Ao longo dos 40 anos de carreira, Sam Shepard escreveu mais de 45 peças de teatro. Onze delas foram premiadas em grandes galas da indústria, como os Obie. Em 1979 também recebeu o Prémio Pulitzer de Teatro, graças a “Buried Child”. As conquistas acumularam-se, mas mesmo assim não é uma figura muito conhecida em Portugal.
Ao longo das décadas, a história de 1980 teve várias adaptações, com personagens interpretadas por grandes atores de Hollywood. Em 2019, por exemplo, Ethan Hawke foi o protagonista da versão da Broadway.
Agora, chega a adaptação portuguesa de “Verdadeiro Oeste”, pelas mãos da encenadora Rita Lello, que pretende levar o trabalho do norte-americano a um público mais vasto. A peça estreia-se a 23 de abril no Teatro da Trindade e vai estar em cena até 7 de junho.
Trata-se de um western cheio de humor e mordacidade. A narrativa acompanha dois irmãos antagonistas, mas que não sobrevivem um sem o outro. Numa sociedade agreste, cada um persegue como pode o sonho americano. “Austin, resignado e subserviente, verga-se às normas de uma indústria voraz: Hollywood. Lee vive a ideia de uma liberdade sem lei, alimentada por ilegalidade e violência, herdeira do Destino Manifesto dos pioneiros na conquista hegemónica do Oeste”, lê-se na sinopse.
“Num universo familiar inóspito domina a ausência: a ausência física do pai e a ausência emocional da mãe. E numa sociedade guiada por um Sistema Liberal em que prevalece a lei do mais forte, forma-se a tempestade perfeita para a violência que, a galope, avança, destruindo o que resta do mundo destes irmãos num combate singular”, acrescenta a apresentação.
Austin vai ser interpretado por André Nunes e Lee por Martim Pedroso. O elenco conta ainda com Heitor Lourenço e Valerie Braddell. Além de ser a encenadora, Rita Lello também fez a tradução do texto original.
“‘Verdadeiro Oeste’ é um texto maior, que convoca à cena aquilo a que se convencionou chamar na dramaturgia Shepardiana, ‘a doença da família americana’ — tão semelhante à que assola a realidade mais lata do mundo ocidental de que Portugal faz parte; tema tão urgente nesta época, e — temática não menos importante — o combate entre o ofício funcional da escrita, forçado a obedecer aos padrões mercantilistas da indústria — e por aqui já sabemos o que isso significa — e a inspiração, a criatividade, a imaginação e a rutura, mães do génio e do talento, verdadeiras e profundas origens daquilo a que chamamos Arte”, diz Rita Lello.
Os bilhetes podem ser comprados online e custam 14€.
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