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Alex Honnold escalou uma montanha no Ártico: “Era verão, mas não parava de nevar”

A aventura do vencedor de um Óscar levou-o à Gronelândia. O relato do desafio já chegou à National Geographic
Mais um desafio.

Alex Honnold é uma daquelas pessoas que parece não ter medo de nada. Pratica alpinismo desde miúdo, mas o que era um hobby acabou por se tornar numa carreira. Atualmente é o protagonista de “Escalar o Ártico“, cujo primeiro episódio estreou na National Geographic a 9 de fevereiro. Os capítulos seguintes vão ser transmitidos às sextas-feiras, pelas 22h10.

“Gronelândia. A última grande fronteira de escalada do mundo e o centro da crise climática. Em 2020, dois mil milhões de toneladas de gelo da Gronelândia desapareceram, naquele que é o maior degelo anual da História desde que há registos. Alex Honnold sempre quis explorar esta ilha imensa e chegar ao cume dos seus picos mais perigosos e remotos. Além de desafiar os seus próprios limites, pretende conhecer os cientistas que trabalham na linha da frente e ver com os seus próprios olhos o impacto do degelo galopante”, lê-se na sinopse.

O norte-americano de 38 anos também é o vencedor de um Óscar. Em 2018, protagonizou “Free Solo”. Um ano depois, a produção ganhou a estatueta de Melhor Documentário. Ali, trepou o El Capitan, no Parque Natural de Yosemite, nos EUA, sem qualquer corda nem proteção — foram 900 metros de altura sem qualquer ajuda e tornou-se a primeira pessoa a conseguir o feito.

O mais recente desafio foi igualmente difícil. Além de escalar uma montanha enorme, teve de lidar com o clima agreste enquanto abordava o impacto das alterações climáticas naquele território. 

Leia a entrevista da NiT a Alex Honnold.

Como surgiu a paixão pelo alpinismo na sua vida?
Sempre adorei fazer escalada e comecei logo quando tinha dez anos. Toda a minha vida foi dedicada a isso. Trepava árvores tal como todos os jovens gostam de fazer, algo que verifico agora que sou pai. O que me distingue é que depois comecei a levar isto mais a série e tornou-se na minha profissão. 

Além de trepar a montanha, as alterações climáticas são um grande foco na série. Porquê?
A Gronelândia é muito importante para o clima mundial, e mesmo assim é bastante desconhecida. Acho que maioria das pessoas não sabem o quão grande o impacto da Gronelândia é nos níveis do mar a nível global. Para mim, fazia sentido. Se ia a um sítio lindo e remoto, tinha de fazer algo útil enquanto lá estava. Tinha de levar cientistas e aprender mais sobre o ambiente à minha volta. Quando fazemos um projeto cinematográfico numa localização assim, temos quase uma obrigação de fazermos algo de bom com a plataforma que nos é dada.

Queria chamar a atenção para este problema?
Sim. Escalar montanhas não era suficiente. A experiência foi muito melhor porque levei uma equipa. Foi mais rica, aprendi imenso. Foi educativa e, ao mesmo tempo, divertida. Quando fazemos um programa de televisão, podemos partilhar este conhecimento e tínhamos de aproveitar a oportunidade para o fazermos.

Viu alguma coisa que fizesse com que percebesse o quão grave são as alterações climáticas, especialmente naquela parte do mundo?
Por isso é que foi tão importante levar os especialistas. Eu era como um turista. É um mundo incrível de gelo, super bonito, majestoso. Tudo o que vi era fantástico. Ao ter alguém com experiência e conhecimento, tornou-se evidente o quão o ambiente mudou ao longo do tempo. As regiões polares estão a aquecer quatro ou cinco vezes mais rápido do que o resto do mundo. Se estivesse na Gronelândia sozinho tinha só tirado fotografias e diria que é lindo. Mas como estava com eles percebi que, apesar de ser deslumbrante, é alarmente o quão rápido tudo está a mudar.

Não queria ser apenas turista, também queria conhecer os problemas que afetam a região.
Exatamente. Especialmente porque estes problemas têm um grande impacto nas outras partes do mundo. Há centenas de milhões de pessoas que vivem na costa. Portugal é um país que está na costa. O derreter dos glaciares aumenta o nível do mar exponencialmente, e isso é muito perigoso. E parece que ninguém se preocupa com isso.

Disse noutra entrevista que após a subida ao El Cap sentiu-se perdido. Esta foi uma das razões que o levou a escalar a montanha na Gronelândia?
Um pouco. Uma das coisas com o El Cap — não só o facto de o ter trepado, mas o sucesso do “Free Solo” — é que tudo aquilo que farei no resto da vida não será tão bem-sucedido quanto o “Free Solo”. Mas isso significa que se vou continuar a fazer trabalhos televisivos e cinematográficos, tenho de apostar em coisas que me tragam também prazer pessoalmente e que me façam sentir realizado. Também é uma forma de retirar pressão de cima de mim.

Em algum momento nesta expedição se sentiu em perigo ou equacionou terminá-la?
Não pensei desistir, mas lidava diariamente com muitos riscos. O ambiente é muito desafiante. Tentamos constantemente minimizar o risco e estar o mais seguros possível. Houve, contudo, vezes em que tivemos de ir por caminhos diferentes e passar mais tempo a resolver problemas. É tão difícil chegarmos lá e quando já estamos na aventura, estamos muito envolvidos. Não podemos desistir.

Não tinha um plano muito detalhado porque sabia que as coisas podiam mudar subitamente?
Sim. Mas nesta viagem, mais do que nas outras, sabia que tinha uma equipa ótima e que estávamos a fazer o que era correto. Noutras expedições há alturas em que questionamos se devíamos ir para casa. Nesta nunca pensei duas vezes.

Qual foi a parte mais difícil desta nova aventura?
O clima foi o mais desafiante. Sei que é clichê dizer isto, mas era verão. Apesar disso, não parava de nevar, estava muito vento e chuva. Maior parte das pessoas que trabalharam na produção viviam no Reino Unido, e o país atravessava uma onda de calor. Por causa dessa pressão alta na Europa, havia uma pressão mais baixa na Gronelândia. Apanhámos um clima muito difícil.

Já está a planear a sua próxima viagem?
Embarquei noutra aventura logo seguir à Gronelândia. No verão passado fizemos uma viagem de bicicleta do Colorado até ao Alaska e trepámos montanhas pelo caminho. Acho que também vai ser um programa na National Geographic no próximo ano. É fantástico fazermos expedições assim.

Temos algumas montanhas fantásticas em Portugal. Alguma vez pensou em vir conhecê-las?
Na verdade, eu e a minha mulher, depois do “Free Solo”, fomos a Portugal numas férias para treparmos montanhas. É um País lindo. Passámos por muitas zonas costeiras e foi fixe. Ainda não éramos casados, mas soube-nos a uma lua de mel.

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em fevereiro às plataformas de streaming e à televisão. 

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