Televisão

Assistimos à mítica gala do “Big Brother” nos bastidores do programa

A NiT passou a tarde e a noite de domingo nos estúdios da Venda do Pinheiro, onde é feita grande parte do reality show.
Cláudio Ramos trocou a SIC pela TVI para este programa.

Pela primeira vez na história, o “Big Brother” em Portugal é feito em dois sítios. Se até aqui a casa onde os concorrentes ficavam isolados durante três meses era na Venda do Pinheiro, em Mafra, mesmo ao lado dos estúdios da MediaPro, onde são transmitidas as galas, nesta edição celebrativa do “Big Brother 2020” as coisas são diferentes.

Os concorrentes estão na Kasa do Futuro, junto da praia de Ribamar, que faz parte da Ericeira — propriedade que pertence ao treinador de futebol Carlos Azenha, cuja história a NiT já contou num artigo recente. Na mesma residência, e longe dos olhares do público, há uma equipa permanente da produção da Endemol. Ao todo são 100 pessoas que rodam em turnos, já que é necessário fazer o programa da TVI durante 24 horas por dia, numa operação complexa e delicada.

Em simultâneo, e à distância de uma viagem de 15 minutos de carro, o resto da equipa de produção trabalha nos tais estúdios da Venda do Pinheiro. Foi esta faceta da preparação do reality show que a NiT acompanhou na tarde e noite do domingo de 12 de julho.

Cláudio Ramos, o apresentador desta edição do “Big Brother”, chega ainda de manhã aos estúdios. Mas quando chega já há lá membros da produção a trabalhar. Durante o final da manhã e início da tarde há uma série de reuniões com o objetivo de preparar a gala de domingo — o momento alto da semana deste programa que tem diversas versões — e analisar os diferentes conteúdos.

Os ensaios começam sempre pouco depois das 17 horas — e podem durar mais de duas horas, quase como uma réplica da gala em direto que acontece na mesma noite. Desde as luzes ao som, passando pelos movimentos das câmaras e o posicionamento dos convidados, tudo é testado por uma equipa que envolve produtores, operadores de câmara, técnicos de luzes e som, entre outros — além de todos os que trabalham a partir da régie e comandam a operação.

Cláudio Ramos ainda nos ensaios, antes de se vestir para a gala.

Cláudio Ramos ainda veste a sua roupa casual, e não o fato com que mais tarde se vai apresentar na gala. O ambiente é tranquilo, embora sério: esta é uma máquina claramente bem oleada e experiente em que cada elemento conhece bem a sua função para um objetivo conjunto maior.

Há espaço para algumas trocas de piadas entre colegas, e também para as discussões normais de pormenores — seja sobre o posicionamento das câmaras ou do apresentador, daquilo que se deve abordar com os convidados ou o próprio discurso.

Além de Cláudio Ramos, nesta gala assistimos à participação de Alexandre Monteiro, especialista em comunicação não verbal, que foi ao “Big Brother” para assegurar aos espectadores se um dos concorrentes, Daniel Guerreiro, estava ou não a mentir sobre a sua relação com Soraia, outra das concorrentes.

Cláudio Ramos explica ao convidado que perguntas é que lhe vai fazer, como é que o vai apresentar e como é que irão interagir — para que tudo esteja planeado e coordenado ao máximo. O teleponto é uma constante, tanto no discurso do apresentador como da própria entidade “Big Brother”, mas também há sempre oportunidade para improvisar naquilo que se diz, e é algo que acontece de forma natural e espontânea.

Os ensaios podem durar mais de duas horas.

Neste ensaio era necessário testar a ligação à casa — e um membro da produção que se encontra na Ericeira, equipado com uma máscara, luvas e até sacos de plástico nos pés, sentou-se no confessionário, fingindo ser Daniel Guerreiro, para responder às questões de Cláudio Ramos e ser avaliado por Alexandre Monteiro (que tinha uma raquete com um lado verde e outro vermelho, para indicar se havia sinais de que o concorrente estava a dizer a verdade ou a mentir, respetivamente).

Outro elemento da Endemol sentou-se nos sofás da sala para que fosse testada a ligação às instalações da Venda do Pinheiro. Em estúdio, a equipa vai comunicando através de auriculares, tal como acontece durante o programa, e quem estiver a assistir ao momento só entende metade da conversa. Toda a gente usa máscaras durante todo o tempo dentro do edifício, exceto Cláudio Ramos e Alexandre Monteiro, que ali estão a comunicar naquele momento. Mas o distanciamento social é quase impossível de cumprir, tendo em conta a necessidade de haver uma troca constante de impressões e de contacto entre os elementos da produção.

Durante aquele período, há membros da produção sentados nos lugares dos principais convidados — como os familiares dos concorrentes ou ex-concorrentes que acabarão por participar na emissão. Acabam mesmo por os interpretar nos próprios ensaios, com mais ou menos piadas, para que possa realmente ser uma réplica da gala.

