Pelé, ditadura militar e uma das melhores equipas de futebol de sempre. A Netflix acaba de estrear uma nova série sobre um dos capítulos mais marcantes da história da modalidade. “Brasil 70: A Terceira Estrela” chegou à plataforma esta sexta-feira, 29 de maio, e promete mostrar muito mais do que aquilo que aconteceu dentro das quatro linhas.
Com cinco episódios, a produção recria a caminhada da seleção brasileira rumo ao Mundial de 1970, disputado no México. Liderada por Pelé, a equipa acabaria por conquistar o terceiro título mundial da sua história e tornar-se uma das formações mais icónicas de sempre, graças a jogadores como Gérson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Carlos Alberto.
Mas a série não se limita aos golos e às vitórias. A narrativa explora também os bastidores políticos da época, numa altura em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar e atravessava um período de forte instabilidade social.
A realização ficou a cargo de Paulo Morelli, conhecido por “Cidade dos Homens”, e do filho Pedro Morelli, responsável pela série “DNA do Crime”. No elenco, Lucas Agrícola interpreta Pelé, enquanto Rodrigo Santoro e Bruno Mazzeo dão vida aos treinadores João Saldanha e Zagallo.
Em entrevista à “Deadline”, Paulo Morelli explicou que um dos principais objetivos foi aproximar o público da experiência vivida pelos jogadores durante o torneio. “Queríamos colocar as pessoas dentro das emoções que os jogadores sentiam quando estavam a jogar”, afirmou o realizador.
Segundo Morelli, a série procura mostrar não apenas os jogos, mas também as pressões, os medos e as tensões vividas pela equipa. “Quando chegamos a um lance em que Pelé está prestes a receber um passe, o espectador já está emocionalmente ligado a ele, já sabe o que lhe vai na cabeça e sente-se ao lado dele”, acrescentou.
Para conseguir esse efeito, a produção recorreu a uma combinação entre recriações com atores e um enorme trabalho de efeitos visuais. Pedro Morelli revelou à publicação norte-americana que a série conta com cerca de 1300 planos de efeitos especiais. “Acho que cumprimos a missão de colocar a câmara dentro do campo e o público ao lado de Pelé, Gérson, Rivelino e daqueles jogadores extraordinários dos anos 70”, explicou.
As gravações decorreram entre o Brasil e o México, país que recebeu o Mundial original. Embora os resultados dos jogos sejam conhecidos, os diálogos e muitas das conversas de balneário foram recriados a partir de investigação histórica e interpretação dramática.
Outro dos desafios passou por encontrar o ator ideal para interpretar Pelé. Em vez de escolher um nome conhecido da televisão brasileira, a produção apostou em Lucas Agrícola, que nunca tinha representado profissionalmente.
“Ele é muito parecido com Pelé e jogou futebol durante grande parte da vida, mas nunca tinha sido ator. Tivemos muitos ensaios, acompanhamento e preparação durante meses”, revelou Pedro Morelli à “Deadline”. “Mas encontrámos a pessoa certa.”
A série procura também retratar o ambiente vivido no Brasil durante aqueles anos. Segundo Paulo Morelli, a conquista do Mundial teve um impacto muito para além do futebol.
“A nossa história mostra o estado de espírito do país naquela época. Vivíamos sob uma ditadura e os brasileiros tinham perdido a confiança no país e na seleção. Quando conquistámos o Mundial, as pessoas voltaram a acreditar nelas próprias. Foi algo muito positivo para todo o país”, explicou.
O lançamento surge poucos dias antes do início do Mundial de futebol 2026, que arranca a 11 de junho. Pedro Morelli admite que espera que a atual seleção brasileira encontre inspiração naquela equipa histórica. “Sempre soubemos que a série ia estrear antes do Mundial. Sabemos que atravessamos um momento difícil, mas um dos nossos objetivos era inspirar os jogadores.”
No fundo, “Brasil 70: A Terceira Estrela” é tanto uma série sobre futebol como sobre identidade nacional.
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