Televisão

“Barry”: a comédia brilhante que quase ninguém viu está de volta

Esta é a história de um assassino profissional que se quer tornar ator — mas o mundo do crime não o deixa sair.
Bill Hader é o ator protagonista.

Adorámos acompanhar Pablo Escobar em “Narcos”, apesar de ter um lado ultra violento e de vilão. Em “Breaking Bad”, assistimos à transformação de Walter White em Heisenberg, mas continuámos a empatizar com a personagem. Em “Dexter”, o protagonista é um serial killer. E podemos ainda mencionar o nome do mafioso Tony Soprano. 

São vilões que gostámos de ver como anti-heróis na televisão — e este é um fenómeno relativamente transversal na ficção. Algo semelhante acontece em “Barry”, comédia dramática da HBO que estreou em 2018. A história está de volta esta segunda-feira, 25 de abril, com a muito aguardada estreia da terceira temporada. Vai ter oito novos episódios.

A premissa em si é surreal, absurda e cómica. Um assassino profissional, que trabalha para quem o contratar (embora tenha um código de conduta em que só mata quem ele considera que merece), deseja ser um ator.

Barry é um antigo soldado traumatizado da guerra no Médio Oriente, com tendência para a depressão. Por várias circunstâncias da vida e traços da sua personalidade que o tornaram quase submisso ao homem que o salvou de alguma forma, acaba a usar o seu maior talento — disparar contra pessoas — para fazer vida nesta perigosa área profissional.

Barry é exemplar no seu trabalho. Conhece todos os truques, manobras e métodos para analisar o local, ultrapassar os eventuais sistemas de segurança e neutralizar o alvo. É um assassino profissional, a sangue frio, muito racional, mas que tem grandes lacunas na sua vida — a sua única ligação emocional é ao tal homem que o salvou e que lhe arranja os contratos de trabalho. E tem claramente alguns problemas de sociabilidade. 

Apesar de ser de Cleveland, o protagonista viaja, num certo dia, até Los Angeles — para fazer mais um trabalho. O que não está à espera é de dar por si, de repente, numa aula de representação na cidade de Hollywood. Apesar de não parecer ter um talento nato para ser ator, Barry começa a questionar-se sobre o seu caminho na vida e aquilo que pretende.

Não demora muito até decidir-se a ser ator — apesar de ser uma decisão que se vai tornar num dilema constante, que irá perdurar durante algum tempo. Entretanto, tem a tal figura de padrinho a tentar puxá-lo de novo para o mundo do crime — e um ameaçador gangue de chechenos no seu caminho — tudo enquanto se aproxima emocionalmente de uma colega aspirante a atriz.

Durante algum tempo, Barry vai levar uma vida dupla — enquanto assassino e aspirante a ator. E os melhores momentos de comédia desta série nascem da colisão entre os seus dois mundos. Que às vezes colidem com muito impacto.

Barry é interpretado por Bill Hader, que dá à personagem uma aura de ingenuidade que é a base para também conseguirmos considerar o protagonista como um “bonzinho” — apesar de ser um assassino profissional, não há nem um pouco de maldade em Barry.

A narrativa inclui outras personagens de qualidade, como a também ingénua colega atriz Sally (Sarah Goldberg) e o professor de representação, Gene Cousineau (Henry Winkler). O “padrinho” Fuches (Stephen Root) é também uma multifacetada personagem, e o prémio de papel mais divertido tem de ir para NoHo Hank (Anthony Carrigan), um dos líderes do gangue que faz parte do enredo.

Trata-se de uma produção imensamente cómica, inteligente, que mergulha num submundo divertido do crime — as cenas com o gangue checheno são hilariantes — e as mistura com o imaginário das escolas de atores de Los Angeles. Nesta terceira temporada, Barry e outras personagens continuam a tentar fazer as escolhas certas, sendo que o protagonista nunca conseguiu afastar completamente o seu passado (e, por vezes, presente) violento.

A comédia negra passou bastante ao lado em Portugal, até porque a HBO só foi lançada por cá em 2019, mas merecia mais visibilidade e reconhecimento. Venceu seis Emmys e esteve nomeada para outros tantos prémios (inclusive meia dúzia de Globos de Ouro). E depois há “aquele” episódio da segunda temporada, que é uma das melhores coisas que aconteceram na televisão nos últimos anos.

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