Televisão

“The Bear” voltou e continua a ser uma das séries mais deliciosas da televisão

Os episódios da segunda temporada chegaram esta quarta-feira, à Disney+. Com outra receita.
Carmy vai encontrar um novo desafio

Quando deixámos Carmy e o resto da equipa, uma espécie de milagre acontecera no Original Beef. No interior das insuspeitas (e muitas) latas de tomate aglomeradas na despensa estavam, afinal, escondidos dezenas de maços de notas guardados por Michael. Ao fim de uma frenética e brilhante primeira temporada, tudo parecia resolvido.

E assim deveria ter sido, não tivessem os criadores de “The Bear” cometido o pecado de acertarem em cheio na receita logo à primeira tentativa. Este final colocava um dilema em cima da mesa: com a história bem embrulhada e sem planos imediatos para uma continuação, tornou-se necessário dar o passo seguinte e encontrar a forma de melhorar a receita.

Foi exatamente isso que fizeram — e que Carmy faz — nos novos episódios que chegaram com algum atraso a Portugal esta quarta-feira, 2 de agosto, à Disney+. Com dinheiro fresco nas mãos, passa a ser possível cumprir o sonho: reimaginar o popular espaço de Chicago e elevá-lo a outro patamar. É precisamente esse o processo em que arranca a segunda temporada, enquanto Carmy, Sydney e Natalie se debatem com os custos de uma eventual renovação total. O plano: fazer do espaço um restaurante de fine dining.

Nesta nova versão da receita, a base continua a ser a mesma. O restaurante, o negócio da restauração e as suas particularidades servem de fio condutor mas como meros acessórios da narrativa. Não é preciso recorrer à cartomancia para adivinhar onde e como é que Carmy e a equipa vão ver as suas intenções travadas.

Perante isto, poder-se-ia pressupor que dificilmente se conseguiria trazer à mesa um prato brilhante. Mas não só “The Bear” o faz, como consegue ainda superar o brilhantismo da primeira temporada, agora sem o efeito surpresa do seu lado.

Mesmo com os fogões desligados, a agitação não abranda e os choques transferem-se para as salas de um Original Beef em cacos, a braços com dezenas de problemas estruturais. Só que desta vez, “The Bear” solta-se dos trabalhos pesados e deixa espaço para momentos mais contemplativos, com episódios que dedicam grande parte do seu tempo às jornadas individuais de cada uma das personagens.

Acompanhamos Sydney num périplo por Chicago, em busca de inspiração para o novo menu, enquanto conhecemos as raízes da sua enorme insegurança. Viajamos com Marcus até Copenhaga, onde se entrega às mãos de um chef de pastelaria com alguns segredos por desvenda, ao passo que expõe o drama familiar que vive em casa. E naquele que é, talvez, um dos mais memoráveis episódios da série, caminhamos lado a lado com Richie numa entusiasmante experiência transformadora — que é como quem diz, colocar o irascível primo Richie a estagiar num dos melhores restaurantes de Chicago.

A evolução da série faz-se sobretudo à custa das suas personagens, bem apoiadas por um argumento económico, simples e eficaz, a par da exemplar fotografia e banda sonora. Mas porque nenhuma evolução se faz sem o respetivo olhar para trás, a coroa desta segunda temporada salta do frenético “Review” para o épico “Fishes”.

O compacto sétimo episódio da temporada anterior, com apenas trinta minutos, levou-nos ao frenesim de um serviço miserável, filmado sem cortes. Desta vez, o comboio é maior, mais possante e atropela-nos durante mais de uma hora, onde assistimos na primeira fila a um passado jantar de Natal na casa dos Berzatto.

Pequeno spoiler: as sonantes adições ao elenco são disparadas em força, colocando à mesa Jamie Lee Curtis (a mãe Berzatto), bem como Sarah Paulson e Bob Odenkirk. Regressa também Jon Bernthal, para um episódio em todos os aspetos memorável — e a mostrar como é que se tira total partido de um (ou três) cameo.

A segunda temporada é um feito extraordinário. Continua a ser explosivamente agradável nos momentos mais frenéticos, enquanto mostra que sabe cada vez mais aproveitar os silêncios. Entre todos estes ingredientes, a habitual mestria reservada aos melhores chefs: o de encontrar o equilíbrio entre eles, para que o produto final seja não só digerível, mas um absoluto prazer.

Nesta série aparentemente simples sobre um chef a tentar reconstruir o negócio de família cabe de tudo um pouco, do luto e do trauma da primeira temporada, à superação, ambição e descoberta da segunda. Numa palavra: delicioso.

Carregue na galeria para ficar a conhecer as novas séries que chegam à televisão em agosto.

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