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A guerra no streaming: Netflix perde subscritores pela primeira vez em mais de 10 anos

O futuro também não parece promissor — a plataforma estima perder dois milhões de clientes no próximo trimestre.
Notícias não são as melhores.

Após uma década marcada pelos sucessivos aumentos do número de assinantes, as más notícias bateram à porta da Netflix. No primeiro trimestre de 2022, e pela primeira vez em dez anos, a plataforma de streaming perdeu subscritores — 200 mil para ser exatos, um número muito abaixo dos 2,73 milhões de novos clientes esperados, de acordo com as estimativas da StreetAccount. Por comparação, durante o mesmo período, há um ano, adicionou 3,98 milhões de utilizadores pagos.

“O nosso crescimento de receitas abrandou consideravelmente”, escreveu a empresa numa carta aos acionistas nesta terça-feira, 18 de abril, citada pela “CNBC”. Acrescentou: “o streaming está a ganhar linearmente, como previmos, e os títulos da Netflix são muito populares a nível mundial. Contudo, a nossa penetração relativamente elevada nas famílias — quando se inclui o grande número de lares que partilham contas — combinada com a concorrência, estão a criar ventos contrários ao crescimento das receitas”.

A plataforma estima que, para além dos 222 milhões de famílias pagantes, o serviço esteja a ser partilhado com mais de 100 milhões de famílias adicionais através da divisão de contas.

Numa tentativa de combater as perdas, a plataforma já testou uma funcionalidade que pretende travar a partilha de passwords. Assim, muitos utilizadores que tentaram ver uma série ou filme na conta de outra pessoa — e que foram identificados pela localização — receberam uma mensagem na plataforma. “Se não vives com o utilizador desta conta, precisas da tua própria conta para continuar a ver”, apareceu escrito.

Na altura, um representante da empresa disse à revista “The Hollywood Reporter” que “o teste foi pensado para garantir que as pessoas que usam contas da Netflix estão autorizadas a fazê-lo”. Mais do que a partilha entre amigos, argumentou, o objetivo é assegurar que não há piratas informáticos a aceder aos perfis dos utilizadores de forma ilegal.

Mais recentemente, a plataforma lançou um serviço que permite, efetivamente, a utilização partilhada do serviço, mas com um preço mais elevado, em três mercados latinos: Peru, Chile e Costa Rica. Segundo a “Variety”, esta nova funcionalidade possibilita que com o mesmo login seja possível continuar a ver os conteúdos em localizações distintas. Em média, adicionar um novo utilizador custa 2,65€. É o que está a ser cobrado nestes três países onde a modalidade passou a estar disponível.

A concorrência crescente, com as empresas de entretenimento tradicionais a lançarem serviços de streaming, é outra das razões apontada pela Netflix para justificar o crescimento estagnado dos subscritores, assim com a invasão da Rússia à Ucrânia.

Para aumentar a quota no mercado, a empresa tem apostado na diversificação dos conteúdos e, particularmente, na produção de originais. Para financiar as novas séries e filmes os valores cobrados aos subscritores acabam por ser mais elevados. A empresa diz que estas alterações de preços estão a ajudar a reforçar as receitas, mas foram parcialmente responsáveis pela perda de 600 mil assinantes nos EUA e no Canadá durante o último trimestre.

O futuro da plataforma de streaming também não se avizinha promissor — a empresa estima ficar sem dois milhões de subscritores no segundo trimestre do ano. As ações da Netflix já caíram 25 por cento desde o início de 2022.

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