Na China e noutros pontos do Oriente, escolher o dia do casamento, marcar inaugurações e abertura de negócios, ou o início oficial de um projeto, são datas cuidadosamente planeadas. Afinal, segundo aquele que é apontado como o sistema de contagem do tempo mais antigo da Humanidade, cada dia está associado a determinadas características, mais ou menos auspiciosas.
O calendário chinês é um sistema cronológico milenar de natureza lunissolar. Ou seja, assenta simultaneamente nos ciclos da Lua e na posição do Sol. E são estes ciclos que orientam práticas rituais e familiares, preservando uma dimensão simbólica que atravessa séculos. Em 2026, por exemplo, assinala-se o Ano do Cavalo, que começa a 17 de fevereiro. A data é assinalada um pouco por todo o mundo, e Lisboa não será exceção, com o Museu do Oriente a apresentar um programa especial, a partir deste sábado, 7 de fevereiro, até 2 de março.
Segundo os especialistas, o calendário chinês terá sido criado durante a dinastia do imperador Huang Di, conhecido por Imperador Amarelo, por volta de 2637 a.C.. Muito mais tarde, em 1949, a China passou a adotar oficialmente o calendário gregoriano — o que vigora em Portugal e na maioria dos países —, mas o sistema tradicional continua a ser usado.
Ao contrário do modelo gregoriano, em que o ano começa sempre a 1 de janeiro, aqui o início do novo ciclo é móvel, ocorrendo habitualmente entre janeiro e fevereiro, em função das fases lunares e de critérios astronómicos específicos.
Cada ano é associado a um dos doze animais do zodíaco chinês — que se alternam de forma sequencial — e, em combinação com elementos e ciclos mais longos, serve de referência a previsões, tradições populares e leituras simbólicas muito enraizadas na cultura chinesa.
Mais do que um simples instrumento para organizar o tempo, este sistema está profundamente ligado a práticas espirituais e cosmovisões orientais, incluindo correntes como o Feng Shui, que procuram harmonizar a relação entre o ser humano, o espaço e as forças naturais.
No âmbito desta programação, no dia 17 de fevereiro, o acesso ao Museu e às visitas é gratuito, abrindo a celebração a um público mais alargado. As atividades programadas destinam-se a participantes de todas as idades, e abordam temas como pintura e caligrafia com pincel chinês, as divindades da religião popular e os animais do zodíaco.
Nesse dia, também se realiza a visita temática “Ano Novo Chinês: Colecção Kwok On”, que apresenta esta celebração e o seu significado através de peças raramente vistas da Fundação Oriente, incluindo papagaios, lanternas, estatuetas, gravuras, recortes de papel e um altar tradicional.

A celebração do Ano Novo Chinês assinala também o arranque do ciclo de programação “O Museu Convida…”, que ao longo de 2026 destaca diferentes países asiáticos e respectivas datas festivas. O percurso culmina a 1 de março, com o espetáculo “A Voz do Cavalo”, que reúne música instrumental tradicional, artes marciais e danças de diferentes regiões e comunidades chinesas.
Símbolo de força, liberdade, movimento e perseverança, nesta performance, “o cavalo assume uma dimensão sonora e visual, guiando o público por várias paisagens culturais da China e encerrando o programa do Museu do Oriente com uma metáfora viva do espírito que se atribui ao ano que começa”.
As várias atividades propostas destinam-se a maiores de 16 anos, salvo indicação em contrário. Os preços variam entre os 7,50€, 12€ ou 60€ (consoante a atividade escolhida) e estão disponíveis para compra online.
Leia também este artigo da NiT e descubra como a freguesia de Arroios, em Lisboa, vai celebrar o Ano Novo Chinês.
Confira abaixo o programa completo de celebração do Ano Novo Chinês, que marca o início do ciclo “O Museu Convida”.
7 de fevereiro
10h30 às 12 horas — Oficina “Celebrar o Ano do Cavalo com Pincel Chinês”.
10h30 — Oficina “O Sol e a Lua Nunca se Encontram” (para bebés até 12 meses, acompanhados por adultos).
11h30 — Oficina “As Cores dos Papagaios” (para bebés dos 12 aos 24 meses, acompanhados por adultos).
15 horas — Oficina “O Ano Novo Chinês em Pop Up” (para miúdos dos sete aos 12 anos).
8 de fevereiro
10h30 às 12 horas — Oficina “Celebrar o Ano do Cavalo com Pincel Chinês”.
11h30 — Oficina “Os Deuses são Gulosos?” (para miúdos dos três aos cinco anos, acompanhados por adultos) .
13 de fevereiro
18h30 — Visita “O Ano do Cavalo — Preparativos e Celebrações”.
14 de fevereiro
10 horas — Oficina “Feng Shui para 2026”.
17 de fevereiro (dia com entradas e visitas gratuitas)
11h30 — Visita “Entre Histórias e Tradições — O Ano Novo Chinês”.
15h30 — Visita “Ano Novo Chinês — Colecção Kwok On”.
18 horas — Visita “Peça Convidada”, por Gabriela Perdigão Cavaco (Diretora da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves).
19 de fevereiro
10 horas — Curso “Introdução à Religião na China”.
21 de fevereiro
10h30 — Oficina “Cavalos Mágicos” (para maiores de oito anos).
28 de fevereiro
10h30 — Oficina “Cavalos Mágicos” (para maiores de oito anos).
1 de março
10h30 — Oficina “Cavalos Mágicos” (para maiores de oito anos).
18 horas — Espetáculo “A Voz do Cavalo” (no Auditório, para maiores de seis anos).

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