Teatro e exposições

New Talent: Mess Jess quer alegrar as nossas vidas com ilustrações coloridas

A artista de 27 anos é uma das finalistas do concurso New Talent. O objetivo é levar os seus desenhos a todo o lado — e a todos os formatos.
Tem 27 anos e é uma das finalistas do New Talent

Tal como acontece com muitos alunos prestes a entrarem para o ensino secundário, Jéssica Costa não tinha a certeza que área queria seguir. E como outros tantos alunos, entregou-se ao veredito dos testes psicotécnicos.

“Deu artes e acabei por ir parar à [escola] António Arroio, que foi a melhor coisa que me podia acontecer”, conta. Nunca ninguém lhe dissera que tinha um particular talento para o desenho, apesar de o fazer desde pequena, sobretudo para passar o tempo. Foi entre mentes semelhantes que percebeu duas coisas: o talento que tinha e a vontade de criar arte para o resto da vida.

Hoje, sob o nome de Mess Jess, dedica (quase) todas as horas do seu dia às ilustrações coloridas e bem-dispostas, com as quais quer criar o seu negócio. Foram também essas ilustrações que a colocaram na lista de dez finalistas do New Talent, concurso promovido pela NiT, TVI e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pretende eleger os melhores jovens talentos de Portugal na área do lifestyle. O vencedor recebe 10 mil euros para desenvolver um projeto pessoal ao longo do próximo ano.

Se hoje as ilustrações são o seu dia a dia, o cenário era bem diferente nos tempos de escola, onde se deixou seduzir pelo mundo do hip-hop e do graffiti. Começou a sair para a rua de latas na mão, entre pinturas mais e menos legais. Fazia parte “do prazer da coisa”.

“Comecei a fazer umas coisas na rua, sempre paralelamente ao desenho, mais virado para o lettering, para as tags. O graffiti esteve sempre na minha vida até agora”, explica a artista de 27 anos que reconhece que essa é uma área ainda difícil afirmação para as mulheres.

As pinturas eram quase sempre feitas pela noite dentro, algo “mais complicado” para uma mulher. “Sair de madrugada para pintar sozinha não seria algo muito sensato. Sempre que o fazia estava acompanhada do meu grupo de amigos.”

Aproveitou a experiência ao máximo e aprendeu a dominar as latas e os rolos, técnicas que emprega hoje também na vertente da ilustração.

O graffiti é outra das suas paixões

Porém, antes de se libertar para a sua verdadeira paixão, teve que trabalhar, primeiro em gráficas, depois numa empresa, mais ligada ao design de UX/UI e a tarefas menos criativas. Curiosamente, foi aí que a ilustração começou a ganhar espaço.

“Tínhamos um cliente que nos pedia ilustrações e comecei a perceber que gostava mesmo de trabalhar nessa parte do projeto. Então comecei a desenvolver as minhas próprias ilustrações, as minhas narrativas, a explorar pinturas além do desenho digital.”

Tornou-se o seu escape criativo. Começou por fazer ilustrações para os amigos, para presentes de Natal, de aniversário. “Alguns amigos chegavam a comprar-me trabalhos para oferecer às mães, às namoradas”, conta.

Daí saltou para outras técnicas, para a pintura em acrílico. Desenvolveu também outros conceitos: criava ilustrações para amigos, sempre associados a características muito pessoais.

Jéssica é uma artista de várias paixões, por mais díspares que sejam. Apaixonou-se pelos bordados, que cruzou com, imagine-se, o lettering dos graffitis.

“Um amigo mostrou-me uma rapariga a fazer isso, achei espetacular e comecei a fazer, a transformar as minhas ilustrações em bordados”, recorda. A seu favor tinha dois fatores: a capacidade autodidata e as noções de costura ensinadas pela mãe.

As suas ilustrações são “simples e harmoniosas”

As ilustrações acabaram também em peças de cerâmica, depois de decidir acompanhar os esforços de dois amigos no seu estúdio. “Decidi que ia fazer uns potes, porque sabia que depois podia pintá-los como quisesse, podia ligar as duas coisas.”

Do seu estilo, apelida-o de “harmonioso, simples e divertido”. E pelas ilustrações não faltam cães e gatos, que diz ser outra das suas paixões.

“O meu estúdio fica num bairro e por lá cuidamos de uma colónia de gatos. A minha vida sempre teve também muitos animais, sempre estive muito ligada a natureza e, claro, sempre tive muitos gatos.”

Foi essencialmente durante as primeiras semanas da pandemia e de confinamento rigoroso que todas essas facetas se juntaram nas aguarelas que tinha em casa. “Tinha muito tempo extra e comecei com as aguarelas, desenvolvi desenhos, fui experimentando quadros, bordados, ilustrações digitais”, conta.

Mais de um ano depois, a empresa onde trabalhava fechou e a experiência dura tornou-se, afinal, numa espécie de bênção. “Fiquei um bocado à nora, a pensar no que gostava realmente de fazer. Se queria continuar com o design ou dedicar-me a um projeto meu”, recorda. Decidiu-se pela segunda opção.

Começou por criar ilustrações para os amigos

“Sempre que saia do trabalho dedicava-me às minhas telas, aos desenhos, a desenvolver as ideias que tinha”, conta. Isso passaria então a ser o seu full time job.

É nesse plano de vida que entra o concurso New Talent, onde se tornou numa das candidatas a conquistar o prémio final de 10 mil euros que, diz, a ajudará a ficar mais perto do sonho de fazer uma exposição, além de financiar cursos de cerâmica e pintura para “ganhar ainda mais técnicas”.

“Um dos grandes sonhos é o de tentar fazer uma exposição que já tenho pensada e que terá só pinturas de quadros em acrílico e algumas esculturas”, conta. “Quero que assente na criação de personagens e ambientes fantásticos relacionados com viagens que já fiz — e viagens que ainda quero fazer.”

Veja o vídeo realizado por Mess Jess para explicar porque é que merece vencer o concurso New Talent deste ano. A partir do dia 3 de dezembro já vai poder votar no seu finalista favorito.

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