Acusado de nove crimes, incluindo violação e sequestro, Carloto Cotta foi julgado no Tribunal de Sintra, em novembro passado, num processo do qual saiu absolvido. Contudo, o desfecho do caso continua em aberto.
A defesa da alegada vítima recorreu da decisão do coletivo de juízes, apontando uma série de elementos que “comprometem a análise do caso e prejudicaram a busca pela verdade”. O recurso aponta para um “erro absolutamente lastimável” por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR) durante a investigação. A alegação central é que a GNR não terá conduzido a investigação de forma adequada, falhando em reunir provas cruciais e em seguir os procedimentos corretos.
A fundamentação refere “omissões e falhas na recolha e análise de evidências“ e questiona a forma como a GNR lidou com testemunhas, com a preservação do local do suposto crime e com a análise de informações relevantes. Estas incorreções, segundo a defesa, teriam levado a uma compreensão incompleta dos factos e, consequentemente, à absolvição do ator.
A alegada vítima, por sua vez, mantém a sua versão dos acontecimentos e reitera a convicção de que foi vítima de abuso sexual. O recurso da absolvição decretada pelo tribunal de primeira instância representa uma tentativa de reverter essa decisão e de obter uma nova análise do caso, e fazer valer a sua versão dos factos perante as instâncias superiores.
A apreciação do tribunal superior poderá levar a diferentes cenários: confirmar a absolvição, mantendo a decisão de primeira instância; ou determinar a realização de um novo julgamento, caso considere que houve falhas processuais ou que as provas não foram devidamente analisadas. Outra possibilidade é o Supremo aceitar o recurso e condenar Carloto Cotta, caso entenda que as provas são suficientes para comprovar as acusações.
O ator, conhecido pela participação na série “Elite”, foi acusado de um total de nove crimes: importunação sexual, coação sexual, violação, sequestro agravado, dois crimes de ameaça agravada, coação agravada, ofensa à integridade física simples e injúria.
Os factos remontam a maio de 2023, quando a alegada vítima se deslocou à casa do ator em Colares, depois de cinco meses de trocas de mensagens. À chegada, Carloto Cotta terá fechado a porta à chave e forçado a mulher a manter relações sexuais. A resistência, segundo a acusação, resultou em agressões físicas e vários abusos sexuais.
A vítima conseguiu fugir por uma janela quando o arguido se ausentou momentaneamente para ir à cozinha buscar uma faca, com a qual, segundo o testemunho, terá ameaçado matá-la. Com múltiplos hematomas visíveis no corpo, pediu ajuda a quem passava na rua e foi socorrida por uma ambulância do INEM.
A investigação ficou a cargo da Polícia Judiciária, que propôs o arquivamento do processo a 27 de fevereiro de 2025. No entanto, o Ministério Público optou por levar o caso a julgamento, que arrancou em outubro passado.
A leitura do acórdão aconteceu a 17 de novembro, com o coletivo de juízes do Tribunal de Sintra a considerar “por unanimidade” que Carloto Cotta é inocente no caso de violação e sequestro da queixosa. Um dos magistrados apontou como fator determinante deste desfecho as “incongruências” do depoimento da alegada vítima.
À saída do tribunal, o ator, de 41 anos, declarou que “se sentia como antes”. Ou seja, “inocente”.

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