Teatro e exposições

O novo ponto cultural de Lisboa que também funciona como um estúdio de cinema

Atualmente tem em mostra uma exposição de Rita Sá, ao mesmo tempo que um dos criadores prepara um novo episódio de "The Sinner".
É um espaço de dois em um.

É em Marvila que se ergue um novo espaço cultural na capital. Querendo oferecer algo de diferente, e unindo assim dois dos seus gostos, a arquiteta Sandra Pires e o sound designer Roland Vajs, decidiram criar uma galeria de arte inserida dentro de um estúdio de pós-produção de cinema.

O 119 Marvila Studios está localizado numa zona que, quem por ali passar, nem adivinha que pertence. Isto porque a imagem que as estreitas ruas nos transmitem fazem-nos lembrar de zonas mais rurais. No entanto, era isso mesmo que procuravam: um espaço calmo e sem muitos barulhos de fundo.

Os 119 Marvila Studios estão localizados, mais especificamente, no número 119 da Rua de Marvila, em Lisboa, numa antiga tanoaria remodelada ao longo dos últimos dois anos e onde agora se encontram um estúdio de mistura de som, uma sala de edição de som e uma sala de correção de cor. Antes da reabilitação, o espaço costumava ser utilizado para a criação de pipas de vinhos. Anos mais tarde, durante os anos de Salazar, o atual estúdio e galeria de arte passou a ser apenas uma transportadora, onde lá dentro apenas existiam paredes.

Com esta mudança, os 119 Marvila Studios pretendem tornar-se num ponto de referência cultural da cidade, além da componente de pós-produção de cinema.

O espaço tem duas componentes.

O espaço apresenta-se não só como uma galeria de arte, mas também como um espaço polivalente onde vão ter lugar atuações ao vivo, exibições de filmes, workshops e seminários, entre outras iniciativas ainda por revelar.

Abriu a 30 de setembro, e já tem em mostra a sua primeira galeria de arte: “Marquise de Sá”, uma exposição criada por Rita de Sá e com curadoria de Sandra Pires. 

“Rita Sá apresenta nesta exposição um conjunto de obras com uma forte componente biográfica. Esta é a segunda exposição a solo de Rita Sá com curadoria de Sandra Pires, tendo a primeira sido em Nova Iorque em 2010 onde ambas residiam”, explicam.

A primeira artista do 119 Marvila Studios

Nascida em Lisboa em 1980, Rita Sá conclui o curso de belas artes na sua cidade natal, seguida do Mestrado em Arte digital na SVA School of Visual Arts em Nova Iorque.

A sua prática artística inclui animação digital, desenho e pintura, e o seu trabalho diz respeito a novas práticas sociais “à medida que as tentamos abraçar”, adiantam em comunicado.

Partindo dos primórdios das redes sociais até aos hackerspaces, dos emojis até à maternidade, o trabalho de Rita Sá é construído numa busca de interpretação de papéis e comportamentos sociais. Vive e trabalha em Lisboa e desde 2014 que tem dedicado grande parte do seu tempo aos seus três filhos.

A exposição da artista estará em mostra no novo espaço cultural de Lisboa até 31 de dezembro de 2021.

Uma das peças de Rita Sá.

Os responsáveis pelo espaço

Sandra Pires

Daqui surge toda a arquitetura presente no 119 Marvila Studios, com ajuda dos Amplo arquitectos, desde a escada em caracol até às paredes escuras que nos levam aos estúdios de som e à casa de máquinas.

Passou vários anos em Nova Iorque, visto que se tornou mestre em Urban Design na Universidade do Michigan. Em 2005 decidiu mudar-se para Nova Iorque, e foi lá que começou a ganhar prestígio dentro da sua área.

Na cidade, trabalhou para ateliers de arquitetura de renome como Zurita Architects, Gensler, SOM, e Estee Lauder Companies.

Enquanto lá viveu, iniciou com duas amigas com quem morava o 255Canal, uma galeria e espaço para eventos que funcionava a partir da sala de estar do seu loft no bairro de Soho, acolhendo regularmente exposições de arte, jantares temáticos, workshops e concertos, algo que fará também no novo espaço em Marvila (excetuando os jantares, pelo menos para já).

Roland Vajs

Se de Sandra veio o gosto para a arquitetura, é de Roland Vajs que vem a paixão pelo cinema.

Este designer de som sérvio trabalha atualmente entre três cidades e dois países: Nova Iorque e Los Angeles, nos Estados Unidos e, claro, Lisboa, em Portugal.

Uma das salas de pós-produção de cinema.

Já foi vencedor nos Emmys múltiplas vezes. Ganhou o Emmy de Melhor Edição de Som pelo seu trabalho em “Boardwalk Empire” e “The Night Of” da HBO e “Free Solo”, da National Geographic. Foi nomeado na mesma categoria em 2012, 2014 e 2015, graças ao seu trabalho em “Broadwalk”, mas foi em 2013 que saiu vitorioso.

Roland Vajs tem no seu currículo títulos como “Manchester by the Sea”, “Alex Strangelove”, “Listen”, “Sempre o Diabo”, “A Purga”, entre muitos outros. Atualmente, está a usar o estúdio para trabalhar em “The Sinner”.

Pode marcar a sua visita a este novo espaço através do email (production@null119marvilastudios.com).

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