Televisão

Chama-se Barca, é a nova editora portuguesa e só tem livros de terror

A primeira obra a ser lançada é um verdadeiro clássico do género e que deu origem ao famoso "Drácula".
Prepare-se para as noites em branco.

Nuno Gonçalves nunca foi bom a escrever finais felizes. Foi também por isso que decidiu virar-se para o género do terror. As conclusões dramáticas eram-lhe mais naturais e permitiram que começasse a publicar pequenos contos. Uma dedicação que lhe valeu o Prémio António de Macedo em 2022. 

Agora, o desafio é ainda maior: ser o coordenador editorial da Barca, uma nova chancela da editora Vírgula D’Interrogação que vai partilhar a sua primeira obra a 6 de maio. A Vírgula nasceu em 2022 e é a concretização de um sonho de Diana Almeida, a sua mulher.

“Ela queria criar uma editora e com muita proatividade conseguiu fazê-lo”, conta à NiT. A ideia é trazer para o mercado português “livros de qualidade, bonitos e cuidados”. No fundo, “livros para ficar” — tal como diz o slogan.

São ambos médicos e nunca tinham estado ligado “ao mundo das letras” até terem começado a escrever as suas próprias histórias. Como sabia que o marido era fascinado pelo terror, Diana desafiou-o a liderar uma chancela dedicada ao género. “Não conhecemos nenhuma marca dedicada a isto, até porque há algumas que evitam chamá-los de livros de terror”, confessa.

“Quem é fã, procura sempre um livro em específico” e não parte à descoberta do que existe no mercado — mesmo que sejam títulos menos conhecidos. “Queremos ser uma casa para os autores de terror. Temos percebido que existem bastantes.”

O maior nome continua, claro, a ser Stephen King, mas há todo um mundo por conhecer. Nos últimos anos, países da América Latina têm criado trabalhos incríveis e que começam apenas agora a chegar a Portugal. Nuno, de 39 anos, sente que “há muito para explorar, tanto em inglês como espanhol e outros idiomas que nunca chegam a ser traduzidos”.

Para o autor, a experiência de ler um livro de terror é ainda melhor do que a de ver um filme. “Quando se trata de um trabalho literário, digiro-o de forma mais lenta, como se fosse uma refeição prolongada. Nos filmes as experiências são mais curtas”, garante.

O plano para 2024 já está definido. A 6 de maio a Barca vai publicar “Carmilla”, escrito por Sheridan Le Fanu em 1872. “É um clássico de vampiros que procedeu o Drácula. Vamos editá-lo com um cuidado adicional de design.”

Para o final do ano pretendem partilhar “Henriqueta” de A.J. Duarte Júnior e, ainda sem data definida, “o trabalho de um autor contemporâneo português” que ainda não revelam qual será. “Queremos começar por clássicos que tenham sido mais esquecidos. Há exemplos que estão sempre presentes como o “Drácula” e o “Frankenstein”, mas há outros que ajudaram a criar o género e que entretanto se perderam”, lamenta Nuno.

Acrescenta que em Portugal também houve “vários autores” que escreveram “dentro do gótico, apesar de nunca serem catalogados como autores de terror, tais como o Camilo Castelo Branco e o Eça de Queirós”.

Se tudo correr conforme planeado, a Barca vai ser uma casa para autores que ainda não conseguiram penetrar o mercado português e também para escritores nacionais. “Queremos chegar aos nórdicos e trazer a língua espanhola e francesa, russos, ucranianos. Isto torna a publicação mais cara por causa da tradução, mas não é esse o nosso critério: o critério será sempre a qualidade”, garante.

 

Áudio deste artigo

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT