Televisão

“Atypical”: a série de sucesso da Netflix que é uma das mais inclusivas de sempre

A história foca-se numa personagem com autismo, algo que por si só é bastante progressivo em Hollywood. Tem também romances LGBT.
A série tem de tudo.

Hollywood caminha cada vez mais para um mundo inclusivo, graças a diferentes produções que desafiam e quebram barreiras que muitas vezes podíamos achar que eram inquebráveis. Ainda recentemente aconteceu algo inédito na indústria: Mj Rodriguez — uma atriz transsexual — foi nomeada para uma das categorias principais dos Emmys, “Melhor Atriz Numa Série de Drama”, graças ao seu papel em “Pose”.

Hollywood está então a contar histórias não só de pessoas LGBTQIA+, mas também de pessoas com deficiência. “Atypical”, além de ter presente o tema da bissexualidade, acompanha a vida de um jovem dentro do espetro do autismo e aborda assuntos que são normais na vida destas pessoas sem os ridicularizar.

Sam (Keir Gilchrist) é a personagem principal da série, um jovem autista completamente fascinado por pinguins que se vê muitas vezes em situações caricatas num mundo que ainda não está adequado para pessoas como ele. Este representa todas as pessoas que se sentem diferentes do resto do mundo.

Nesta última temporada, Sam Gardner tenta descobrir e planear o seu futuro, que inclui planos de ir para a universidade, algo que, segundo um estudo da “College Autism Network” não é o caso para 60 por cento dos estudantes norte-americanos com autismo, que acabam por nunca se licenciar.

A personagem de Keir tem diversos mecanismos de defesa e formas de lidar com problemas, típicos de várias pessoas dentro daquele espetro: esconder-se em sítio isolados e afastar-se do mundo quando se encontra num estado alto de stresse e arrancar o próprio cabelo sem se aperceber, quando se sente em perigo. Um dos fatores que torna esta série numa das mais inclusivas é o facto de todas as personagens secundárias que têm autismo ou qualquer outro tipo de deficiência são, na verdade, interpretadas por atores com os mesmos problemas.

“Todas as temporadas contratámos pessoas com autismo para trabalharem à frente e atrás das câmaras. Fazemos audições a atores com deficiências, mesmo que a personagem não seja descrita como tendo uma deficiência. Trabalhamos para ter um cenário inclusivo em todos os aspetos”, revela Robia Rashid, a criadora da série.

Além da representação de pessoas com autismo, “Atypical” representa todos aqueles cuja sexualidade ainda é um mistério para si mesmos. Este elemento está catalisado na personagem de Casey Gardner (Brigette Lundy-Paine), que desde a primeira temporada da série foi-se conhecendo melhor. No início da série, por exemplo, namorava com Evan (Graham Rogers), com quem achava que ia ficar a vida toda.

Contudo, ao partir para uma escola privada graças ao seu talento para a corrida, Casey acaba por se conhecer uma rapariga, Izzie (Fivel Stewart). Após vários episódios a questionar-se sobre quais seriam os seus sentimentos por Izzie, e qual seria o seu futuro com Evan, Casey acaba por ficar com a rapariga, assumindo-se como bissexual.

A quarta e última temporada da série já estreou na Netflix, e, tal como as anteriores, vai acompanhar a vida de Sam num mundo tão diferente, ao mesmo tempo que a relação entre Casey e Izzie vai avançando para novos patamares.

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