Televisão

A série mais deliciosa da televisão está de volta à Netflix — e só traz pizzas

“Chef's Table” está de volta ao fim de dois anos de ausência com uma temporada apenas dedicada à especialidade italiana.
Prepare-se para ficar com fome

Quando, em 2015, a série documental criada por David Gelb fez a sua estreia na televisão, tornou-se num sucesso estrondoso. Ao som de um pequeno segmento de “As Quatro Estações” de Vivaldi, a mais fotogénica comida do planeta é preparada em alta-definição e em planos magníficos, para nos criar a mais urgente sensação de água na boca.

Se a comida é o ponto de partida, o coração da série documental que vai para a sua nona temporada — lançou seis volumes principais e três temporadas temáticas, uma focada em França, outra em Pastelaria e a mais recente, em 2020, apenas sobre barbecue — é mesmo o chef e cozinheiro que, em cada episódio, revela toda a sua inspiração.

“Estamos à procura da jornada do herói”, revelou em 2016 o produtor-executivo, David Gelb, que se mantém ao leme da produção que, esta quarta-feira, regressa com uma temporada de seis episódios, focada total e exclusivamente nas pizzas — e, claro, nas pessoas que as fazem.

O sucesso da série define-se facilmente com um dado: é a mais longa produção original da Netflix ainda em curso, em qualquer dos géneros que disponibiliza. Que as imagens irão estar recheadas de belas, rechonchudas e coloridas pizzas, é um dado adquirido. Mas por detrás das criações, há vários nomes a reter.

Desde logo, o de Chris Bianco, o norte-americano de sangue italiano, que se estabeleceu em Phoenix, no Arizona, para criar a Pizzeria Bianco, que produz algumas das pizzas mais conceituadas do país. “Não há grande mistério na pizza. Orégão siciliano, farinha orgânica, tomates San Marzano, água purificada, mozzarella caseira, sal, fermento e um bocadinho da massa feita no dia anterior”, frisa.

Para quem gritou imediatamente “heresia!”, o segundo episódio serve de conforto, ao acompanhar o chef italiano Gabriele Bonzi, apropriadamente apelidado de “o Miguel Ângelo das pizzas”, mas que já estendeu o seu império de restaurantes aos EUA.”A televisão tornou-me famoso e decidi que a pizza seria a minha arma”, diz no programa.

Ann Kim, a sul-coreana que emigrou para os Estados Unidos com apenas quatro anos, pareceria, à partida, uma candidata improvável à presença neste elenco. Mas a chef vencedora de um prémio James Beard dedicou-se à pizza e, com o seu restaurante em Minneapolis, conquistou os críticos. Muitos dizem que a sua pizza é a melhor do país.

“Quando decidi fazer pizzas, decidi que não seria conservadora. A minha comida é forte, arrojada e picante. Decidi criar as minhas próprias regras e partilhar quem eu sou através da comida”, afirma, deixando antever que muitos italianos poderão ter que se benzer perante os ingredientes escolhidos — e que o ananás não será o seu único inimigo.

Contudo, a tradição italiana teria que estar presente. Franco Pepe é um dos representantes, ele que viu o seu avô abrir uma pequena padaria na localidade de Caiazzo, em 1931, e que acabaria por se transformar numa das pizzarias mais famosas do mundo. “Não usamos máquinas para fazer a massa. Apenas os braços e a mente do homem”, nota.

O Japão é o destino mais improvável desta nova digressão do “Chef’s Table”, local de origem de Yoshihiro Imai. Em Quioto, o chef apaixonado por pizzas gere o Monk de apenas 14 lugares e adapta o prato tradicional com uma visão oriental.

Por fim, a norte-americana Sarah Minnick promete novas provocações e sabores. “Os seus ingredientes seriam considerados um crime de guerra numa pizzaria comum”, avançam os produtores. “Experimentei tudo. Sobretudo o tipo de coisas que a maioria das pessoas não pensaria em colocar numa pizza”, conclui.

As histórias que, naturalmente, começam pela comida, derivam pelas vidas pessoas e atribulações dos chefs, de depressões a problemas de autoconfiança. Apenas mais um dos ingredientes que tornam “Chef’s Table” numa das apostas mais seguras do catálogo da Netflix.

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