Televisão

Asneiras, nervosismo e piadas: estivemos nos ensaios do novo “5 Para a Meia Noite”

Inês Lopes Gonçalves fechou-se numa "bolha" antes do arranque da sua estreia como apresentadora principal do tall-show da RTP.
A nova cara do programa.

O ambiente está relativamente calmo. O relógio marca as 18 horas e a agitação é quase mínima enquanto se afinam os pormenores finais para a estreia da nova temporada do programa “5 Para a Meia Noite” — marcada para as 22h40, desta quinta-feira, 15 de outubro, na RTP1. Há muitas piadas entre a equipa durante os intervalos dos ensaios. “Deviam era contratado a Belinha [Isabel Silva] para fazer isto”, diz a nova apresentadora Inês Lopes Gonçalves, referindo-se à energia da colega da TVI. 

Ainda assim, a grande frase da noite entre o staff é mesmo aquela que foi colocada numa das paredes do cenário. “Tanta coisa e afinal é a Inês.” Depois de quatro temporadas com Filomena Cautela a liderar o talk-show, chega agora a vez de Inês Lopes Gonçalves assumir a liderança, ela que até esta altura havia desempenhado um papel secundário no programa. 

O resto da equipa, que fica atrás das câmaras, também se manteve. O ritmo é semelhante ao de sempre, mas nota-se claramente o nervosismo em todas as expressões faciais de Inês. Há uma enorme ansiedade no ar para que o seu primeiro programa a solo arranque sem qualquer problema. Aliás, quando pedimos para falar com ela durante uns breves minutos, isso nem sequer foi possível. “A Inês está na bolha dela e não pode ser incomodada”. 

A preparação do “5” — como se referem ao programa nos bastidores — não foi feita nas horas ou dias anteriores à estreia. Há várias semanas que a equipa prepara este primeiro episódio. Uma nova cara, novas rubricas e pequenos ajustamentos ao cenário. Porém, o momento mais importante logo depois da estreia é o ensaio geral, que começou por volta das 18 horas na Venda do Pinheiro — a cerca de 30 minutos de Lisboa.

Por causa da pandemia, no local só está a equipa de produção necessária para a realização do programa, um fotógrafo da RTP e a equipa da NiT. O público só chegará mais perto da hora do espetáculo e estará reduzido a 30 pessoas (um terço da lotação total do estúdio). A bancada tem luzes que ajudam a iluminar o espaço, mas também a separar as pessoas umas das outras, como se fosse feixes laser. 

Uma das magias da televisão é fazer com que o cenário pareça maior no ecrã do que é na realidade. É exatamente isso que acontece com o “5 Para a Meia-Noite”. O único programa do canal público que é produzido neste local tem, como seria de esperar, um estúdio relativamente pequeno.

"5 para a Meia-Noite"
A essência mantém-se.

Em relação à temporada anterior não há grandes mudanças. A entrada dos convidados continua a fazer-se pela direita, no elevador a fingir. Este ano, existem cadeiras em vez do sofá, precisamente para manter a distância social. Pelo meio, ainda existe uma cómoda e a “Pressão no Ar” passou a fazer-se do lado esquerdo e não no centro do estúdio.

Preparar um programa desta magnitude pode ser um desafio, mas a equipa, que em produção e estúdio é composta por 50 pessoas, está preparada. São muitos anos de trabalho e a máquina já sabe exatamente o que fazer. Apenas muda a cara principal e alguns segmentos do programa. Quando o ensaio começa, Inês é a única que está sem máscara, para tentar replicar ao máximo todas as condições do direto.

“Não se ouve. Isto assim não dá”, reclama Inês Lopes Gonçalves pouco depois durante uma das rubricas mais famosas do programa: “Pressão no Ar”. Foi preciso repetir o vídeo algumas vezes até ela ficar satisfeita. 

"5 para a Meia-Noite"
O ensaio decorre com todos os cuidados necessários.

Este segmento é a único que transita da temporada anterior, mas com algumas mudanças. Antigamente, era Inês Lopes Gonçalves que se juntava a Filomena Cautela, agora a dupla é completada por Beatriz Gosta — que já fazia parte da equipa anterior e que passará a assumir um papel de maior importância na nova grelha. 

