Televisão

“Agricultor”: é mais provável que Mónica se apaixone por um roupão do que por Ivo

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o mais recente episódio da nova versão do reality show da SIC.
Ivo Pires é um dos concorrentes.

Tentar encontrar o amor através de um programa de televisão é tão inútil como sensores de estacionamento no carro do Presidente da República. Ainda assim, todos nós gostamos de acreditar no conto de fadas, por isso a SIC apostou num género de best-of, reciclando alguns dos seus agricultores. Esta nova versão do reality show intitula-se “Quem Quer Namorar com o Agricultor: Tudo por Tudo”.

Coitados dos concorrentes. Já não bastou da primeira vez terem de partilhar com o País inteiro que não há ninguém que lhes queira pegar — agora ainda lhes põem uma pressão destas em cima. “Tudo por tudo”: quais é que eram as outras opções de nomes em cima da mesa? “Quem Quer Namorar com o Agricultor: Ou vai ou racha”? “Versão Losers”? Ou “Esquece lá isso, já só te safas mesmo nos classificados no ‘Correio da Manhã’”?

É uma pressão gigante, mas a verdade é que os concorrentes aceitaram o desafio. Assim se percebe que tenhamos voltado a ter no pequeno ecrã da SIC quatro agricultores e uma agricultora cheios de vontade de encontrar um parceiro e, já agora, colmatar a falta de mão de obra para trabalhar no campo. 

João Neves continua a usar o seu look matador, composto por um chapéu três números acima e, em contraste, umas calças de ganga que até ao Mick Jagger ficariam apertadas. Neste momento a sua pretendente favorita parece ser uma senhora que dá pelo nome de Sónia Reto. Não deve ser fácil passar pelo secundário com um nome destes, mas pensando bem há pessoas que se chamam Yasmine ou Bruna Tatiana, por isso Sónia até nem é mau de todo. 

Catarina Manique esteve num encontro a sós com Óscar, mas, apesar das declarações de carinho do pretendente, a concorrente não está com vontade de levar a relação para outro patamar. “A amizade é a primeira coisa a ser cultivada”, diz a agricultora. Por acaso tinha a ideia de que a primeira coisa a ser cultivada era a batata, no início do ano, mas a senhora é que é entendida no tema, por isso quem sou eu para me meter ao barulho. 

Na quinta de Francisco Martins, segundo as participantes, “a Carla revelou-se uma pessoa maquiavélica”. Não sei quem é porque já não apareceu no diário que vi esta segunda-feira, 15 de novembro, mas as pretendentes estavam bastante satisfeitas com a expulsão de uma participante que consideraram “tóxica e falsa”.

Daniela Roque, que se apresenta para trabalhar no campo como se fosse fazer uma sessão fotográfica para a ‘Vogue Beja’, reforça o sentimento: “Havia muita injeção de veneno, muita injeção mesmo.” Olha, foi pena não terem aproveitado esta tendência da Carla para injetar, porque tinha sido uma excelente oportunidade de acelerar a terceira dose das vacinas que tanta falta está a fazer. 

João Menezes revelou-se um querido com todas as participantes e no final de uma atividade em que plantaram carvalhos, o agricultor ofereceu umas plaquinhas em madeira para escreverem os seus nomes e colocarem na respectiva árvore. É uma boa estratégia, começa por oferecer uma plaquinha de manhã e à noite oferece uma… sessão de leitura junto à lareira.

O agricultor Ivo Pires continua a não abrir a boca para falar, mas isso não o impede de interagir com as participantes que provavelmente usam aquela app que traduz automaticamente de matarruano para português. Ivo escolheu Mónica, uma das suas pretendentes, para levar a um hotel termal, num encontro romântico a dois.

O agricultor tem a afetuosidade de um pedregulho com olhos e por isso é mais provável que a Mónica saia do encontro apaixonada por um roupão do spa do que pelo Ivo. Mas que se lixe, é o “tudo por tudo”.

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