Televisão

10 anos depois, há um novo documentário sobre a vida (e morte) de Amy Winehouse

Narrado pela mãe, inclui imagens inéditas e a defesa das críticas por parte dos pais.
Amy com a mãe

O documentário de 2015 de Asif Kapadia prometia ser o derradeiro testamento à curta vida e carreira de Amy Winehouse. Foi um sucesso entre os críticos, não tanto entre os pais da artista.

Mitchell Winehouse, o pai, sofreu um colapso após a estreia. Segundo o “The Telegraph”, terá sentido que a edição das suas cenas o caracterizou como “ganancioso e desinteressado”, além de o fazer parecer pouco preocupado com os problemas da filha.

O novo documentário, que estreia 10 anos depois da morte da cantora britânica, pretende corrigir essas imprecisões — e revelar novos detalhes da vida de Amy, contados pelos amigos mais próximos, pelos pais e narrado pela mãe.

“Reclaiming Amy” é uma produção da “BBC” e será transmitido esta sexta-feira, 24 de julho. Não se sabe quando poderá ser visto em Portugal.

Janis Winehouse-Collins é o ponto central do documentário. Além de narrar toda a história, empresta também o seu ponto de vista pessoal sobre a fama, os momentos felizes e os mais obscuros. Inclui também imagens nunca antes vistas, bem como entrevistas com quem a conheceu de perto.

Diagnosticada com esclerose múltipla ainda antes da morte da filha, Winehouse-Collins tem-se resguardado da imprensa, pelo menos até agora. “Dentro de portas estávamos todos a tentar lidar com o poder do seu vício. E à medida que a sua saúde piorou, a minha doença avançou. Não a conseguia ajudar”, confessa a mãe. 

“É agora, ao olhar para trás, que damos conta do quão pouco sabíamos”, nota. “Ela ela propensa à adição, não se conseguia conter.” Amy Winehouse tinha um problema com drogas e álcool. Foi este último que a matou aos 27 anos, a 23 de julho de 2011.

Winehouse-Collins chegou a revelar o seu lado da história no livro de 2014, “Loving Amy: A Mother’s Story”. O problema é que a doença impede-a cada vez mais de se defender das críticas. “Ela já não é tão eloquente quanto era. Não vai voltar a ter outra oportunidade de dizer o que tem para dizer”, nota o novo marido, Richard Collins.

É de Janis que chega também o relato que tenta esmorecer o retrato pintado por “Amy” do pai. Recorda o dia em que Mitchell foi forçado a ir à morgue identificar o corpo da filha. “[Se não houvesse um vidro a separá-los], o Mitch te-se-ia atirado para cima da maca”, recorda.

“Olho para trás e há muitas coisas que desejava ter feito de forma diferente”, explica o próprio Mitchell. “Mas não era possível dizer [à Amy] o que devia ou não fazer. Ninguém a controlava. Ela é que mandava.”

Quem sai em defesa dos pais é Charlie Russell, produtor executivo de “Reclaiming Amy”. “Estamos todos muito habituados a julgar os outros não estamos?”, revelou ao “The Telegraph”.

“A perceção é que a Janis e o Mitch tinham a responsabilidade de saber navegar na indústria da música, da fama, dos media, de controlar aquele sucesso todo. Foram julgados de forma injusta por tirarem prazer [da fama da filha]. Não gostaríamos todos de estar no papel deles, de desfrutar do sucesso dos nossos filhos?”

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