Neste caso, o ensaio foi feito com um dos elementos da produção e as perguntas inventadas, como “É verdade que usa sempre gravatas?”. Mais tarde, na versão a sério, o convidado foi António Costa Silva, responsável pela redação do plano de recuperação económica do País. 

O ensaio não segue a ordem oficial do programa. Primeiro, testam-se rubricas como “Prós e Contras dos Pobres”, um novo espaço de humor de Carlos Pereira, que não se encontra presente no estúdio; ou, “Correio Safadão”, que passa por ver as mensagens mais eróticas que as figuras públicas recebem. Esta é também a parte mais animada do final da tarde, com as gargalhadas da equipa de produção. 

Os ajustes finais

Por outro lado, o momento mais silencioso acontece quando se revê a parte da atualidade informativa, um dos poucos espaços que migraram da temporada anterior. Os únicos problemas tinham a ver com posicionamento das quatro câmaras e do teleponto, mas nada que fosse difícil de resolver.  

Inês começa por abordar a infeção de Cristiano Ronaldo, utilizando a célebre frase “anda bater, tu bates bem, se perdermos, que se foda”. Durante o direto, tudo correu lindamente, com o som do “piiii” a coincidir com a asneira. Mas nos ensaios foram precisas três tentativas para que o timing da frase batesse com a precisão do efeito de som. 

"5 Para a Meia-Noite"
O momento em que Inês está mais próxima da câmara.

Outro dos temas foi o story publicado por Katia Aveiro no Instagram onde a irmã de Cristiano Ronaldo disse que a “Covid era a maior fraude” a que já tinha assistido. O pretexto perfeito para Inês Lopes Gonçalves dizer que a maior fraude seria a carreira de cantora de Katia. “O som de ‘auch’ poderia ficar bem aqui”, acrescenta Inês durante o ensaio. Ainda assim, esse efeito acabou por não entrar durante o direto. “Ela nunca mais cá vem”, diz a apresentadora depois da piada. 

Os pormenores são afinados e Inês está em constante contacto com a régie, quer para analisar o que está a resultar ou não, ou simplesmente para brincar com o resto da equipa. “O programa é muito grande. Não podemos fazer só 45 minutos?”, pergunta Inês a um determinado momento. Pelo meio são ensaiadas as interações com a banda, que esta temporada vai ter um papel ainda mais importante. 

"5 Para a Meia-Noite"
Vai haver mais música esta temporada.

“Se é para isto não quero”, afirma Miguel Rocha, sobre a nova rubrica “Uma Bancada com Fruta”. Na temporada anterior, Miguel fazia os vox pops do programa, agora vai passar a ter mais protagonismo com este segmento especial onde pede aos convidados para simularem que estão a vender o projeto em que estão a trabalhar naquele momento. Neste caso, Samuel Úria tentou convencer os espectadores a comprarem o seu novo disco “Canções do Pós-Guerra”. 

O espaço de entrevista com os convidados — que na noite de quinta-feira incluíram António Costa Silva, Samuel Úria e Salvador Martinha — são, tal como “A Pressão no Ar”, brevemente ensaiados com elementos da produção. Algumas das perguntas foram preparadas durante a semana, mas há espaço para improviso — o que ajuda muito no sucesso deste formato. 

Normalmente, haveria uma reunião antes do programa com a equipa toda — que tem cerca de 15 pessoas. Porém, neste contexto pandémico, tudo é resolvido durante o ensaio. Assim se percebe que esta fase tenha demorado muito mais tempo do que o previsto: quase duas horas.

Finalmente, por volta das 20 horas, o staff fechou o estúdio e foi jantar. Por volta das 21h30, lá voltou a equipa para arrancar a última fase antes do direto — e que inclui a maquilhagem, a roupa e os últimos testes de som e de imagem. O resto da história já é conhecida. Ou pelo menos para 216,5 mil portugueses, o número de espectadores que viram em média cada minuto do regresso do “5” — e muito abaixo da média que Filomena Cautela conseguiu no resto do ano.

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