Teatro e exposições

New Talent: Rita Ornellas, a fotógrafa que quer dissecar a beleza feminina

Formou-se em cinema, é produtora de moda, mas a sua grande paixão e hobby é mesmo a fotografia.
Tem 25 anos e vive em Barcelona

Entrou para o ballet e para a dança com apenas quatro anos. Durante mais de uma década competiu, fez espetáculos por todo o País e sonhou em ser profissional,. Nunca chegou a acontecer. “Há uns anos fui ver o Lago dos Cisnes e comecei a chorar a meio. Tinha muitas saudades de dançar e fica sempre aquele ‘e se?'”, recorda Rita Ornellas.

A paixão pela dança deu lugar a outros amores igualmente arrebatadores. Hoje, a produtora de moda e fotógrafa diz que não se arrepende da decisão. A troca foi igualmente compensadora e agora é uma das dez finalistas do New Talent, o concurso promovido pela NiT, TVI e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que pretende eleger os melhores jovens talentos de Portugal na área do lifestyle — e cujo vencedor irá receber 10 mil euros para desenvolver um projeto pessoal ao longo do próximo ano.

As artes estiveram sempre por perto, desde que nasceu em Santo Tirso, antes de acompanhar os pais para Lisboa e depois para Leiria, onde cresceu e viveu até viajar para o Porto para estudar. A escolha parecia ser óbvia.

“O meu pai tem uma enorme paixão por cinema e passou a para mim. No secundário já sabia que queria estudar cinema”, recorda a jovem de 25 anos. A dança era a grande concorrente, mas obrigou à tomada de uma decisão difícil.

“Comecei a ter juízo demasiado cedo, sabia que era uma área complicada e tinha desde muito cedde comprometer a minha formação. Decidi que ficaria só como uma paixão que tinha que colocar em segundo plano.”

Tirou o curso de Som e Imagem na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e a grande conquista chegou no final dos três anos da licenciatura. Como projeto final de curso, optou por fazer a sua própria curta-metragem. “Numa noite tive uma epifania sobre a história. Seria uma análise à sociedade em que vivemos”, conta. “Tinha 19 anos e começava a pensar na forma como comunicamos, no facto de haver demasiada tecnologia que influencia as nossas relações.”

Escreveu o argumento em inglês e teve a sorte de arranjar um ator americano — que na verdade não era um ator profissional. “JOHN” foi um sucesso. Correu festivais, venceu o Prémio do Júri no Porto Femme, foi seleção oficial na Competição de Cinema Novo no Porto/Post/Doc 2018 e foi exibida na televisão, na RTP2 e depois no Canal Q.

“Passa-se em 2043 e vemos como o mundo evoluiu através da perspetiva do John, que fala da sua experiência pessoal nessa nova sociedade que caiu num mar de apatia, onde as pessoas já não se relacionam como antigamente”, explica Rita. “Correu mesmo muito bem, foi uma surpresa. Acho que é um projeto bastante diferente do que costuma sair das curtas de final de curso na Católica.”

O que podia ser um salto para a indústria foi apenas e só um pretexto para refletir no futuro. “Não quis sequer fazer logo o mestrado. Achei melhor começar a trabalhar e ter contacto com o mercado, até para poder tomar uma decisão mais informada sobre o que queria fazer.”

Acabaria por aterrar numa área improvável à partida, mas novamente facilmente explicável pela “semente” deixada por um dos progenitores. A mãe passou-lhe a paixão pela moda e acabou a trabalhar como assistente no estúdio de uma marca portuguesa.”Daí evoluí para produtora, sendo que a experiência de produção em cinema também ajudou, apesar de serem universos diferentes, há pontos que se tocam”, explica.

Nas horas mortas, a paciência que restava era empregue na fotografia, uma das novas paixões. Entre experiências, decidiu então que faria um mestrado em fotografia. “Era um mestrado que apostava mais no ponto de vista artístico e autoral, o que fazia mais sentido para mim, porque a parte técnica já eu tinha.”

Foi assim que nasceu o Dissected Beauty, um projeto que arrancou antes da pandemia e que seria também a sua tese de mestrado. Através de imagens, Rita quis expor e dissecar os “processos de metamorfose” a que se sujeitam as mulheres em prol de um ideal de beleza.

De salão em salão, foi capturando pequenos e grandes detalhes, até que a pandemia interrompeu todo o processo. Os salões fecharam, a disponibilidade de profissionais e clientes também, e só agora, mais de um ano depois, a retoma do projeto parece possível. “É um projeto que está longe de estar concluído”, nota.

É também aqui que entra o concurso New Talent e o prémio de 10 mil euros, que Rita diz precisar para “expandir a série fotográfica a outros países”. “Adorava fazer com este projeto uma exposição bonita”, explica, antes de apontar para os custos elevados de revelação, digitalização, impressão e emolduramento.

“São custos muito grandes que não dá para cobrir sozinha e este prémio seria sem dúvida fantástico nesse sentido, porque permitiria levar a cabo a exposição e a conclusão do projeto.”

A viver em Barcelona, a trabalhar como produtora numa grande multinacional da moda, explica que ainda não se sente capaz de largar tudo pela fotografia. “Tenho algum medo de poder perder o carinho a algo que me faz tão bem. Quando a coisa se torna numa obrigação, pode fazer-nos esquecer o quanto gostamos dela.” Por enquanto, confessa, a fotografia vai manter-se como “um escape criativo”.

Veja o vídeo realizado por Rita Ornellas para explicar porque é que merece vencer o concurso New Talent deste ano. A partir do dia 3 de dezembro já vai poder votar no seu finalista favorito.

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