Teatro e exposições

Rita passou um ano a construir este fato incrível que exibiu na Comic Con Portugal

Tem 25 anos e faz design de aplicações. Nos tempos livres, a sua grande paixão é o cosplay.
Rita Tavares a vestir-se como Brigitte, de "Overwatch".

Entre as muitas pessoas que se vestiram a rigor para participar na Comic Con Portugal enquanto cosplayers, encontrámos Rita Tavares. Era fácil dar com ela — afinal, esta jovem mulher de 25 anos tinha uma enorme armadura que chamava a atenção.

No sábado, 11 de dezembro, estava a interpretar Brigitte, personagem do videojogo “Overwatch”. Foi um fato que demorou cerca de um ano a construir, e que ao longo dos tempos foi algo de pequenas alterações. Mostrou-o pela primeira vez no Iberanime de 2019, antes de passar no Lisboa Games Week e também esteve no Moche XL.

Rita Tavares entrou neste universo precisamente no início desse ano. “A minha melhor amiga já fazia cosplay há uns anos e gosta de participar nos concursos. Mas não tinha ninguém para ir com ela. E pensei: bem, agora estou a trabalhar, tenho mais tempo livre — porque quando estamos na faculdade e afins todo o tempo livre é para os trabalhos —, então pensei que não me importava, se ela me ajudasse a começar, se me explicasse do que precisava e como é que fazia. Foi o que fez”, explica Rita à NiT. “Sempre achei muito giro e também queria.”

Com a ajuda da amiga, Inês Lopes (Kasti Valo no mundo do cosplay), começou a usar espuma EVA para moldar e montar adereços. Assim começou a construir Brigitte, o seu primeiro fato — que ainda é um dos seus principais destaques.

“Como gostei de fazer o fato, e apesar de a minha amiga não ter acabado o que estava a fazer — porque entretanto entrou na faculdade e deixou de ter tanto tempo —, quis fazer mais.”

Criou um fato de Saber Alter de “Fate/Stay Night” e outro de Diane de “Seven Deadly Sins”. Entretanto, como outras pessoas repararam no seu talento para fazer estes disfarces, começou a aceitar trabalhos por encomenda. Fez um escudo do Capitão América, por exemplo, e está a trabalhar numa personagem de “Naruto”.

Assume-se como “perfecionista e cada vez mais picuinhas” e quer muito aperfeiçoar a vertente da costura. “Se não ficar satisfeita com uma coisinha, faço tudo outra vez.” Rita Tavares diz que usa os tempos livres para se dedicar quase inteiramente a esta paixão. “Trabalho das oito às cinco e quando saio começo logo a trabalhar nas comissões. Depois ainda arranjo algum tempo para fazer desporto, mas sempre que tenho tempo livre dedico-o aos fatos.”

Parte essencial do cosplay, além da construção dos disfarces, é mostrá-los e até interpretar, de certa forma, as personagens nos eventos. Contudo, Rita Tavares prefere a parte da construção — daí também gostar de construir fatos para outras pessoas usarem.

Pelo mesmo motivo, só participou ainda num concurso — onde muitas vezes os concorrentes têm de apresentar toda uma performance, além de apresentarem o fato. 

“Gosto mais da parte da construção, de montar as peças, de pintar. Quando visto aquilo tudo já estou cansada e a pensar quando é que vou tirar [risos]. Mas pronto, como as pessoas reagem bem, acabo por ficar contente, apesar de estar a sofrer aguento mais um bocadinho porque a reação das pessoas é mesmo muito boa.”

“Participei num concurso pequeno num evento reduzido, mas não me correu muito bem porque sempre fui muito nervosa… Esqueço-me das coisas. Fiz patinagem artística durante dez anos, tinha muitas competições e provas, e houve um esquema que treinei durante dois anos — cheguei lá e esqueci-me. A minha mente ficou em branco, estava uma pilha de nervos”, conta. “Para mim não dá, porque gosto é de fazer o fato, não de fazer a performance.” Talvez participe em mais concursos quando a melhor amiga dela regressar ao cosplay e tiver mais tempo. “Mas sozinha não me atrevo [risos].”

Rita Tavares dedica-se ao cosplay há quase três anos.

Apesar de adorar esta arte não se vê a profissionalizar-se completamente. “Gosto muito do meu trabalho, não vou muito por aí além no cosplay. Prefiro que fique só como hobbie. Tenho que me ocupar e ajudou imenso na pandemia ter um projeto assim, porque estávamos todos um bocadinho mal nessa altura… Portanto agradeço que o cosplay me tenha salvo um bocadinho. É uma maneira de me distrair e de me divertir. Mas não faria a tempo inteiro.”

Rita Tavares, que vive no Seixal, estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes — embora tenha optado logo por cadeiras com uma vertente mais digital. “Tenho uma tia na área que sempre me disse que web design tem saída. Então tentei ir por aí e fiz algum app design e foi assim que entrei na empresa onde estou há três anos.” Desde janeiro que é product manager desta empresa que faz design de aplicações para iOS.

A cosplayer conta-nos que esta arte “começou por ser uma coisa estranha” para a família. “Mas quando viram a Brigitte completa acharam que era uma obra artística. E fartaram-se de elogiar. A minha mãe agora já pede fotos para mostrar às amigas todas do trabalho os fatos que faço [risos]. Antes de verem tudo concretizado achavam estranho. Mas agora já apoiam e estão sempre a pedir fotografias.”

Leia também a história de Miguel Ribeiro, operador florestal de Trás-os-Montes que brilhou como Mandalorian na Comic Con Portugal. E carregue na galeria para conhecer outros dos cosplayers que encontrámos pelo recinto.

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