Os lugares estão reservados e há distanciamento.

A gala

Depois dos ensaios, há um tempo para jantar na cantina dos estúdios. Cláudio Ramos prepara-se no camarim, acompanhado pela equipa de maquilhagem e de guarda-roupa. O timing nunca é igual — e esta noite, curiosamente, foi a gala mais apertada de tempo que já existiu desde o início do programa.

Afinal, no domingo de 12 de julho houve uma disputa acesa na luta pelas audiências — já que a gala do “Big Brother” ia ser transmitida ao mesmo tempo do que a estreia da segunda temporada da novela “Nazaré”, da SIC. A produção do reality show da TVI decidiu antecipar um pouco a gala para começar antes de “Nazaré” e tentar conquistar logo o público.

Até aqui, tudo foi bastante calmo. Só pela hora de jantar é que começam a chegar os convidados — familiares e amigos dos concorrentes, comentadores do programa como Ana Garcia Martins, ou outros elementos do público. 

A produção vai fazendo com que vão entrando no estúdio e sentando-se nos seus lugares. Todos trazem uma máscara com o design do próprio “Big Brother” e existe uma lotação reduzida dentro do estúdio.

O público usa máscaras do “Big Brother”.

É oferecida uma garrafa de água a cada elemento da plateia, que tem de arrancar o rótulo e colocá-lo no lixo antes de entrar — e também é obrigatório desinfetar as mãos com álcool gel. A temperatura é medida à entrada dos estúdios.Enquanto o programa não começa, há um autêntico animador de plateia, que vai dizendo para que as pessoas batam palmas quando entrarem no ar, e vai contando piadas para animar as pessoas.

O frenesim começa quando faltam poucos minutos para o início da gala. Cláudio Ramos ainda está no camarim, a ultimar os preparativos, quando a produção lhe pede para entrar em estúdio. Vários membros das produções caminham a passo rápido pelos corredores, entre a régie e o estúdio. Cláudio Ramos vai ter de atravessar um corredor, descer dois lances de escadas, e caminhar pelo estúdio antes de chegar ao seu lugar.

A plateia está cheia (dentro dos limites) e há membros da produção em todos os recantos que não são visíveis para os espectadores em casa. Dentro do estúdio, mas fora da zona onde tudo é gravado, há um televisor que transmite a emissão em direto onde estão algumas pessoas de reserva — um maquilhador (que teve de entrar de forma rápida enquanto se passava um vídeo de momentos dentro da casa, para retocar a maquilhagem de Alexandre Monteiro), ou uma equipa de dois bombeiros que tem de estar no local, por exemplo, além das empregadas de limpeza, que querem matar a curiosidade. “Dois minutos!”, grita um membro da produção para toda a gente ouvir, alertando para o facto de estar quase a começar.

Cláudio Ramos caminha rapidamente para chegar ao seu lugar.

A NiT esteve também na régie a assistir a parte da gala. O corpo e o coração do programa podem estar no estúdio, com Cláudio Ramos e todos os operadores de câmara e técnicos presentes. Mas o cérebro está sobretudo na régie.

13 pessoas estão numa sala a meia luz em frente a múltiplos ecrãs, teleponto incluído, onde controlam as câmaras que o público vê em casa, e pedem ajustes em tempo real. Há um ambiente algo tenso e muito sério dentro da sala — é um programa em direto e qualquer falha poderá ser notória para o público. O objetivo é garantir que todos os problemas são resolvidos sem ninguém dar conta e que é feita a melhor emissão possível.

“Atenção à câmara 1”, “olha a 2” ou “a luz ali está manhosa” são apenas alguns dos muitos apontamentos dados pela equipa, que se apressa também a corrigir Cláudio Ramos através do auricular quando o apresentador confunde o nome de Daniel Guerreiro com o de Daniel Monteiro. A conversa é simples mas muito direta — todos sabem do que estão a falar e o que é preciso fazer, com tudo aquilo que está por trás.

A régie é um dos locais mais importantes.

O “Big Brother”, como a maioria dos programas de televisão, pode parecer leve e divertido quando o vemos em casa — mas por trás existe um esforço enorme e muito sério que torna possível a produção deste enorme e complexo reality show.

Faltam poucas semanas para o programa terminar, apesar de não haver ainda uma data certa. A produção, no entanto, continua — já estão a preparar uma nova edição que se vai chamar “Big Brother — A Revolução”. As inscrições estão abertas e os castings já começaram.

Leia também a crónica do humorista Miguel Lambertini sobre a mais recente gala do reality show, onde poderá saber mais sobre o que se passou na noite passada.

Cláudio Ramos vai conduzir a próxima edição.

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