Teatro e exposições

Vai ser inaugurada uma instalação que questiona os Descobrimentos e lembra a escravatura

“O Barco/The Boat” é uma enorme peça de Grada Kilomba que estará junto do MAAT, na zona ribeirinha de Lisboa.
É um projeto do MAAT.

Chama-se “O Barco/The Boat”, vai ser inaugurada na sexta-feira, 3 de setembro, e trata-se de uma instalação artística que vai estar junto do MAAT, na zona de Belém, em Lisboa, até 17 de outubro. É um projeto da artista Grada Kilomba, nascida na capital portuguesa, com raízes em Angola e São Tomé e Príncipe.

“O Barco/The Boat” é composta por 140 blocos, “que formam a silhueta do fundo de uma nau e desenham minuciosamente o espaço criado para acomodar os corpos de milhões de africanos, escravizados pelos impérios europeus. No imaginário ocidental, um barco é facilmente associado à glória, liberdade e expansão marítima, descrita como ‘descoberta’ mas, na visão da artista, ‘um continente com milhões de pessoas não pode ser descoberto’ nem ‘um dos mais longos e horrendos capítulos da humanidade – a Escravatura – pode ser apagado’”, descreve o museu.

Grada Kilomba é escritora, artista e psicóloga.

“Esta primeira instalação de grande escala de Grada Kilomba, que se estende junto ao Tejo por 32 metros de comprimento, convida o público a entrar num jardim da memória, no qual poemas descansam sobre blocos de madeira queimada, recordando histórias e identidades esquecidas. Que histórias são contadas? Onde são contadas? Como são contadas? E contadas por quem? São questões que se colocam ao entrar nesta instalação”, acrescenta o MAAT, sobre esta peça que também está integrada no programa cultural da autarquia Lisboa na Rua.

A obra vai ser inaugurada com uma performance de Grada Kilomba, em três atos, na qual várias gerações das comunidades afrodescendentes são as intérpretes centrais. Conta com produção musical de Kalaf Epalanga, escritor e músico pertencente aos Buraka Som Sistema. Conheça as datas e horários das performances no site do MAAT. É uma comissão e produção da BoCA – Biennial of Contemporary Arts.

Imagem ilustrativa da peça.

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