morreu a célebre pintora Paula Rego aos 87 anos

A artista, que recebeu em 2019 a Medalha de Mérito Cultural do Governo de Portugal, vivia em Londres há várias décadas.
Tinha 87 anos.

Paula Rego, uma das artistas portuguesas mais premiadas a nível internacional, morreu na manhã desta quarta-feira, 8 de junho, em Londres. A notícia foi avançada por fonte próxima da família à agência “Lusa”. Segundo o galerista Rui Brito, Paula “morreu calmamente em casa, junto dos filhos”.

A célebre pintora nasceu em Lisboa a 26 de janeiro de 1935. Nos anos 60, estudou na Slade School of Art, em Londres, cidade em que viria a radicar-se definitivamente na década seguinte. As visitas a Portugal, onde em 2009 foi inaugurada a Casa das Histórias, o museu em Cascais que acolhe parte da sua obra, eram regulares.

Das várias distinções que conquistou, vale destacar o Prémio Turner, em 1989, e o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, em 2013. Pelo meio, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2004), e a Ordem do Império Britânico, com o grau de Oficial (2010), pela sua contribuição para as artes. Foi atribuído pela rainha Isabel II. Em 2019, o Governo de Portugal concedeu-lhe a Medalha de Mérito Cultural.

No final de 2021, o “Financial Times” considerou Paula Rego uma das 25 mulheres mais influentes do mundo, ao lado de nomes como Frances Haugen, a denunciante do Facebook, e Nacy Pelosy, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

As reações

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já reagiu à notícia, lamentando a morte de “uma artista plástica muito completa, com a maior projeção no mundo desde que nos deixou Vieira da Silva”.

“Há longas décadas que Paula Rego não é só muito importante em Portugal ou na Inglaterra, onde vivia, mas em todo o mundo. É uma perda nacional”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa em declarações às televisões, minutos depois de o óbito ser conhecido.

Garantiu ainda que vai entrar em contacto com o primeiro-ministro, António Costa, para “ponderar como assinalar em termos de luto nacional esta perda, porque [Paula Rego] tem uma projeção que é muito longa, rica e prestigiante para Portugal”.

Nas redes sociais, a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins, lembrou que Paula Rego era uma “pintora da matéria de que são feitos os sonhos e os pesadelos, as mulheres e a vida. Enorme. Hoje tudo será pouco”. Já o eurodeputado Paulo Rangel escreveu sobre um “legado enorme cheio de humanidade e de portugalidade”, em que todos estamos presentes “na fragilidade e na força, no carisma e na dúvida”.

Por decisão de Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, decretou um dia de luto municipal na quinta-feira, 9 de junho.

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