Teatro e exposições

Precárias: o festival que celebra vidas marginalizadas viaja entre Lisboa e Paris

O foco do espetáculo são pessoas trans, queer, não-binárias e racializadas. Acontece entre 15 de março e 8 de junho.
Tita Maravilha é nome por trás do evento.

“Pobreza como sofisticação, tristeza como sofisticação, saudade como sofisticação”, cantam Tita Maravilha e Cigarra, da dupla brasileira Trypas Corassão, no tema “Lusho, elegância & sofisticação”. São versos como estes, que contam histórias de opressão e rejeição com uma dose de humor, que lançam o mote para o festival de performance contemporânea que vai viajar entre Lisboa e Paris.

O espetáculo “Precárias II: Festival de Performance” vai acontecer em cinco cidades, entre 15 de março e 8 de junho, com foco em comunidades marginalizadas. Em palco, o protagonismo vai ser atribuído a pessos trans, queer, não-binárias e racializadas.

Durante três meses, a programação vai incluir performances, DJ sets, workshops, festas, concertos e uma roda de conversa. Financiado pela DGArtes, a iniciativa está a ser realizada em parceria com espaços culturais locais e vai aliar o teatro, a dança e a música para celebrar a existência de quem resiste ao preconceito.  

O festival arranca nos dias 15 e 16 de março, em Lisboa, no número 6 da rua das Gaivotas, pelo Teatro Cão Solteiro e pelo bar Damas. Seguem-se passagens por Montemor-o-Novo, pelo Porto e Viseu, a 24 de abril, com uma performance, um concerto e uma festa no Teatro Viriato, para comemorar o Dia da Liberdade.

A grande novidade do festival Precárias, que aconteceu pela primeira vez em 2022, é a internacionalização da residência artística. Entre 20 e 30 de março, a organização vai levar estas histórias para Paris, em França. Toda a programação do evento pode ser consultada online, com bilhetes à venda a partir dos 8€.

“O PII:FP é um projeto de criação intercultural e comunitário, focado em determinados corpos-identidades”, pode ler-se no site oficial do evento. “Dedica-se à criação de narrativas alternativas que potencializam a performance contemporânea, com modus operandi na alçada da precariedade destas histórias em transformação.”

Por trás do festival, está Tita Maravilha. A criativa, que trocou o Brasil por Portugal em 2019, destaca-se enquanto artista multifacetada: trabalha como atriz, bailarina, drag queen, palhaça, DJ e Cantora. É também ela uma das vozes das Trypas Corrasão, em conjunto com a produtora Cigarra — e cujos versos há muito falam sobre “mulheridades” e questões raciais.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT