Televisão

A série “O Clube” é quase tão sensual como “Na Casa do Toy”

O humorista Miguel Lambertini foi tentar perceber porque é que esta é uma das séries mais "sensuais" da televisão portuguesa.
Pode ver a série na OPTO

É uma das séries de sucesso da plataforma OPTO e eu desconfiava porquê, no entanto, quis confirmar. A quarta temporada de “O Clube” estreou em setembro, mas como tinha coisas para fazer só agora é que espreitei aquela que é considerada uma das mais sensuais séries da televisão portuguesa, apenas atrás de “Na Casa do Toy”. Saudades de ver o nosso Toy levar uma amêijoa à boca da sua mulher enquanto lhe diz num tom amoroso: “Chupa!”.

Já aconteceu muita coisa nas três primeiras temporadas de “O Clube”, mas, felizmente, o Viana (José Raposo) pôs-me a par de tudo num introito em jeito de “previously em ‘O Clube’”. O porteiro “do espaço noturno, com as melhores mulheres e o melhor bife do lombo”, fez um breve, mas esclarecedor resumo do que se passou até agora e, pelo excerto, o que se passou foi o seguinte: muitas garotas com rabinhos ao léu, alguma bandidagem e uma intensa prática de sexo oral, com predominância para o cunnilingus em detrimento do felácio.

Há muito cunnilingus em “O Clube” o que de certa forma parece um statement que vai ao encontro do posicionamento da série. Mais do que uma história sobre sexo, esta pretende ser uma série sobre poder, com claro ascendente das mulheres. “Os homens pensam que controlam tudo quando na realidade não controlam nada”, diz Maria (Vera Kolodzig), a voz off desta temporada que é também a gerente do espaço noturno.

Ao contrário do que infelizmente acontece na realidade, neste clube de striptease e meretrício quem manda são elas e, como diz a madame Maria, ali a regra é simples: “Dinheiro na mão, calcinha no chão”. Está visto que “O Clube” é daqueles sítios com cartazes irritantes a anunciar, “Não temos Multibanco”, o que faz sentido já que os clientes dispensam que lhes apareça no extrato bancário “Rodízio de Mamocas O Clube — 450€”.

Maria gosta de garantir que, na sua casa, o produto é de qualidade. Por isso, antes de contratar a dupla Joanne (Sofia Arruda) e Lilianne (Soraia Tavares) faz um género de degustação prévia. Já disse que há muito cunnilingus nesta série? É que não se trata de minetes, que isso era só brejeiro, é cunnilingus mesmo, aquele com classe, que foi precisamente o que as meninas ofereceram à sua patroa que no final (se) veio a contratá-las.

Pequeno interregno para dar nota de que o elenco desta série é muito mais do que apenas um grupo de atrizes giras e sensuais, com destaque óbvio para Vera Kolodzig que é (a par com Margarida Vila-Nova) um dos melhores talentos da sua geração, na área da representação, e merecia maior destaque e reconhecimento.

Mas só há meninas se houver clientes e Américo Moreira (Rui Unas) é um dos mais importantes. O ricalhaço fez uso da sua ficha de mil euros para entrar na zona VIP da discoteca e ficou doido com os encantos de Eva (Júlia Palha). A rapariga é uma das novas contratações da casa, mas ao contrário das colegas, tem uma vida dupla, à noite vende o corpo, mas de dia é uma pacata estudante universitária, como comprova o calhamaço do Código de Processo Civil que leva debaixo do braço quando chega para mais uma noite de trabalho.

Toda a gente sabe que a noite é perigosa e, por isso, parece-me uma boa ideia andar sempre protegida com uma arma branca. Após alguns amassos na sala privada da zona VIP, o empresário decide convidar Eva para ir até a sua casa. Depois de alguns movimentos sensuais em lingerie que permitiram cumprir a quota mínima de aparições de Júlia Palha seminua por episódio, o casal entrega-se a uma noite de sexo.

Já de manhã, ao acordar com o aspeto de quem tinha sido atropelado por uma equipa de futebol americano, Américo arrasta-se até ao duche onde é assinado por uma figura misteriosa que lhe espeta um objeto pontiagudo no cachaço. Chato, sem dúvida, mas nada comparado ao desconforto da empregada do engenheiro Américo ao ver o estado deplorável em que ficou a sala, que até preservativos espalhados pelo tapete tinha e toda a gente sabe que tirar lubrificante de um Arraiolos é uma tarefa inglória.

A sorte da D. Joaquina é que o senhor engenheiro esticou o pernil e, por isso, as limpezas ficaram por conta do laboratório forense do Instituto de Medicina Legal. Já Eva parece estar em maus lençóis, uma vez que foi a última pessoa a ver Américo com vida. Será ela uma temível criminosa? Não faço ideia porque ainda não vi os restantes episódios. Mas garanto que vou ver, não só porque fiquei cheio de curiosidade para desvendar este enredo misterioso, mas principalmente para aprender como se faz um bom… bife do lombo.

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