Teatro e exposições

O operador florestal de Trás-os-Montes que brilhou como Mandalorian na Comic Con

Miguel Ribeiro tem 24 anos e no dia a dia trabalha para evitar incêndios. Dedica-se ao cosplay desde 2016, a sua grande paixão.
Interpretou o Mandalorian.

Mandalorian, Punisher Noir, soldado de “Stargate: Atlantis” e guarda imperial de “Warhammer”. Foi com estes quatro fatos impressionantes que Miguel Ribeiro, entusiasta português de cosplay, se apresentou na edição deste ano da Comic Con Portugal.

O evento decorreu entre quinta-feira, 9 de dezembro, e domingo, dia 12. Aconteceu, pela primeira vez, na zona do Parque das Nações. Como sempre, o cosplay é uma vertente essencial da convenção dedicada à cultura pop. A NiT já lhe mostrou alguns dos principais fatos que encontrámos pelo recinto.

Natural da zona de Murça, em Trás-os-Montes, Miguel Ribeiro cresceu a ver “Os Soldados da Fortuna”, “MacGyver” e filmes de Sylvester Stallone. Foram essas personagens, muitas vezes de mundos de fantasia (ou de recriações do nosso mundo), que sempre habitaram o seu imaginário.

Via imagens dos eventos internacionais onde se fazia cosplay, jogava jogos que eram fenómenos globais, e sempre reparou nos adereços e figurinos das personagens. “Depois soube que ia passar a existir a Comic Con Portugal”, conta à NiT. Embora só tenha conseguido ir dois anos depois, ainda na Exponor, em Matosinhos. “Quando acabei a escola, pude ir. Foi em 2016 e pensei que deveria fazer um cosplay.”

O primeiro fato que se propôs criar era de um Punisher, o super-herói da Marvel — a inspiração direta era do filme de 2004 protagonizado por Thomas Jane. Miguel Ribeiro conhecia uma ou duas pessoas que conheciam e acompanhavam a Comic Con, mas ninguém que fizesse cosplay. Foi através de um grupo de Facebook dedicado a esta arte que começou a trocar impressões e a conhecer pessoas deste universo.

O Mandalorian demorou dois ou três anos a construir.

“Estava a fazer um colete e pedi dicas. Depois, comecei a apanhar o gosto pela coisa e comecei a fazer mais vezes.” Depois da primeira Comic Con, fez cosplay na Lisboa Games Week, no Iberanime ou no Dia Mais Geek, entre outros eventos. Interpretou personagens como Gordon Freeman (“Half-Life”) ou Ash Williams (“Evil Dead”).

O que muitos podem não saber sobre o cosplay é que a grande maioria dos fatos são produzidos pelas próprias pessoas que os vestem. Miguel Ribeiro, que não tinha qualquer experiência na área, nunca aprendeu propriamente a costurar. Em vez disso, dedica-se à vertente das “armaduras”, construídas sobretudo com espuma EVA e outros materiais, como PVC.

Cerca 80 a 90 por cento das armaduras que usa foram construídas por si. Também compra tecidos, que considera parecidos com aquilo de que precisa, e adapta-os, transforma-os, molda-os até cumprirem o objetivo.

“A ideia é construir e depois poder representar a personagem. Agora conheço quase toda a gente, as amizades que fiz foi na Comic Con e noutros eventos também.”

O fato mais elaborado que fez até hoje foi o do Mandalorian, em homenagem à série da saga “Star Wars” que estreou em 2019 (e que pode ser vista na Disney+). Além de todos os detalhes que podemos observar no fato, instalou um sistema de luzes na armadura — nas luvas, no capacete e no colete. “Quando são LED, ligações simples, consigo trabalhar bem com elas.”

Miguel Ribeiro conta que, se juntar todas as horas que investiu neste fato, dá para dois ou três meses de vida. No total demorou entre dois a três anos a construir esta personagem. O jovem de 24 anos usa os tempos livres para se dedicar a esta paixão. Vive com os pais, que sempre o apoiaram nesta atividade, e tem “oito ou nove fatos” completos guardados em casa. Outros, por não estarem tão bem, acabam por ser transformados noutras coisas.

Trabalha como operador florestal há quatro anos, sobretudo na região de Trás-os-Montes. É responsável por limpar estradas, fazer trabalhos de manutenção nos postes de alta tensão e em matas, para evitar incêndios. Tirou o curso profissional de técnico de gestão ambiental.

Já deu alguns passos sérios no mundo do cosplay. Participou num anúncio publicitário da Fnac, ganhou prémios em eventos especializados e foi como convidado a outros tantos. Gostava de evoluir profissionalmente nesta área (que em Portugal ainda é reduzida), mas não sente essa pressão. “Se aparecer inscrevo-me, tento, mas é deixar as coisas fluir.”

Além disso, gostava de dar o passo seguinte e começar a usar os fatos que tem de uma forma mais física, em lutas coreografadas ou em equipas de stunts. O próximo fato, que está prestes a ficar concluído, é o de “Mad Max”, que irá apresentar na próxima grande convenção a que for (2022 é ainda um ano incerto no que toca aos eventos). Depois, quer dedicar-se a uma personagem do jogo “Metal Slug”. Até lá, pode acompanhar as criações de Miguel Ribeiro na sua página no Instagram.

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