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“Acredito em aliens, há demasiadas provas. São maus e não precisamos deles.”

Entrevistámos Alan Tudyk, que veio a Portugal apresentar a série “Resident Alien”. Para preparar o papel, leu muito sobre extraterrestres.
Alan Tudyk protagoniza "Resident Alien".

Alan Tudyk é um dos atores norte-americanos que se encontram em Portugal para participar em painéis da Comic Con — a convenção dedicada à cultura pop regressou à Altice Arena e à zona do Parque das Nações, em Lisboa, no dia 8 de dezembro. A programação prolongou-se até dia 11.

Aos 51 anos, já o vimos em produções tão diferentes quanto “Rogue One: Uma História de Star Wars”, “Coração de Cavaleiro”, “Eu, Robot” ou “Firefly”. Agora, é o protagonista da série “Resident Alien”, que já vai na segunda temporada e é um projeto do canal Syfy.

Nesta história, Tudyk interpreta um extraterrestre que chega à Terra com uma missão secreta bem concreta: aniquilar a humanidade. O problema é que, após uma aparatosa aterragem, perde o dispositivo com que ia assassinar todos os humanos. 

Enquanto o tenta recuperar, esforça-se por não dar nas vistas e por se adaptar ao dia a dia terreno de uma pequena cidade americana chamada Patience, que fica no estado do Colorado. Para isso, assassina e assume a identidade do médico local, Harry Vanderspeigle.

O desafio vai ser imediato. O extraterrestre não sabe comportar-se no meio dos humanos, não tem qualquer tipo de filtros sociais e a sua maior fonte de aprendizagem são programas e séries de televisão (em que muitas vezes as personagens não se comportam como na vida real), que vê na sua cabana junto do lago. 

Além disso, tem de ocupar a função de Vanderspeigle, tornando-se um médico responsável por muita gente. Lentamente, vai começar a habituar-se aos vizinhos humanos e talvez até a desenvolver algum tipo de compaixão — o que muda os seus planos de eliminação da espécie. É esta a premissa de “Resident Alien”, série sobre a qual Alan Tudyk estará a falar na Comic Con Portugal. Leia a entrevista da NiT.

É a primeira vez que vem a Portugal?
Sim! É lindo. Só estou cá há um dia, mas vou ficar por cá algum tempo pelo menos uma semana, para passear. Não me lembro bem onde, mas a minha mulher sabe.

Apanhou alguma inundação?
Não, perdemo-las! Vimos nas notícias e andámos pela cidade ontem, vimos as pessoas e os bombeiros a tirarem água de vários edifícios. Foi mau.

Quando foi apresentado pela primeira vez a “Resident Alien”, qual foi a sua primeira impressão?
Gostei muito. Gosto da comédia que também envolve drama. Gosto de humor que está num mundo real mesmo que seja insano, com um alien e tudo isso mas acho que a representação tem de ser real, bem defendida, para que seja divertida. Em vez de ser algo completamente maluco em que tudo é pateta. Isso não é tão bom. Por isso, quando li o guião, essa foi a parte de que mais gostei e tive esperanças de conseguir o papel.

Como se prepara para um papel destes? Para um extraterrestre que veste a pele de um humano e que tem, basicamente, de aprender tudo do zero?
Interpretei alguns robôs no cinema em “Eu, Robot” e no “Rogue One”. E a forma como eles se moviam era parte importante dessas personagens. Por isso, ao fazer isto… Até vem lá escrito que ele não sabe como se mexer e que está confuso. Por isso, consegui construir por cima de algum desse trabalho que já tinha feito. Foi mexer-me como se o esqueleto fosse uma máquina. Mas ele é mau a gerir a máquina. E isso nota-se na forma como fala inglês, porque tinha de pensar conscientemente como tinha de mover a língua e a boca da maneira certa, por isso afetava como falava. Foi por aí que comecei.

Qual foi o grande desafio de fazer esta série?
Acho que é encontrar isso o sítio onde ele é “outro”, é diferente; mas também não é assim tão diferente. É uma linha difícil de encontrar. Algumas pessoas que conheces, aí pelo mundo, são simplesmente diferentes. E tu aceita-las. Aqui querias encontrar esse espaço, como se ele fosse uma dessas pessoas. Encontrar esse equilíbrio foi desafiante.

Era fácil entrar no espírito da personagem durante as gravações, tendo em conta as suas características distintas?
Acho que sim. E foi mudando, isso faz parte da evolução da personagem. Na primeira temporada, ele não sabe nada. E quanto mais ele finge ser humano, mais humano se torna. Ele começa a desenvolver sentimentos e isso muda a forma como se expressa. Esse é o desafio que se mantém constante para esta personagem.

Se um verdadeiro extraterrestre fosse enviado para a Terra com uma missão idêntica à da sua personagem, acredita que poderia fazer o mesmo?
Espero que sim! Porque eu não destruo a Terra [na série], o que é bom. Por isso espero que o alien que venha destruir a Terra seja tão mau a fazê-lo que não a destrua. Não acho que os aliens queiram o nosso bem… Eu acredito em aliens. Há demasiadas provas… Acho que eles deviam continuar afastados.

Acredita que há vida inteligente e avançada algures no universo, é isso?
Sim! Há tantos programas hoje em dia que falam com pessoas que os viram e que tiveram experiências e algumas destas pessoas são muito convincentes. Vi um sobre um homem no Texas, acho que se chamava Roy, e eu venho do Texas, e conheço aquele tipo de pessoa. E ele dizia: “Não sei… Sim, eu vi aquilo, estava mesmo ali. Era grande, não estava a fazer nenhum barulho, eu estava a caçar, e ia dar-lhe um tiro mas depois pensei: porquê? Então não o fiz, e aquilo voou para longe” [imita, com um tom de pouco entusiasmo, como se estivesse a relatar o acontecimento mais banal possível]. E eu acredito no homem! O que ele disse fazia sentido. E falaram com outras pessoas na cidade que disseram: “Sim, se o Roy viu então é porque é real. Ele não iria mentir… Ele não quereria mentir sobre algo como isto, ele não quer a atenção, não é uma rainha do drama. Ele só quer que o deixem em paz, mas acabou por ver uma nave espacial”. Por isso, acredito no Roy [risos].

O facto de acreditar em aliens influenciou a sua escolha para fazer esta série? Ou nem por isso?
Não afeta como eu o interpreto… Eu não queria muito saber sobre aliens, não pensava muito neles, mas agora aprofundei-me mais sobre o tema. Li um livro chamado “Communion”, que é terrível, sobre pessoas que foram raptadas e parece muito real. É assustador. Acho que a minha mentalidade mudou. Costumava pensar: “sim, os aliens, claro. porque não?” E agora acredito que os aliens são maus e não precisamos deles, precisam de se manter afastados.

Leu o livro por causa da série?
Sim, o Chris Sheridan, que criou a série, deu-me o livro para ler. “Isto vai explicar-te sobre o que é.”

Já interpretou papéis muito diferentes. Há algum papel ou projeto específico que gostava muito de fazer mas que ainda não teve a oportunidade?
Claro. Gostava de interpretar um tipo normal. Interpreto muitas personagens malucas. Sou estranho, por isso, é natural para mim interpretar pessoas estranhas. Gosto de personagens divertidas porque tendo a ver o mundo como um sítio divertido, mas gostava de interpretar um tipo normal e banal. Talvez um dentista? [risos]. Gostava de interpretar um dentista, ainda me falta fazer isso.

Leia também o guia da NiT com os principais destaques da edição deste ano da Comic Con Portugal.

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