Teatro e exposições

Vhils e Bordalo II juntaram-se para dar às ruas de Lisboa mais uma obra de arte

O mural começou a ser criado em fevereiro deste ano e junta as estéticas que popularizaram os artistas portugueses.
É incrível. Fotografia do Instagram @ruiva_com_pintas.

Os estilos são inconfundíveis, mas raramente vistos juntos. Pois bem, a partir de agora, pode ir até Xabregas, em Lisboa, para espreitar o mural feito a quatro mãos, numa colaboração entre Vhils e Bordalo II.

A nova criação, que pode ser visitada junto à Estrada de Chelas, estava a ser feita desde fevereiro e combina as duas estéticas Alexandre Farto e Artur Bordalo.

Metade da escultura — que apresenta um rosto aparentemente humano — está em negativo, ou seja, a preto e branco, e os detalhes foram furados ao longo dos meses na própria parede. A outra parte, que retrata um primata, foi construída com recurso a lixo e está cheia de cores, desde o castanho ao azul.

Esta figura “half and half” tem sido um dos grandes focos de Bordalo II nos últimos anos. Em Portugal existem inúmeros exemplos, como a coruja de Coimbra. O artista também já levou esta arte além-fronteiras, nomeadamente a Las Vegas, com um imponente leão. Perto desta nova escultura também encontra o Half Tiger.

Abril tem sido um mês em grande para Artur Bordalo, que ainda esta terça-feira, 23, foi notícia após ter colocado uma faixa em forma de caixa de um medicamente chamado Liberdade na campa de Salazar. “Por algum motivo, os que têm ambições tirânicas e antidemocráticas, começam exatamente por atacar a liberdade – este conceito complexo que atravessa vários campos da nossa vida e sem o qual não teremos uma sociedade justa. A liberdade é fundamental para cada um de nós e para o bem-estar de todos”, escreveu o artista no Instagram.

“Não nos podemos distrair e tomar a liberdade como um bem adquirido. Pelo contrário, temos que defendê-la e exercitá-la todos os dias. O 25 de abril serve também para nos lembrarmos disto. Defender a liberdade é respeitar as diferenças, exigir direitos fundamentais universais e permitir a expressão do pensamento livre e da criatividade”, acrescentou, antes de abordar potenciais polémicas que a obra poderá gerar.

“Também a arte deve ser livre, deve poder questionar, provocar e dar um ponto de partida para a reflexão. 25 de Abril SEMPRE, fascismo nunca mais”, concluiu.

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