Televisão

Nova série da Netflix conta a história do catastrófico Woodstock de 1999

O ambiente de paz e amor do festival original foi substituído por motins, lutas, violações e poças de excrementos.
O infame evento já faz parte da história.

Quando pensamos no histórico festival Woodstock, imaginamos flores, vestidos fluidos, um ambiente de paz e amor e milhares de hippies, não tivesse o evento original decorrido no final dos anos 60. Esta perceção é real, mas apenas se aplica verdadeiramente à edição de 1969. 30 anos depois, a organização voltou a apostar neste conceito, mas o ambiente feliz foi substituído por conflitos, motins e violações. Um caos.

Há cerca de um ano, a HBO lançou um documentário sobre este festival catastrófico. Desta vez, foi a Netflix que apostou no Woodstock de 1999, com o lançamento de “Fiasco Total: Woodstock 99”, que chegou à plataforma esta quarta-feira, 3 de agosto.

“O Woodstock é suposto ser sinónimo de paz, amor e boa música. Mas em 1999, o tão aguardado regresso do festival acabou em caos com fogos, motins e alegações de abuso sexual”, explica Tom Pearson, o produtor, num comunicado.

A série documental de três episódios conta com entrevistas a vários dos intervenientes do festival. Entre os convidados podemos destacar Jonathan Davis, da banda Korn; Jewel; Fatboy Slim; Gavin Rossdale, dos Bush; e Michael Lang, organizador do evento que faleceu em janeiro deste ano.

O cartaz do festival de quatro dias teve nomes como Limp Bizkit, Rage Against The Machine, George Clinton, Jamiroquai, James Brown, Clown Posse, Sevendust, DMX, Sheryl Crow e The Tragically Hip. Segundo o que o produtor da série explicou, o tipo de música pode ter contribuído para levar as pessoas à insanidade, pelo simples facto de ser “música mais agressiva”.

Também pode ter sido um efeito da sociedade disfuncional do final dos anos 90, influenciada pelos jovens que apenas queriam festa, não estando no festival pela atmosfera de paz que tinha marcado a edição que decorrera 30 anos antes. “Ou, então, o resultado inevitável da exploração comercial por parte dos organizadores”, diz Tom Pearson. Os bilhetes custavam mais de 150€, as garrafas de água chegavam a custar 4€ e uma única fatia de pizza ficava acima dos 7€.

No mercado negro vendiam-se inúmeras pulseiras falsas. Eram tantas que era impossível serem todas verificadas à entrada, e um recinto no estado de Nova Iorque que apenas podia receber 200 mil pessoas acabou por acolher muito mais que isso.

O Woodstock trocou os campos de terra pelo piso alcatroado. Podíamos pensar que era uma melhoria, mas essa escolha por parte da organização apenas trouxe situações desastrosas.

As temperaturas rondavam os 37 graus, um clima quente demais para um local onde as pessoas mal se conseguiam mexer. As fontes de água gratuitas não conseguiam matar a sede de todos os que lá estavam, e, ao longo dos quatro dias, registaram-se mais de 700 casos de desidratação que obrigaram a intervenção médica.

Os jornalistas que lá estiveram presentes confirmaram que as condições disponibilizadas eram precárias, tudo em prol da poupança monetária. Além de terem contratado poucos empregados e seguranças, havia poucas casas de banho portáteis e zonas indicadas para duches. Ao fim do primeiro dia, as casas de banho já transbordavam e não podiam ser utilizadas. Ao seu redor apareceram lagos de urina e excrementos. Os visitantes, ainda à procura de alguma diversão, divertiam-se ali, achando que se tratava de lama.

Durante os concertos podíamos esperar que deixassem todas estas preocupações de lado e que se unissem a ouvir os artistas que subiam aos palcos. Mas os próprios artistas mostraram ser os impulsionadores de inúmeros conflitos. No final do festival, contabilizaram-se 10 mil feridos.

Os moshpits violentos, as más condições do festival e as dezenas de alegações de violação serão abordados ao longo dos três episódios de “Fiasco Total: Woodstock 99”, que conta com cerca de duas horas e 20 minutos de duração.

Carregue na galeria e conheça outras novidades da Netflix (e não só).

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