Televisão

“A Máscara” é uma espécie de “Big Show SIC” dos tempos modernos

Entre pistas e palpites, o humorista Miguel Lambertini analisou o último episódio do programa SIC e aponta para Maria Vieira.
Só não falem na Popota

“A Máscara” regressou à SIC este domingo, 19 de dezembro, para a terceira temporada de um programa que tem despertado o Sherlock que há em nós. Pensando bem, o formato é uma espécie de “Big Show SIC” dos tempos modernos. É que já nos anos 90, semana após semana, todos tentávamos descobrir quem se escondia atrás do disfarce do Macaco Adriano. As más línguas juravam que se tratava de Maria Vieira, mas eu nunca acreditei nessa teoria disparatada.

Na mais recente temporada, as máscaras continuam a esconder as identidades de várias figuras públicas, e apesar de alguns disfarces repetentes, há outros que se estreiam, como é o caso da Popota. Por falar nisso, já falta pouco para o dia 25 de dezembro e a única coisa boa que esta pandemia gerou foi que, mais uma vez, consegui safar-me de praticamente todos os jantares de Natal.

É uma praga que geralmente começa em novembro e que me dá urticária, só de pensar nisso. Vamos ficando ali nos grupos de WhatsApp a ver se ninguém se lembra e, de repente, lá aparece a temida notificação: “Teresa alterou o nome do grupo para Jantarada de Natal”. Todos temos um amigo cuja função é ser o elfo dos jantares de Natal. O meu é a Teresa. Tem um excel em casa com todos os jantares que organiza.

“Ora bem, dia 19, é a Tasquinha com a malta do Padel. A Carolina vai ser mãe, por isso já não vai. Não vai porque eu não quero, com aquela cara e é mãe antes de mim…era o ias”. Depois nunca pode falhar o jogo do amigo secreto, em que há sempre alguém que quer saber quem são os amigos secretos dos outros. No meu caso é o Ricardo: “Diz lá o teu, diz lá, olha o meu é o Jorge”. Isto é malta que tem problemas com os nomes dos jogos, chama-se secreto por alguma razão. São pessoas que a hoje em dia a jogar à apanhada, fazem tudo para ficar no coito. E depois os presentes têm aquele valor limite, mas há sempre alguém que acha que mais que um porta-chaves da loja dos chineses já é estar a dar demasiada importância ao tipo dos recursos humanos.

No extremo oposto há sempre quem se queira evidenciar e marque a escritura de uma casa em Portimão para o amigo secreto ir passar férias em time-sharing, quando lhe dizem que o limite são 5€. Ora por 5€, o que é que uma pessoa compra? Exatamente, só porcarias que não interessam a ninguém. É aquele tipo de presente que quando recebemos olhamos para aquilo e ficamos logo a pensar: “Se eu não estragar a caixa ainda consigo oferecer isto no jantar da Teresa”.

Mas voltando à “Máscara”: além dos disfarces que fazem o sonho de qualquer folião do carnaval de Torres, mantém-se inalterado o grupo de jurados que são, de longe, os melhores da televisão portuguesa. Apesar de serem péssimos no que toca a identificar sotaques, como se percebeu na revelação da identidade do Cachorro Quente.

Depois daquele momento exasperante de três horas em que aguardamos que a pessoa tire o capacete para revelar quem é, ficámos a saber que a salsicha sorridente era Jorge Fonseca, o judoca português, campeão do mundo. Houve duas outras revelações, a Popota e o Camaleão.

A mascote do Continente — que escondia a atriz Sofia Arruda — aguentou-se pouco tempo, o que já era de esperar porque nesta altura do Natal deve estar uma azáfama das grandes no mundo encantado dos brinquedos e a Leopoldina tem ar de ser uma dondoca que não dá conta do recado.

Já por detrás do Camaleão estava uma grande surpresa e um senador da televisão e rádio: o extraordinário Carlos Ribeiro. Um mestre na arte de fazer televisão e um profissional que faz falta no pequeno ecrã.

Este domingo à noite conhecemos também as máscaras do Esqueleto, que não tenho a menor pista sobre quem possa ser mas mexe-se bem e não precisa de Calcitrim; do Gafanhoto, que pela descrição fiquei inclinado para a possibilidade de ser a Lúcia Moniz; da Rainha de Copas, que também não faço ideia quem seja mas adorava que fosse a mulher do D. Duarte Pio; o Galo, que tem um vozeirão igual ao do Tim dos Xutos mas que Jorge Corrula desconfia que possa ser uma mulher, o que é tão plausível como um universitário de 18 anos vestido de Pai Natal que trata as crianças por “meu puto”.

E finalmente o Cato, um disfarce muito querido que dança maravilhosamente e pela estatura eu desconfio que, das duas uma, ou é o meu amigo Tiago Castro ou é o Miguel Costa. Não sendo nenhum dos dois, então só pode ser a Maria Vieira, óbvio. Bom Natal, parrachitas.

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