Televisão

“Alô Marco Paulo”, estás aí, ou perdemos-te para sempre?

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o novo programa das tardes da SIC.
O músico tem um programa na SIC.

Este sábado, 5 de junho, marcou o regresso de Marco Paulo à televisão e eu não quis perder o acontecimento. “Alô Marco Paulo” é o novo programa das tardes da SIC em que o cantor, na companhia de Ana Marques, recebe convidados em sua casa. Depois de ter assistido a este primeiro episódio, parece-me que o nome encaixa na perfeição com aquilo que aconteceu durante as quatro horas e 22 minutos deste direto. É que, realmente, enquanto estamos a assistir ao programa dá vontade de perguntar “alô Marco Paulo, estás aí, ou perdemos-te para sempre?” Desse ponto de vista, o programa é bastante divertido, porque frequentemente Marco Paulo brinda-nos com uma das suas saídas inusitadas. 

O meu momento favorito foi quando, mais ou menos a meio do programa, colocaram um vídeo do António Sala a elogiar o Marco. E a primeira coisa que o cantor diz quando termina o vídeo é “Olha, ainda não tinha reparado naquele vaso de flores tão bonito ali atrás”. E Ana Marques pergunta: “Quais, as hortenses?” diz, referindo-se a uns vasos que estão desde o início a aparecer por trás de ambos. “Será meu, aquilo também?”, pergunta Marco. “É, é teu, aqui é tudo teu”, despacha Ana Marques.

“Olha que bonito”, diz o cantor, ignorando completamente a longa mensagem de António Sala. Eu adoro esta postura do Marco Paulo de mega artista de sucesso, que sobreviveu a dezenas de contrariedades e por isso está-se a marimbar para o que as pessoas digam ou pensem, inclusive aquelas que dizem bem dele. “Sabes que nós fomos para a rua perguntar às pessoas o que pensam de ti?” Resposta do cantor: “Oh, não quero saber!” Marco já não está nem aí, está em sua casa a fazer o que gosta e isso dá-lhe uma aura de divo extraordinária e invejável.

Durante a emissão, Marco Paulo recebeu, além da família, vários convidados e amigos. Como, por exemplo, o também músico Emanuel, sobre quem comentou simpaticamente a dada altura: “Por exemplo, aqui o Emanuel não tem grande voz, mas ele transmite algo que emociona as pessoas”. Realmente sempre que ouço o “Pimba Pimba” fico emocionado e as lágrimas caem-me pela cara abaixo. 

Porém, a presença de que eu mais gostei foram mesmo os dois cães do Marco, a Zuca e o Nero, que estiveram mais ativos no programa do que o próprio Marco Paulo. Desde tentar comer os pratos típicos alentejanos que estavam em cima da mesa até começar a roer o vestido da fadista Cidália Morais, o casal de buldogues franceses roubou o show. Cidália é amiga de Marco Paulo há muitos anos e, tal como o cantor, às vezes também já não se lembra de alguns pormenores, como por exemplo as datas dos próximos espetáculos. “Então agora tem aí um espetáculo dia 17, no Casino Estoril, não é?,” pergunta Ana Marques. “Ai é? Olha, sabe mais do que eu”, responde Cidália, como se Ana Marques lhe tivesse perguntado o nome do presidente do Azerbaijão. 

Um dos tópicos que mais estranheza parecem causar a Marco Paulo é o facto de ser tio avô. “Então, eu já sou avô sem saber?!” E Ana Marques vai emendando subtilmente: “Calma, és tio avô”. E Marco responde sempre meio desconfiado: “Sou? Ah, pois é… É que eu não sabia!” A família do cantor fez pela primeira vez uma aparição em televisão, e pelos vistos também em sua casa, já que Marco está bastante surpreendido com a existência de alguns familiares que dá ideia que desconhecia. 

O irmão mais velho de Marco, Ernesto, foi um dos membros da família que foi convidado a falar sobre o artista. Quer dizer, falar é um eufemismo porque, coitado do senhor, não pode dizer duas frases sem levar logo uma reprimenda do Marco: “agora tens de estar caladinho para eu poder falar”. E quando o irmão tentou contar a história de como salvou Marco Paulo de se afogar num poço, o cantor interrompe-o bruscamente. “Pronto, mas agora queremos saber o resto, vá termina lá o filme!”

Entretanto, não podia ficar de fora desta reunião familiar o afilhado de Marco Paulo, que entrou em direto através de videochamada. Marquinho está a estudar música na Holanda, e por isso não pôde juntar-se ao vivo com o seu padrinho, mas disse que em breve viria a Portugal. Enquanto Marquinho falava, o irmão de Marco Paulo, Ernesto, começa a gritar para a câmara: “Vem, vem antes que eu morra! Vem antes que eu morra!” E foi aí que eu me identifiquei com o desespero do Sr. Ernesto, porque também eu, depois de quatro horas e 22 minutos sentado no sofá a ver este programa, só consegui gritar para a minha mulher “Vem, vem antes que eu morra!”

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT