Televisão

7 coisas que descobrimos com o documentário de “La Casa de Papel”

Estreou na Netflix no mesmo dia que a quarta temporada e revela histórias de bastidores e curiosidades sobre a série espanhola.
Esta cena demorou bastante a ser gravada.

Foi a 3 de abril que chegou à Netflix a quarta parte de “La Casa de Papel”, a série espanhola que se tornou um sucesso global. No mesmo dia estreou na plataforma de streaming o documentário “La Casa de Papel: El Fenómeno”.

O filme, que dura quase uma hora, mostra como a produção teve algum sucesso em Espanha na primeira temporada, mas que as audiências caíram na segunda, o que levou a que o projeto estivesse pela beira da morte — havia uma enorme aura de pessimismo entre os atores e a equipa técnica naquela altura.

De repente, a Netflix adquiriu os direitos das duas primeiras temporadas para as acrescentar ao seu catálogo em todo o mundo. Sem quaisquer campanhas publicitárias nem promoção, a série começou a ser vista de forma orgânica por milhões de pessoas espalhadas pelo planeta, sobretudo na Europa e América latina, passando de boca em boca nas sugestões entre amigos.

Em poucas semanas, os atores, que eram apenas conhecidos em Espanha, tornaram-se estrelas mundiais com milhões de seguidores nas redes sociais. Tornou-se no conteúdo não falado em inglês mais visto de sempre na Netflix — e líder absoluto em vários mercados importantes. Posto isso, a plataforma de streaming comprou o projeto para produzir mais temporadas com a mesma equipa e elenco e dar seguimento à história. A partir daí, o orçamento aumentou exponencialmente e as condições para as filmagens também.

O documentário “La Casa de Papel: El Fenómeno” acompanha as gravações da terceira e quarta parte e, como o título sugere, foca-se nos elementos que foram fulcrais para que “La Casa de Papel” se tornasse um “fenómeno” global de popularidade. Estas são algumas das coisas que aprendemos depois de assistirmos à produção.

Tóquio foi o primeiro nome a ser escolhido

Uma das personagens mais importantes de “La Casa de Papel” e a narradora da história foi quem teve o primeiro nome de cidade a ser escolhido. Falamos, claro, de Tóquio. Como sabemos, todos os membros do grupo de El Profesor têm nomes de código de cidades. O nome de Tóquio, porém, surgiu de uma forma muito natural. O argumentista e produtor Álex Pina tinha uma camisola vestida com o nome da capital do Japão e ficou assim decidido. Até porque a atriz Úrsula Corberó era fã da cidade.

O guião é escrito muito em cima das filmagens

Na narrativa, tudo pode mudar de repente no plano de El Profesor se as coisas não correrem como esperado. A qualquer momento, o plano pode ser alterado. Isso também acontece no guião da série, porque os argumentistas decidem o rumo da história bastante em cima das filmagens. É um fator stressante para todos, sobretudo para os atores, mas permite que se aposte nos melhores caminhos ao longo do enredo (depois de verem certas cenas gravadas) e ajuda a que o argumento seja mais imprevisível.

Os atores tiveram de gravar algumas cenas rodeados de fãs

A terceira e quarta parte de “La Casa de Papel” incluiu gravações em vários locais internacionais, incluindo, por exemplo, a Tailândia, ou a cidade italiana de Florença. Foi nesta última que uma simples cena de flashback com El Profesor e Berlín se tornou bastante mais complicada por causa da presença de quatro mil fãs da série, que estavam a ocupar a praça e a assistir às filmagens. Como admitem no documentário, tiveram alguma dificuldade em concentrar-se, mas os atores acabaram por sair a agradecer a presença do público e o respetivo carinho. Apesar de ter sido difícil escaparem às fotos e autógrafos: a dado momento tiveram mesmo de se refugiar num edifício histórico para conseguirem prosseguir o seu trabalho.

Quando as coisas correm mal, é preciso improvisar

Não é só na narrativa da série que existem imprevistos e soluções engenhosas inventadas em cima da hora. Na própria produção isso também acontece. Uma das cenas que nos demonstraram isso no documentário foi aquela em que o cofre onde estão guardadas as barras de ouro é inundado com água. Essa cena teve de ser gravada num estúdio em Londres, no Reino Unido, preparado para o efeito. Só que as estantes começaram a enferrujar e as falsas barras de ouro, feitas de espuma, perderam o formato suposto por causa da pressão aquática. Resultado: foi preciso refazer na perfeição milhares de barras de ouro durante aquela cena, num enorme (e desgastante) trabalho de pós-produção digital.

A cena no navio com a bandeira de Portugal

Na terceira temporada, vemos El Profesor e companhia num navio com a bandeira portuguesa. O grupo está feliz por estar em águas internacionais, no inverno europeu, mas na verdade aquela cena foi gravada num verão escaldante de 42 graus a bordo de um barco na Tailândia. Foi uma cena extremamente difícil: os atores não podiam suar demasiado, o cabelo e a maquilhagem tinham de bater certo, e as roupas eram quentes, o que não ajudava nada. Vários atores sentiram-se mal durante aquelas horas, algo que é visível nas imagens do documentário.

A cena mais difícil para a equipa de produção: a chuva de notas em Madrid

A cena épica em que o grupo de “atracadores” larga nos céus de Madrid centenas de milhões de euros foi a mais desafiante de toda a série. Tiveram de encerrar várias ruas da capital espanhola ao público, e por isso o tempo era limitado. As enormes ventoinhas sugaram algumas das notas (falsas) e a chuva não ajudou. Quase destruía tudo. Além disso, alguns dos ecrãs publicitários daquela praça não estiveram desligados durante todo o tempo em que era necessário.

A iconografia da série foi essencial para o sucesso

São muitos os símbolos que “La Casa de Papel” apresentou aos fãs desde o início. Elementos como a cor vermelha (dos macacões, que é realçada na correção de cor e na composição dos cenários) e as máscaras de Salvador Dalí tornaram-se virais em todo o mundo, seja no Carnaval do Rio de Janeiro, no Brasil, num assalto a um banco no Chile, ou numa manifestação de ativistas no Médio Oriente. “Bella Ciao”, canção resgatada à resistência antifascista italiana, tornou-se ainda um hino.

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