Teatro e exposições

“O Matadouro”: já começou uma das experiências mais assustadoras de sempre em Portugal

A peça de teatro imersivo acontece num antigo matadouro em Leiria. Milhares de pessoas já compraram bilhetes.
As sessões acontecem pelo menos até ao final de novembro.

Foi um dos acontecimentos dentro da cultura e do entretenimento em Portugal que a pandemia atrasou. “O Matadouro” é uma peça de teatro imersiva organizada pela companhia do Teatro Reflexo. A primeira casa assombrada deste grupo nasceu em 2015 num palacete em Belas, no concelho de Sintra. A partir dali seguiram-se vários meses em Lisboa, num antigo palácio na Calçada do Combro.

Com todas as sessões esgotadas, este projeto tem sido um verdadeiro sucesso. A nova experiência era para ter estreado em abril, mas teve de ser adiada — a estreia aconteceu então na última sexta-feira, 25 de setembro.

Tudo acontece num antigo (e verdadeiro) matadouro nos arredores de Leiria — mais concretamente no número 15 da Rua Nossa Senhora de Fátima, no lugar de Zambujo. Esta é a história dos Pinheiro, uma família patriarcal e religiosa que é totalmente disfuncional. São eles os donos do matadouro.

Os pastéis de carne da família tornaram-se famosos. Contudo, esse sucesso esconde histórias terríveis. O pai abusa da família que, traumatizada, tem também as próprias perturbações e demónios — problemas com que os visitantes se irão deparar ao longo desta jornada sombria e arrepiante.

O criador desta produção e diretor do Teatro Reflexo, Michel Simeão, explica à NiT que a peça tem uma introdução teatral de cerca de 15 minutos e depois algumas cenas adjacentes. Depois existe uma componente sobretudo de experiência imersiva, em que os visitantes entram nas várias salas — um de cada vez — e experienciam sensações que prometem ser aterrorizantes, com o apoio de um audioguia. Há uma espécie de escape room teatral pelo meio.

“Enquanto ator e encenador, a maior luta é mostrar que é possível fazer teatro que não seja aquela ideia cliché que muitas vezes as pessoas têm do teatro como algo declamado, e que pode ser tão ou mais envolvente do que um filme ou uma série de televisão. Como sempre, isto é um work in progress. E com a pandemia vamos fazendo afinações na parte da experiência imersiva.”

Nestas experiências normalmente existe algum contacto entre as personagens e o público, e elementos como esse tiveram de ser retirados da equação — e toda a gente tem de usar máscara e há postos de gel desinfetante dentro do matadouro. Manter o distanciamento não é difícil. O espaço tem 800 metros quadrados e dá uma média de duas pessoas por cada sala. Mas a ideia é que só entre uma de cada vez.

Os Pinheiro são a família no centro da narrativa.

“É uma história de grande impacto emocional, com clímax atrás de clímax, revelação atrás de revelação”, conta Michel Simeão. “O público será convidado a entrar num matadouro não só para assistir a uma assombrosa história de terror, mas também para ser desafiado em jogos de grupo, resolução de enigmas e testes de coragem com muita adrenalina à mistura”, já nos tinha dito anteriormente.

O elenco inclui 14 atores, que vão viajar de Lisboa para Leiria aos fins de semana — sendo que o elenco adicional também conta com atores locais. “O espaço foi-nos proposto pelo produtor Diogo Borges, que criou a produtora de eventos About Bliss [que fez uma parceria com o Teatro Reflexo para este projeto], que acompanhava o nosso trabalho como espectador e acabou por nos fazer esta proposta, porque teve a oportunidade de alugar um matadouro. Eu achei a ideia brilhante, trabalhar num matadouro não é algo que acontece todos os dias e para mim foi o passo perfeito depois de termos feito terror em palacetes e casas. O matadouro é um local com carga, é o tipo de local em que gosto de desenvolver projetos. E esta fase de produção está a ser uma aventura, até porque é um dos maiores espaços em que tivemos oportunidade de trabalhar.”

A equipa encomendou vários adereços “realistas” de Los Angeles, nos EUA, para serem usados no espetáculo — a ideia foi manter o ambiente característico de um matadouro, mas com um toque cenográfico especial. 

Todas as sextas-feiras e sábados há novas sessões pelo menos até ao final do mês de novembro, a começar entre as 21 horas e a meia-noite, de meia em meia hora — cada experiência dura cerca de uma hora. É possível que a temporada continue depois de novembro, se o feedback continuar a ser positivo e for possível tendo em conta as restrições da pandemia. Milhares de pessoas já compraram bilhetes.

A peça interativa é aconselhada para maiores de 16 anos e os bilhetes custam 16€. Podem ser reservados através do endereço de email reservas.casassombrada@nullgmail.com. Os interessados devem indicar dados como nome do responsável pela compra, número de ingressos pretendidos, contacto, localidade e três opções de horários que sejam preferenciais. Pode consultar mais informações na página de Facebook do projeto.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm
Novos talentos

AGENDA NiT